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Da cassação à vitória nas urnas: Fernando Francischini volta ao Congresso e vê família e aliados triunfarem no Paraná

Delegado supera anos de afastamento após perder mandato conquistado com quase 428 mil votos, retorna à Câmara dos Deputados e encerra eleição em que esposa, filho e ex-esposa também conquistaram mandatos; aposta política no grupo de Sergio Moro ainda terminou com vitória para o governo e forte desempenho da chapa ao Senado

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MATÉRIA ESPECIAL

CURITIBA (PR) – Fernando Francischini voltará à Câmara dos Deputados oito anos depois de deixar Brasília e cinco anos após sofrer a cassação do mandato que havia conquistado com a maior votação para deputado estadual do Paraná nas eleições de 2018. Eleito neste domingo (4) com 53.207 votos, o delegado encerrou um dos períodos mais difíceis de sua trajetória política com uma vitória que, observada além dos números individuais, ganhou dimensão ainda maior diante do desempenho da família e dos aliados que apoiou na disputa estadual.

Francischini não apenas conseguiu retornar ao Congresso Nacional. A eleição também terminou com a reeleição do filho, Felipe Francischini, para deputado federal; a reeleição da atual esposa, Flávia Francischini, para a Assembleia Legislativa; e a eleição de Luciane Bonatto, sua ex-esposa e mãe de Felipe, para o mesmo Parlamento estadual. Ao mesmo tempo, a aliança à qual a família aderiu durante a construção das chapas estaduais saiu fortalecida com a eleição de Sergio Moro para governador ainda no primeiro turno e com Filipe Barros liderando a votação para o Senado.

O resultado produz uma fotografia política bastante diferente daquela que cercava Fernando Francischini poucos anos atrás. Depois da cassação, do período de inelegibilidade e da ausência das eleições gerais de 2022, o delegado retorna ao Congresso enquanto seu núcleo familiar amplia a presença institucional e o grupo político que escolheu apoiar conquista alguns dos cargos mais importantes em disputa no Paraná.

A vitória, portanto, não pode ser compreendida apenas pelos 53 mil votos recebidos no domingo. Para dimensioná-la é necessário voltar à trajetória que levou Francischini da Polícia Federal às maiores votações do estado, da ascensão à cassação e, agora, da adversidade à reconstrução eleitoral.

Da segurança pública à Câmara dos Deputados

Nascido em Londrina, em 26 de março de 1970, Fernando Destito Francischini construiu sua identidade pública inicialmente na área de segurança. Passou pela Polícia Militar do Paraná antes de ingressar na Polícia Federal, onde exerceu funções relacionadas à repressão ao tráfico de drogas, inteligência, investigação criminal e enfrentamento a organizações criminosas.

Sua experiência incluiu atuação em áreas estratégicas da Polícia Federal e da Interpol, além da chefia de unidades especializadas. Essa trajetória profissional se tornaria posteriormente a principal marca de sua vida política e explicaria a adoção do título de “delegado” como elemento permanente de sua identidade eleitoral.

Quando disputou pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados, em 2010, Francischini construiu a campanha principalmente sobre três pilares que continuariam presentes nos anos seguintes: defesa das forças de segurança, endurecimento da legislação contra criminosos e combate à corrupção.

A estreia foi bem-sucedida. Pelo PSDB, recebeu 130.522 votos e conquistou o primeiro mandato de deputado federal. Quatro anos depois, já pelo Solidariedade, ampliou a votação para 159.569 votos e garantiu a reeleição.

Nos dois mandatos em Brasília, tornou-se presença frequente nos debates relacionados à segurança pública, ao sistema penitenciário, ao combate ao crime organizado, às carreiras policiais e à fiscalização da administração pública. Também ganhou espaço nacional pela postura contundente e pelo enfrentamento político aos governos do PT.

Oposição ao PT e atuação no combate à corrupção

Foi durante os governos petistas que Francischini consolidou o perfil político pelo qual seria reconhecido nacionalmente. O parlamentar passou a combinar as pautas de segurança pública com uma oposição ideológica cada vez mais aberta às administrações de Dilma Rousseff e, posteriormente, ao retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao centro da política nacional.

Na crise que culminou no impeachment de Dilma, Francischini esteve entre os deputados favoráveis ao afastamento da presidente e integrou a comissão especial responsável por analisar a denúncia por crime de responsabilidade. Também participou das discussões que ganharam força durante a Operação Lava Jato e se aproximou do movimento social e político que cobrava mudanças mais rígidas na legislação de combate à corrupção.

O delegado esteve ainda entre os parlamentares envolvidos na tramitação das chamadas Dez Medidas contra a Corrupção, propostas originadas de uma mobilização liderada pelo Ministério Público Federal. A agenda anticorrupção tornou-se, ao lado da segurança pública e da oposição ao PT, uma das marcas centrais de sua atuação parlamentar.

Essa combinação política aproximou Francischini de Jair Bolsonaro antes mesmo de a candidatura presidencial de 2018 adquirir a dimensão que alcançaria. O delegado participou do campo conservador que crescia em oposição aos governos petistas e ajudou na articulação do grupo que acabaria encontrando no então deputado federal do Rio de Janeiro sua principal liderança nacional.

Foi justamente em 2018, no auge dessa onda política, que Francischini atingiu o maior resultado eleitoral de sua carreira.

Os 427.749 votos que projetaram Francischini no Paraná

Depois de dois mandatos consecutivos como deputado federal, Francischini decidiu disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná. A opção poderia parecer, à primeira vista, um movimento para um cargo politicamente menor, mas o resultado revelou uma força eleitoral extraordinária.

Francischini recebeu 427.749 votos.

Foi, com ampla vantagem, o deputado estadual mais votado do Paraná naquela eleição. O segundo colocado terminou muito distante, e o desempenho do delegado passou a alimentar projeções sobre futuras candidaturas majoritárias.

A votação consolidava algo que vinha sendo construído desde 2010: Francischini havia deixado de ser apenas um delegado que entrou na política para se transformar em uma das principais lideranças eleitorais do campo conservador no Paraná.

Mas o mesmo dia que produziu sua maior consagração nas urnas daria origem ao processo que interromperia sua trajetória.

A transmissão sobre as urnas e a cassação

Durante o primeiro turno das eleições de 2018, Francischini realizou uma transmissão pelas redes sociais na qual relatou supostos problemas envolvendo urnas eletrônicas. O conteúdo acabou questionado judicialmente e deu origem a uma ação que chegaria ao Tribunal Superior Eleitoral.

Em outubro de 2021, o TSE decidiu, por seis votos a um, cassar seu mandato e declarar sua inelegibilidade por oito anos a partir das eleições de 2018. A maioria dos ministros considerou que a transmissão havia divulgado informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação e configurado abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

A defesa contestou a interpretação e sustentou, entre outros argumentos, que o entendimento aplicado pelo tribunal não poderia retroagir para atingir uma conduta praticada três anos antes.

A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em junho de 2022, o ministro Kassio Nunes Marques suspendeu temporariamente os efeitos da decisão e restabeleceu o mandato. Poucos dias depois, entretanto, a Segunda Turma do STF rejeitou a liminar por maioria e restabeleceu a cassação determinada pelo TSE.

O impacto político foi imediato. Francischini deixou a Assembleia Legislativa e ficou fora das eleições gerais de 2022, justamente quatro anos depois de ter alcançado quase 428 mil votos.

Da maior votação do Paraná ao afastamento das urnas

Poucos políticos vivem uma mudança de cenário tão brusca. Em 2018, Francischini aparecia entre os maiores fenômenos eleitorais do estado. Três anos depois, estava sem mandato. Em 2022, enquanto a direita paranaense elegia novas lideranças e reorganizava seus espaços internos, ele estava impedido de participar da disputa.

Também houve mudança na forma como sua imagem passou a ser retratada no debate público. Parte significativa da cobertura nacional sobre Francischini concentrou-se no episódio das urnas e na cassação, relegando a segundo plano sua trajetória na Polícia Federal, os mandatos anteriores, a atuação na segurança pública e sua participação nos debates contra a corrupção.

Para seus críticos, a decisão da Justiça Eleitoral representou responsabilização por desinformação contra o sistema eleitoral. Para seus apoiadores, a punição foi desproporcional e fundada em uma interpretação jurídica cuja aplicação retroativa continuou sendo contestada.

Independentemente das interpretações, havia um fato político incontornável: um parlamentar que havia recebido quase 428 mil votos deixou de disputar eleições.

E, na política, ausência prolongada costuma significar perda de espaço.

A passagem pela Segurança Pública também teve controvérsias

A cassação não foi a única adversidade enfrentada por Francischini. Anos antes, sua passagem pela Secretaria de Estado da Segurança Pública durante o governo Beto Richa havia terminado em meio a uma das maiores crises políticas daquele período.

Em 29 de abril de 2015, um confronto entre policiais militares e servidores que protestavam contra mudanças na previdência estadual deixou centenas de feridos no Centro Cívico de Curitiba. Como secretário da Segurança Pública, Francischini esteve no centro da repercussão e deixou o cargo poucos dias depois.

O episódio permanece entre os principais pontos utilizados por adversários para criticá-lo. Seus apoiadores, em contrapartida, destacam sua longa experiência policial e a atuação na repressão ao tráfico, nas operações contra organizações criminosas e na defesa das forças de segurança.

Essa coexistência entre resultados expressivos e controvérsias ajuda a compreender a trajetória de Francischini. Raramente foi um personagem político neutro. Construiu um eleitorado fiel justamente ao assumir posições claras, ao mesmo tempo em que passou a despertar forte rejeição entre adversários ideológicos.

2026 e o desafio de começar novamente

Quando voltou a reunir condições para disputar uma eleição em 2026, Francischini já não encontrava o mesmo ambiente político de oito anos antes.

Novas lideranças haviam surgido no campo conservador, candidatos ligados à segurança pública conquistaram seus próprios eleitorados e a direita paranaense passou por sucessivos rearranjos partidários. O delegado precisava reconstruir uma base política depois de anos sem mandato eletivo.

A campanha também chamou atenção pela estrutura financeira. Os registros apresentados durante a disputa mostraram uma candidatura sustentada principalmente por recursos próprios e doações privadas, sem os grandes repasses partidários observados em outras candidaturas consideradas prioritárias.

Aliados de Francischini atribuíram a falta de recursos a conflitos internos e decisões da direção partidária. Não há documentação pública suficiente, entretanto, para estabelecer como fato que o tratamento tenha sido resultado de perseguição pessoal. O que os números permitem afirmar é que sua campanha ocorreu sem a mesma força financeira de outras candidaturas competitivas.

Nesse cenário, Francischini precisou depender mais do próprio capital político, do reconhecimento acumulado ao longo da carreira e da capacidade de reativar um eleitorado que permanecia sem votar nele em uma eleição legislativa havia oito anos.

A mudança de lado que redesenhou a eleição paranaense

Outro elemento decisivo surgiu durante a formação das alianças estaduais. A família Francischini, que havia mantido proximidade com o grupo político do governador Ratinho Junior, decidiu migrar para o projeto liderado por Sergio Moro.

O movimento teve peso na reorganização da direita paranaense. Moro liderava as pesquisas para o governo, mas enfrentava uma ampla frente partidária articulada em torno da candidatura de Sandro Alex, escolhido pelo grupo governista para disputar a sucessão estadual.

A adesão dos Francischini fortaleceu uma aliança que aproximou PL, Podemos e Novo. Felipe Francischini, presidente estadual do Podemos, tornou-se peça importante nessa composição. Fernando e Flávia também caminharam com Moro, enquanto o Novo apresentou Deltan Dallagnol ao Senado.

A decisão tinha evidente componente ideológico. A família justificou o movimento pela intenção de permanecer em um projeto estadual identificado com a direita, o que também reunia nomes historicamente críticos ao PT e ao governo Lula.

Ao final da eleição, a aposta mostrou-se politicamente bem-sucedida.

Moro vence no primeiro turno

Sergio Moro derrotou seus adversários e conquistou o governo do Paraná ainda no primeiro turno, recebendo 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos.

Sandro Alex, candidato apoiado pelo grupo do governador Ratinho Junior, ficou em segundo lugar, enquanto Requião Filho terminou na terceira posição.

A vitória de Moro produziu uma mudança importante no comando político estadual e representou também uma derrota para o projeto de continuidade construído pelo grupo que administrava o Paraná.

Para os Francischini, significou algo além: o candidato em torno do qual decidiram reorganizar sua posição na eleição havia vencido.

Filipe Barros lidera o Senado e Deltan termina entre os dois mais votados

A mesma aliança obteve desempenho expressivo na disputa pelo Senado.

Filipe Barros, do PL, terminou como o candidato mais votado do Paraná, com 3.148.583 votos. Deltan Dallagnol, do Novo, apareceu logo atrás na totalização das urnas, com 2.904.594 votos.

O caso de Deltan, contudo, possui uma situação jurídica que precisa ser considerada. Na véspera da eleição, sua candidatura ao Senado teve o registro indeferido no TSE, decisão contra a qual sua defesa anunciou recurso. Por isso, embora a totalização das urnas o tenha colocado entre os dois nomes mais votados para as vagas disponíveis, a definição jurídica do mandato depende do desfecho dessa disputa.

O paralelismo político com Francischini é evidente. Ambos chegaram ao Congresso com votações expressivas, tiveram mandatos interrompidos por decisões da Justiça Eleitoral e transformaram seus respectivos casos em símbolos políticos para parte do eleitorado conservador.

Em 2026, estiveram novamente do mesmo lado da disputa paranaense.

Francischini volta à Câmara com 53.207 votos

No meio dessa reorganização, Fernando Francischini precisava resolver a própria eleição.

Recebeu 53.207 votos e garantiu uma cadeira na bancada do PL na Câmara dos Deputados.

O número está muito distante das votações que marcaram o auge de sua carreira. Em 2010, foram 130.522 votos. Em 2014, 159.569. Quatro anos depois, os históricos 427.749 votos para deputado estadual.

Uma comparação puramente numérica poderia sugerir perda expressiva de força eleitoral. O contexto, entretanto, produz interpretação mais complexa.

Em 2018, Francischini estava no auge político, exercia mandato federal e disputava dentro da onda eleitoral que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Em 2026, retornou depois de uma cassação, anos sem mandato, ausência das eleições de 2022 e uma campanha desenvolvida em condições muito diferentes das anteriores.

Por isso, os 53.207 votos têm peso político distinto.

Não representam o maior desempenho eleitoral da carreira de Francischini, mas garantiram aquilo que parecia mais difícil após 2021: a volta.

Felipe amplia a representação em Brasília

A vitória de Fernando foi acompanhada pela reeleição do filho.

Luis Felipe Bonatto Francischini, o Felipe Francischini, conquistou novo mandato de deputado federal pelo Podemos com aproximadamente 106,9 mil votos.

Advogado e parlamentar desde muito jovem, Felipe construiu carreira própria e assumiu protagonismo dentro do Podemos no Paraná. Sua atuação na articulação partidária também foi relevante para a formação da aliança estadual que apoiou Sergio Moro.

Pai e filho, portanto, ocuparão simultaneamente cadeiras na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027.

A configuração é politicamente significativa. Enquanto Fernando retorna depois de anos afastado, Felipe mantém a sequência de mandatos e amplia o espaço institucional da família em Brasília.

Flávia Francischini aumenta votação e permanece na Assembleia

Na Assembleia Legislativa, Flávia Francischini, atual esposa de Fernando, também venceu.

Candidata pelo PL, recebeu 63.826 votos e garantiu a reeleição. O resultado representou crescimento expressivo em relação aos 41.757 votos obtidos em 2022, quando conquistou pela primeira vez uma cadeira estadual.

Flávia passou de vereadora de Curitiba para deputada estadual e ganhou espaço dentro da estrutura da Assembleia, ampliando sua projeção política ao longo do primeiro mandato.

Sua reeleição completa mais uma parte da reconstrução de força do grupo.

Enquanto Fernando retorna à Câmara, Flávia permanece na Alep com votação maior do que a obtida quatro anos atrás.

Lu Bonatto estreia nas urnas e também é eleita

A eleição trouxe ainda uma situação pouco comum na política brasileira.

Luciane Bonatto, conhecida como Lu Bonatto, ex-esposa de Fernando Francischini e mãe de Felipe, também conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Advogada e gestora pública, Lu Bonatto disputou pelo Podemos e recebeu 39.737 votos, garantindo uma das três cadeiras conquistadas pelo partido na Alep.

Sua entrada na política eleitoral ocorreu depois de assumir espaço na organização partidária do Podemos no Paraná. O resultado confirmou que a influência eleitoral da família não estava restrita aos nomes que já exerciam mandato.

A partir de 2027, portanto, Fernando e Felipe estarão na Câmara dos Deputados, enquanto Flávia e Luciane ocuparão simultaneamente cadeiras na Assembleia Legislativa do Paraná.

São quatro integrantes do mesmo núcleo familiar com mandatos eletivos conquistados na mesma eleição.

Uma vitória que ultrapassou o próprio candidato

É nesse ponto que o resultado de Fernando Francischini ganha uma dimensão política maior.

Se analisada isoladamente, sua votação de 53 mil votos é muito inferior à registrada nas antigas eleições.

Se analisada dentro do ambiente político construído ao seu redor, a conclusão é outra.

Fernando foi eleito.

Felipe foi reeleito.

Flávia foi reeleita.

Lu Bonatto foi eleita pela primeira vez.

Moro, apoiado pela família, conquistou o governo estadual no primeiro turno.

Filipe Barros liderou a disputa para o Senado.

Deltan Dallagnol terminou entre os dois mais votados nas urnas, embora sua situação jurídica permaneça sob disputa.

Poucas eleições poderiam oferecer uma resposta política tão abrangente para um grupo que, alguns anos antes, havia visto seu principal líder perder o mandato no auge da carreira.

Quatro mandatos dentro da mesma família

O resultado também coloca a família Francischini em uma posição singular no cenário paranaense.

Fernando e Felipe terão mandato federal.

Flávia e Lu Bonatto terão mandato estadual.

A composição atravessa ainda dois partidos diferentes — PL e Podemos — e dois níveis do Legislativo.

Não significa que os quatro possuam necessariamente uma atuação política homogênea em todos os temas, mas evidencia a extensão do capital eleitoral acumulado em torno do sobrenome e das relações políticas formadas ao longo das últimas décadas.

Para Fernando, o simbolismo é ainda maior. Quando perdeu o mandato em 2021, havia dúvidas sobre sua capacidade de reconstruir a carreira. Cinco anos depois, não apenas voltou ao Parlamento como assistiu à eleição de três pessoas diretamente ligadas à sua história familiar.

O retorno ao Congresso recoloca segurança e corrupção no centro de sua agenda

A próxima legislatura também encontrará um cenário especialmente favorável aos temas que sempre estiveram no centro da atuação de Francischini.

O crescimento das organizações criminosas, o avanço das facções sobre atividades econômicas, o debate sobre fronteiras, tráfico de drogas, legislação penal e segurança pública deverão permanecer entre as principais questões discutidas pelo Congresso.

Francischini possui formação e experiência diretamente relacionadas a essas áreas e deverá buscar novamente protagonismo em comissões vinculadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado.

Outro eixo previsível será o combate à corrupção, bandeira presente em seus antigos mandatos e que o aproximou de personagens como Sergio Moro e Deltan Dallagnol durante a ascensão da Lava Jato.

Também é improvável que abandone a posição de enfrentamento político ao PT. Francischini construiu parte de sua trajetória parlamentar na oposição aos governos petistas e deverá retornar a Brasília como uma das vozes conservadoras da bancada paranaense.

A volta não apaga as controvérsias

Nenhuma análise jornalística consistente sobre Fernando Francischini pode ignorar as controvérsias que marcaram sua trajetória.

A cassação existiu e foi determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A decisão teve seus efeitos restabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal.

A atuação como secretário da Segurança Pública em 2015 também carrega o peso dos acontecimentos de 29 de abril.

Esses fatos fazem parte de sua história pública e continuarão sendo utilizados por adversários políticos.

Da mesma forma, seria incompleto reduzir décadas de carreira exclusivamente a esses episódios.

Francischini também construiu uma trajetória relevante na Polícia Federal, teve dois mandatos na Câmara, foi recordista de votos para a Assembleia Legislativa, participou diretamente dos debates nacionais sobre segurança pública, combate ao crime organizado e corrupção e ajudou a construir parte do movimento político conservador que ganharia força no país na década passada.

A eleição de 2026 acrescenta agora um novo capítulo.

Da consagração à queda — e da queda ao retorno

A sequência eleitoral de Francischini ajuda a entender a dimensão dessa história.

Em 2010, recebeu 130.522 votos e foi eleito deputado federal.

Em 2014, conquistou 159.569 votos e garantiu o segundo mandato.

Em 2018, alcançou 427.749 votos e tornou-se o deputado estadual mais votado do Paraná.

Em 2021, teve o mandato cassado.

Em 2022, não disputou as eleições gerais.

Em 2026, recebeu 53.207 votos e voltou à Câmara dos Deputados.

Há uma diferença de mais de 374 mil votos entre a consagração de 2018 e o retorno de 2026.

Ainda assim, talvez nunca Francischini tenha precisado superar tantas dificuldades para conquistar um mandato.

Essa é a contradição que torna a eleição politicamente interessante: sua menor votação vitoriosa pode ter produzido uma das maiores vitórias simbólicas de sua carreira.

Uma eleição de reconstrução

Fernando Francischini não retorna a Brasília como o fenômeno eleitoral de 2018. Seria exagerado afirmar isso diante dos próprios números.

Retorna em outra condição.

Volta como um político que sofreu a maior derrota de sua carreira, passou anos afastado das urnas, perdeu protagonismo e precisou testar novamente sua capacidade eleitoral em um ambiente muito diferente daquele que o consagrou.

Passou no teste.

E a vitória tornou-se ainda mais expressiva porque não ocorreu isoladamente.

Seu filho continua em Brasília.

Sua esposa permanece na Assembleia.

Sua ex-esposa estreia na Alep.

O candidato a governador apoiado pelo grupo venceu no primeiro turno.

O candidato do PL ao Senado liderou a votação.

E o candidato do Novo apoiado pela aliança obteve quase 3 milhões de votos, ainda que permaneça sob discussão judicial.

Para um político que chegou às eleições de 2026 tentando provar que ainda havia espaço para seu nome, o resultado dificilmente poderia oferecer uma resposta mais abrangente.

A trajetória de Fernando Francischini já passou pela ascensão, pela consagração, pela controvérsia, pela cassação e pelo afastamento.

Agora passa pela reconstrução.

Se os quase 428 mil votos de 2018 mostraram o tamanho de sua força eleitoral naquele momento, os 53.207 de 2026 demonstram outra característica essencial para quem vive da política: a capacidade de sobreviver à queda, reorganizar forças e encontrar o caminho de volta.

O próximo capítulo será escrito novamente em Brasília.


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