Surto de ebola supera 3 mil mortes na República Democrática do Congo
País contabiliza 6.186 casos confirmados e enfrenta a epidemia mais mortal de sua história; OMS pede ampliação urgente da resposta internacional DAKAR, 2 de setembro de 2026 — O surto de ebola na República Democrática do Congo já…

País contabiliza 6.186 casos confirmados e enfrenta a epidemia mais mortal de sua história; OMS pede ampliação urgente da resposta internacional
DAKAR, 2 de setembro de 2026 — O surto de ebola na República Democrática do Congo já provocou 3.007 mortes e alcançou 6.186 casos confirmados, segundo dados divulgados pelo governo congolês nesta quarta-feira (2).
A epidemia tornou-se a maior e mais mortal já registrada no país. Em dimensão, fica atrás apenas do surto que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando mais de 11 mil pessoas morreram em Guiné, Libéria e Serra Leoa.
Doença já alcançou seis províncias
O atual surto foi oficialmente declarado na província de Ituri em 15 de maio, embora autoridades de saúde e especialistas considerem a possibilidade de que a transmissão tenha começado em janeiro. Desde então, o vírus alcançou seis províncias.
A variante identificada é a Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacina ou tratamento especificamente aprovados. Candidatos a vacinas estão em desenvolvimento e ensaios clínicos de novos tratamentos foram iniciados.
Maioria das mortes ocorre fora de centros de tratamento
A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 60% das mortes aconteçam fora dos centros de tratamento. O dado evidencia as dificuldades para identificar os pacientes precocemente, rastrear contatos e interromper as cadeias de transmissão.
Problemas na vigilância epidemiológica, insegurança em áreas afetadas, deslocamento da população e resistência de parte das comunidades dificultam o trabalho das autoridades congolesas, da OMS e das organizações humanitárias.
OMS pede reforço internacional
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a resposta precisa ser ampliada com urgência. A entidade estima que serão necessários cerca de US$ 1,3 bilhão para aumentar a capacidade de atendimento, ampliar os testes e apoiar as equipes envolvidas no controle da epidemia.
Profissionais que atuam na linha de frente começaram a receber a vacina Ervebo. O imunizante é aprovado contra a variante Zaire do vírus, mas autoridades esperam que possa oferecer alguma proteção cruzada contra a variante Bundibugyo.
Controle depende da interrupção da transmissão
Especialistas ressaltam que surtos anteriores demonstraram ser possível controlar o ebola com diagnóstico rápido, isolamento seguro, tratamento adequado, rastreamento de contatos e sepultamentos realizados sob protocolos sanitários.
A expansão dos casos, entretanto, mostra que o país ainda não conseguiu identificar todas as cadeias de contágio, aumentando o risco de novas áreas serem atingidas.
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