Flávio Bolsonaro enfrenta perguntas sobre caso Master, promete anistia e diz que respeitará resultado das eleições na Globo
Candidato do PL foi pressionado sobre financiamento do filme “Dark Horse”, defendeu o pai, contestou a existência de uma tentativa de golpe e afirmou que respeitará o processo eleitoral; entrevista terminou nesta sexta-feira (28).

RIO DE JANEIRO — O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou na noite desta sexta-feira (28) da série de sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência. Em aproximadamente 40 minutos de entrevista, conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, o candidato respondeu principalmente a questionamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse, a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o processo eleitoral e os acontecimentos relacionados ao fim do governo de Jair Bolsonaro.
A entrevista terminou por volta das 22 horas e colocou Flávio diante de um dos momentos de maior exposição nacional de sua campanha até agora.
Caso Dark Horse domina início da entrevista
O principal confronto da primeira parte da sabatina ocorreu em torno do financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio confirmou sua participação na busca de investidores para o projeto, mas afirmou não ter sido o responsável pela formalização do contrato com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Ao ser questionado sobre documentos e prestação de contas, declarou que não havia firmado contrato pessoalmente e que sua participação consistiu em autorizar o uso de sua imagem e colaborar na captação de investidores.
Reportagens publicadas anteriormente revelaram áudios e mensagens nos quais Flávio tratava diretamente com Vorcaro da liberação de recursos para o projeto. A negociação citada nas investigações teria alcançado R$ 134 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Flávio sustentou durante a entrevista que os recursos eram privados, que não houve dinheiro público no projeto e que não ofereceu nenhuma contrapartida em razão de seu mandato de senador.
A Agência Lupa, que acompanhou a entrevista em tempo real, classificou como falsa a afirmação de que os detalhes da prestação de contas já haviam sido integralmente apresentados, destacando que a perícia privada divulgada pela produtora não trouxe ao público todos os documentos, contratos, extratos e planilhas utilizados na análise.
“Vou respeitar o resultado das eleições”
Outro momento importante da entrevista ocorreu quando Flávio foi questionado sobre confiança no sistema eleitoral.
O candidato declarou que respeitará o processo e o resultado das eleições.
A declaração ganha peso político diante das discussões que marcaram o período posterior às eleições de 2022 e das investigações e processos relacionados aos atos de 8 de Janeiro.
Pressionado sobre uma eventual derrota, Flávio reiterou que disputará a Presidência dentro das regras eleitorais vigentes.
Flávio defende Bolsonaro e promete anistia
Ao tratar do governo de Jair Bolsonaro e dos acontecimentos investigados pela Justiça como tentativa de ruptura institucional, Flávio rejeitou a interpretação de que tenha ocorrido uma tentativa de golpe.
O candidato voltou a defender o pai e classificou as acusações contra o ex-presidente como parte de uma perseguição destinada, segundo ele, a afastá-lo da vida pública.
Flávio também reafirmou posição favorável à anistia de condenados pelos acontecimentos de 8 de Janeiro, colocando o tema entre as bandeiras políticas que pretende defender caso seja eleito.
O assunto deve permanecer no centro da eleição presidencial, principalmente por representar uma das principais diferenças entre a candidatura de Flávio e a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Cola” escrita na mão chama atenção
Um detalhe visual da entrevista rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
Flávio apareceu diante das câmeras com palavras escritas na palma da mão esquerda. As imagens permitiram identificar as expressões “Mudança”, “Futuro” e “7/Set”.
O recurso lembrou estratégia utilizada por Jair Bolsonaro em entrevistas de campanhas anteriores, quando o então candidato também levou palavras anotadas na mão para destacar temas que pretendia abordar.
O episódio, embora secundário em relação ao conteúdo político da entrevista, tornou-se um dos assuntos imediatamente repercutidos após a sabatina.
Uma entrevista concentrada em controvérsias
Assim como ocorreu com Lula na noite anterior, uma parcela significativa do tempo dedicado a Flávio Bolsonaro foi consumida por questionamentos relacionados a investigações, episódios controversos e acontecimentos ligados ao seu entorno político.
No caso de Lula, a entrevista de quinta-feira teve como alguns dos principais assuntos as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger, Banco Master, INSS e questões econômicas.
Com Flávio, o caso Dark Horse e a relação com Daniel Vorcaro assumiram papel semelhante.
A consequência foi um espaço proporcionalmente menor para uma apresentação detalhada de propostas sobre economia, saúde, educação, infraestrutura e outros temas diretamente ligados ao cotidiano do eleitor.
Do ponto de vista eleitoral, entretanto, Flávio teve a oportunidade de falar diretamente para uma audiência nacional justamente no momento em que a disputa presidencial entra em uma nova etapa, com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Sabatinas chegam à reta final
Flávio Bolsonaro foi o quinto presidenciável ouvido na rodada promovida pela Globo.
Já participaram Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A sequência termina neste sábado (29), quando será entrevistado Augusto Cury (Avante).
Com o encerramento da participação de Flávio, a campanha agora acompanhará a repercussão da entrevista nas redes sociais, entre aliados e adversários e, principalmente, entre o eleitorado ainda indeciso.
Mais do que produzir respostas definitivas sobre a disputa presidencial, a sabatina reforçou dois eixos que devem acompanhar Flávio Bolsonaro durante a campanha: de um lado, a tentativa de se apresentar como alternativa de mudança ao atual governo; de outro, a necessidade de responder às controvérsias relacionadas ao caso Dark Horse, ao Banco Master e ao legado político e jurídico de Jair Bolsonaro.
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