Horário eleitoral estreia no Paraná e expõe estratégias de Moro, Sandro Alex e Requião Filho
PARANÁ, 28 de agosto de 2026 — A eleição para o Governo do Paraná entrou definitivamente na televisão. O primeiro dia do horário eleitoral gratuito terminou nesta sexta-feira (28) com a exibição do bloco noturno destinado aos candidatos…

PARANÁ, 28 de agosto de 2026 — A eleição para o Governo do Paraná entrou definitivamente na televisão. O primeiro dia do horário eleitoral gratuito terminou nesta sexta-feira (28) com a exibição do bloco noturno destinado aos candidatos ao Palácio Iguaçu, colocando diante de um público mais amplo as estratégias escolhidas pelas principais campanhas.
O programa destinado à disputa pelo Governo foi exibido a partir das 20h46, depois dos blocos para o Senado e para deputado estadual.
A estreia confirmou três estratégias bastante diferentes.
Sergio Moro (PL) entrou na televisão reforçando sua identificação com a direita, o combate à corrupção e sua trajetória política construída a partir da Operação Lava Jato.
Sandro Alex (PSD) utilizou o maior tempo disponível para se apresentar como candidato da continuidade do governo Ratinho Junior e associar sua trajetória às realizações da atual administração.
Já Requião Filho (PDT) iniciou sua campanha televisiva dando espaço especialmente à educação e à valorização dos servidores da área.
Com isso, a eleição estadual passa agora a ter uma nova arena além das redes sociais, entrevistas, debates e eventos de campanha.
Moro abriu a propaganda para governador
O sorteio realizado pela Justiça Eleitoral colocou Sergio Moro como o primeiro entre os candidatos ao Governo do Paraná na estreia.
Na sequência apareceram Sandro Alex e Requião Filho.
A partir das próximas exibições, a ordem será alterada pelo sistema de rodízio estabelecido pela Justiça Eleitoral.
O bloco inteiro destinado à eleição para governador possui nove minutos.
Sandro Alex ficou com aproximadamente 4 minutos e 26 segundos, Requião Filho com 2 minutos e 19 segundos e Sergio Moro com cerca de 2 minutos e 13 segundos.
Os demais candidatos ao Governo não possuem tempo no programa eleitoral em rede porque seus partidos não atendem aos critérios legais de representação parlamentar necessários para participar dessa divisão.
Moro leva a disputa nacional para a eleição do Paraná
Líder nas pesquisas mais recentes, Sergio Moro utilizou sua estreia para reafirmar uma identidade política já conhecida por grande parte do eleitorado.
O candidato do PL voltou a explorar a imagem construída durante a Operação Lava Jato e o discurso de enfrentamento à corrupção.
Também aproximou sua campanha estadual da disputa nacional e do eleitorado de direita.
A propaganda exibiu Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, reforçando a tentativa de consolidar Moro como principal representante desse campo político no Paraná.
A presença de Flávio na propaganda paranaense chamou atenção inclusive na cobertura nacional do primeiro dia do horário eleitoral.
A estratégia de Moro apresenta uma lógica clara.
Como já inicia esta fase liderando as pesquisas, sua principal missão não é tornar seu nome conhecido, mas consolidar o eleitor que já demonstra intenção de votar nele e ampliar essa vantagem dentro do eleitorado conservador.
Sandro Alex coloca Ratinho Junior no centro da campanha
Sandro Alex dispõe de uma vantagem importante nesta nova fase: mais tempo de televisão do que qualquer outro candidato ao Governo do Paraná.
Sua coligação reúne partidos com maior representação na Câmara dos Deputados e, por isso, ficou com quase metade dos nove minutos disponíveis em cada bloco.
Na estreia, a campanha utilizou esse espaço para reforçar a ligação do candidato com o governador Ratinho Junior.
A estratégia apresenta Sandro como participante da atual administração estadual e como nome capaz de dar continuidade ao projeto político do governador.
É uma escolha eleitoral compreensível.
Ratinho Junior chega ao período eleitoral com elevada aprovação, enquanto Sandro ainda enfrenta um nível de conhecimento menor entre parte do eleitorado.
A televisão será utilizada justamente para aproximar essas duas imagens.
A mensagem é relativamente simples: apresentar as realizações do atual governo, associar Sandro a elas e convencer o eleitor de que escolher o candidato do PSD representaria continuidade.
Maior tempo de TV coloca pressão sobre Sandro
A vantagem no relógio, entretanto, também aumenta a responsabilidade.
Sandro possui aproximadamente o dobro do tempo de Moro.
Além dos blocos, sua coligação também terá a maior quantidade de inserções de 30 e 60 segundos espalhadas diariamente pela programação das emissoras.
A campanha do PSD terá aproximadamente 6 minutos e 54 segundos de inserções diárias para governador.
Requião Filho contará com cerca de 3 minutos e 37 segundos.
Moro terá aproximadamente 3 minutos e 28 segundos.
Isso significa que, nas próximas semanas, Sandro aparecerá consideravelmente mais vezes na televisão e no rádio.
A pergunta eleitoral passa a ser inevitável: essa exposição será suficiente para diminuir a distância para Moro e consolidar Sandro no segundo turno?
As próximas pesquisas começarão a responder.
Requião Filho escolhe educação para se apresentar ao eleitor
Requião Filho utilizou sua primeira propaganda para apresentar uma campanha com tom diferente dos dois principais adversários.
A educação ganhou destaque.
Entre os pontos apresentados estão valorização dos professores, concursos públicos, utilização de tecnologia no ensino, inclusão e condições de trabalho dos profissionais da rede estadual.
Também apareceu a defesa da retomada do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE).
A escolha indica uma tentativa de levar a campanha para políticas públicas específicas, em vez de iniciar o horário eleitoral apenas com posicionamento ideológico ou apresentação biográfica.
Requião precisa de uma estratégia capaz de mantê-lo competitivo justamente porque disputa com Sandro Alex a condição de principal adversário de Moro.
Três campanhas deixam suas diferenças mais visíveis
O primeiro programa tornou mais claro aquilo que deverá orientar boa parte da campanha estadual.
Moro tenta ser o candidato da direita, da Lava Jato e do combate à corrupção.
Sandro procura ser o candidato da continuidade administrativa, sustentado principalmente pela popularidade e pelo legado de Ratinho Junior.
Requião Filho tenta construir a imagem de uma alternativa voltada à discussão de políticas públicas e à oposição ao atual modelo estadual.
A partir de agora, essas narrativas passarão a ser repetidas e confrontadas.
Também deverão surgir ataques mais diretos.
A campanha televisiva geralmente começa com apresentação e construção de imagem, mas tende a ganhar temperatura conforme as pesquisas indicam quais candidaturas estão crescendo e quais precisam alterar sua estratégia.
Estreia ocorre com Moro na liderança das pesquisas
A entrada da televisão acontece em um momento favorável para Sergio Moro.
Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta sexta-feira, mostra o candidato do PL com 35% das intenções de voto.
Sandro Alex aparece com 23%.
Requião Filho tem 20%.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, Sandro e Requião permanecem em uma disputa bastante apertada pela segunda colocação.
É justamente nessa faixa que o horário eleitoral poderá ter maior influência nas próximas semanas.
Moro precisa defender a vantagem.
Sandro precisa crescer.
Requião precisa impedir que a maior exposição do candidato governista abra uma distância capaz de consolidar a eleição em torno de apenas dois nomes.
Eleitor ainda tem espaço para mudar de candidato
Um dado da pesquisa espontânea ajuda a explicar por que televisão e rádio continuam importantes mesmo em uma campanha dominada pelas redes sociais.
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, uma parcela muito grande do eleitorado ainda não consegue apontar espontaneamente quem pretende escolher.
Isso mostra que existe diferença entre reconhecer um candidato quando seu nome aparece em uma pesquisa e já possuir uma escolha eleitoral consolidada.
É justamente nesse espaço que a propaganda eleitoral tentará atuar.
Durante pouco mais de um mês, candidatos poderão apresentar biografia, propostas, aliados, comparações e críticas aos adversários para eleitores que ainda não acompanham diariamente a campanha.
Inserções agora estarão espalhadas pela programação
A eleição não ficará restrita aos blocos tradicionais.
Os candidatos também terão inserções de 30 ou 60 segundos distribuídas durante a programação normal das emissoras.
O período de veiculação vai das 5h à meia-noite.
Para cada um dos cinco cargos em disputa são reservados 14 minutos diários de inserções, posteriormente divididos entre os candidatos e coligações conforme os critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Essas peças possuem uma característica diferente.
Enquanto o programa em bloco permite contar histórias e desenvolver argumentos, a inserção precisa transmitir uma mensagem em poucos segundos.
Por isso, é provável que jingles, slogans, propostas de fácil assimilação e ataques aos adversários ganhem espaço crescente nesse formato.
Próximo programa para governador será na segunda-feira
Encerrada a estreia desta sexta-feira, a próxima exibição em bloco destinada aos candidatos ao Governo do Paraná será na segunda-feira (31).
Na televisão, haverá novamente duas apresentações: uma durante a tarde e outra à noite.
A propaganda para governador integra os blocos exibidos às segundas, quartas e sextas-feiras.
Nas terças, quintas e sábados, o horário em rede é destinado às candidaturas à Presidência da República e a deputado federal.
A propaganda eleitoral gratuita seguirá até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Primeiro programa abre uma nova eleição dentro da eleição
Nenhuma candidatura vence ou perde uma disputa estadual por causa de um único programa.
Mas a estreia revela aquilo que cada campanha acredita ser sua principal vantagem.
Sandro mostrou que pretende utilizar a popularidade de Ratinho Junior e seu tempo maior de exposição.
Moro mostrou que não pretende abandonar as referências políticas que construíram sua trajetória e que buscará ocupar claramente o espaço eleitoral da direita.
Requião optou por começar falando de uma política pública concreta e tentar construir uma alternativa aos dois principais blocos.
Agora vem a etapa mais importante.
A partir de segunda-feira, as campanhas poderão observar a repercussão das primeiras peças, medir as reações e começar a ajustar suas mensagens.
E as próximas pesquisas mostrarão se a televisão conseguirá modificar uma corrida que começa esta fase com Moro na liderança e Sandro Alex e Requião Filho disputando voto a voto a segunda posição.
A primeira noite do horário eleitoral terminou sem grandes surpresas, mas deixou muito clara a batalha que começa agora: Moro tenta transformar liderança em consolidação; Sandro aposta no tempo de TV e no peso político de Ratinho Junior para crescer; e Requião precisa convencer o eleitor de que existe espaço para uma terceira alternativa competitiva na corrida pelo Palácio Iguaçu.
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