Espanha terá eleição antecipada em 29 de novembro; protestos terminam em confrontos em Barcelona
Pedro Sánchez dissolve o Parlamento após derrota de medidas habitacionais; manifestação contra a crise de moradia registra barricadas, prisões e policiais feridos.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou a convocação de eleições gerais antecipadas para 29 de novembro. A decisão, comunicada nesta segunda-feira (5), antecipa em oito meses a votação e ocorre após o governo sofrer uma derrota no Parlamento em medidas destinadas a enfrentar a crise habitacional do país.
Sánchez informou que convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para dissolver as Cortes Gerais. Em pronunciamento oficial, afirmou que busca renovar e ampliar o apoio parlamentar ao governo. A convocação será formalizada no Diário Oficial espanhol, seguindo os prazos previstos na legislação.
Crise habitacional pressiona governo
O pacote rejeitado pelo Parlamento previa medidas como a suspensão de despejos de famílias vulneráveis até 2030, a prorrogação do congelamento de aluguéis por dois anos e restrições adicionais às locações de curta duração. A proposta foi derrotada por 178 votos em uma Câmara com 350 integrantes.
A dificuldade de acesso à moradia tornou-se um dos principais temas políticos da Espanha. O governo de coalizão liderado pelo Partido Socialista governa sem maioria estável e enfrenta dificuldades para aprovar o Orçamento e projetos prioritários. Pesquisas recentes indicam vantagem do Partido Popular, que poderá depender do apoio do Vox para formar maioria.
Manifestação termina em confrontos
Horas depois do anúncio eleitoral, milhares de pessoas participaram de uma manifestação convocada por sindicatos de inquilinos em Barcelona. O ato começou de forma pacífica, mas terminou com barricadas, contêineres incendiados, lançamento de objetos e confrontos entre grupos de manifestantes e a polícia.
Segundo a imprensa espanhola, ao menos 13 pessoas foram detidas e 28 agentes ficaram levemente feridos. As estimativas sobre o público variaram entre 20 mil, segundo autoridades, e 120 mil, conforme os organizadores. Os manifestantes cobram medidas contra despejos, alta dos aluguéis e dificuldade de acesso à moradia.
Disputa definirá rumo do governo espanhol
A votação colocará Sánchez diante do líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, e do presidente do Vox, Santiago Abascal. Feijóo defende ampliar a construção de moradias e reduzir impostos. Já Sánchez pretende transformar a política habitacional no centro da campanha e tentar recompor uma maioria de centro-esquerda.
A eleição também terá impacto sobre o equilíbrio político europeu. Uma eventual maioria formada por Partido Popular e Vox levaria a direita nacionalista ao governo central espanhol pela primeira vez desde a redemocratização iniciada após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.
Fontes: Governo da Espanha, Reuters e Associated Press.
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