Além dos favoritos: quem são os candidatos à Presidência e ao Governo do Paraná que quase não aparecem na mídia
Brasil terá 13 candidaturas presidenciais e Paraná oito nomes na disputa pelo Palácio Iguaçu; regras para debates e distribuição do horário eleitoral ajudam a explicar por que parte dos concorrentes permanece desconhecida de grande parcela dos eleitores

BRASIL/PARANÁ, 31 de agosto de 2026 — Quando o brasileiro acompanha a cobertura das eleições presidenciais, alguns nomes aparecem quase diariamente. Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema concentram grande parte das pesquisas, entrevistas, debates e notícias sobre a disputa pelo Palácio do Planalto.
No Paraná acontece algo semelhante. Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho dominam boa parte da cobertura relacionada à sucessão estadual.
Mas eles não estão sozinhos nas urnas.
A eleição presidencial de 2026 possui 13 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Já a disputa pelo Governo do Paraná reúne oito chapas.
Isso significa que milhões de eleitores poderão chegar ao primeiro turno, em 4 de outubro, conhecendo pouco — ou praticamente nada — sobre vários candidatos que também terão seus nomes apresentados na urna eletrônica.
E há uma explicação que vai além das escolhas editoriais dos veículos de comunicação.
Regras eleitorais também influenciam quem aparece mais
A legislação brasileira não estabelece exposição igualitária de todos os candidatos nos debates de rádio e televisão.
As emissoras são obrigadas a assegurar participação nos debates aos candidatos cujos partidos tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional.
A participação dos demais é facultativa.
Ou seja: uma emissora pode convidá-los, mas não é obrigada.
O horário eleitoral gratuito também é distribuído principalmente de acordo com a representação dos partidos na Câmara dos Deputados.
Na eleição presidencial deste ano, apenas quatro forças políticas receberam espaço nos programas eleitorais em bloco.
A coligação que apoia Lula possui 5 minutos e 31 segundos.
O PL, de Flávio Bolsonaro, tem 4 minutos e 20 segundos.
O PSD, de Ronaldo Caiado, ficou com 2 minutos e 2 segundos.
O Avante, de Augusto Cury, tem 35 segundos.
As demais candidaturas presidenciais não possuem participação nos tradicionais blocos eleitorais.
Isso ajuda a criar uma diferença enorme de exposição.
Enquanto alguns candidatos aparecem diariamente na televisão, outros dependem essencialmente de redes sociais, entrevistas concedidas voluntariamente por veículos, viagens de campanha e mobilização partidária.
Mas quem são esses candidatos menos conhecidos?
Clariana Barão: a advogada que disputa sua primeira eleição
Clariana Barão é candidata à Presidência pelo Democracia Cristã.
Advogada e presidente do diretório estadual do DC em Mato Grosso, ela disputa uma eleição pela primeira vez e forma uma chapa exclusivamente feminina com a também advogada Fabiana Torquato.
Seu programa combina propostas conservadoras em algumas áreas sociais com medidas voltadas à modernização do Estado.
Entre seus principais eixos estão proteção de mulheres e crianças, alfabetização, valorização dos professores, apoio aos pequenos negócios e responsabilidade fiscal.
Na segurança pública, defende maior utilização da inteligência nas fronteiras e medidas destinadas a atingir financeiramente as organizações criminosas.
Na saúde, propõe ampliar telemedicina e utilização de inteligência artificial.
Apesar de disputar a Presidência, Clariana ainda é pouco conhecida nacionalmente e possui presença muito inferior à dos principais candidatos na televisão.
Edmilson Costa: economista e dirigente histórico do PCB
Outro nome que dificilmente aparece na cobertura diária é Edmilson Costa, candidato do Partido Comunista Brasileiro.
Maranhense, professor, economista e doutor pela Unicamp, Edmilson é secretário-geral do PCB e possui décadas de militância política.
Já disputou a Prefeitura de São Paulo em 2008 e foi candidato a vice-presidente em 2010.
Seu programa apresenta uma das propostas ideologicamente mais à esquerda da eleição.
O PCB defende uma transição socialista, nacionalização do sistema financeiro, suspensão do pagamento da dívida pública e reversão de privatizações e reformas econômicas realizadas nos últimos anos.
Na área trabalhista, Edmilson defende o fim da escala 6×1 e jornada semanal de 30 horas.
Também propõe transporte público gratuito e ampliação da presença estatal em saúde e educação.
Mesmo com longa trajetória política, permanece desconhecido de grande parcela do eleitorado.
Hertz Dias: professor, rapper e militante do movimento negro
Hertz Dias é o candidato presidencial do PSTU.
Professor de História da rede pública do Maranhão, também atua como rapper e militante dos movimentos negro, sindical e popular.
Possui experiência eleitoral maior que outros candidatos de pequenos partidos.
Já disputou o Governo do Maranhão, a Prefeitura de São Luís e foi candidato a vice-presidente em 2018.
Hertz concorre neste ano ao lado da professora Vanessa Portugal.
O PSTU apresenta um programa socialista e defende estatização de bancos, grandes empresas e setores estratégicos da economia.
Entre suas propostas estão o fim da escala 6×1, redução da jornada semanal para 36 horas, aumento de 100% no salário mínimo e tarifa zero no transporte público.
Rui Costa Pimenta chega à quarta disputa presidencial
Talvez seja um dos casos mais curiosos.
Rui Costa Pimenta já disputou a Presidência três vezes e volta às urnas em 2026, mas continua sendo desconhecido por grande parcela dos brasileiros.
Jornalista, sindicalista e fundador do Partido da Causa Operária, Rui preside o PCO desde a década de 1990.
Também participou da fundação do PT e da Central Única dos Trabalhadores antes da criação do próprio partido.
Seu programa defende uma ruptura socialista com o modelo econômico atual.
Entre as propostas apresentadas estão nacionalização do sistema financeiro, reversão das privatizações, imposto sobre grandes fortunas e suspensão do pagamento da dívida pública.
O PCO também propõe salário mínimo de R$ 7.500 e jornada semanal de 35 horas.
Samara Martins: dentista do SUS e única mulher negra na disputa
Samara Martins representa a Unidade Popular.
Mineira, cirurgiã-dentista do Sistema Único de Saúde e militante dos movimentos negro e de mulheres, ela já participou de uma eleição presidencial.
Em 2022, foi candidata a vice-presidente na chapa liderada por Leonardo Péricles.
Agora ocupa a cabeça da chapa ao lado de Raquel Brício.
Samara é a única mulher negra concorrendo à Presidência neste ano.
Seu programa coloca como prioridades a valorização dos trabalhadores, o fim da escala 6×1 e um aumento de 100% no salário mínimo.
A UP também defende estatização de bancos e empresas privatizadas e maior controle estatal sobre recursos considerados estratégicos.
Na área social, Samara enfatiza combate à violência contra mulheres e defesa de políticas voltadas à população negra e às periferias.
Apesar disso, aparece pouco nos grandes espaços de televisão.
Wilson Grassi: veterinário leva causa animal à disputa presidencial
Wilson Grassi é candidato pelo Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira.
Veterinário, empresário e defensor da causa animal, Grassi nunca ocupou mandato eletivo, embora já tenha disputado eleições para deputado estadual e federal.
Um de seus principais trabalhos públicos está relacionado à implantação de hospitais veterinários para cães e gatos.
Na campanha presidencial, propõe uma reforma tributária baseada na criação de um Imposto Único Federal sobre movimentações financeiras.
Também defende integração entre saúde humana, animal e ambiental por meio do conceito de “Saúde Única”.
Na habitação, apresenta uma proposta que permitiria transformar pagamentos de aluguel em instrumento de acesso ao financiamento da casa própria.
Nesta segunda-feira, uma decisão cautelar do TSE suspendeu temporariamente sua propaganda digital, participação em debates e acesso ao fundo eleitoral por questionamentos relacionados à declaração de perfis utilizados nas redes sociais. A questão ainda está submetida à Justiça Eleitoral.
Paraná também tem candidatos quase desconhecidos
A diferença de exposição é ainda mais evidente na eleição para governador do Paraná.
Oito chapas disputam o Palácio Iguaçu.
Mas quem acompanha televisão, grandes portais e pesquisas provavelmente conhece principalmente Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho.
Os outros cinco candidatos aparecem com frequência muito menor.
Existe também uma razão estrutural.
No horário eleitoral gratuito para governador do Paraná, os blocos são divididos apenas entre três coligações: Fortaleza Paraná, que apoia Sergio Moro; A Mudança Continua, de Sandro Alex; e Paraná para Todos, de Requião Filho.
Os candidatos de partidos menores ficam, portanto, sem a mesma vitrine diária proporcionada pelos blocos eleitorais de rádio e televisão.
Adriano Funileiro: trabalhador disputa o Palácio Iguaçu pelo PCO
Adriano Teixeira, conhecido como Adriano Funileiro, é candidato ao Governo do Paraná pelo Partido da Causa Operária.
Natural de Nova Olímpia, trabalha como mecânico funileiro e é ligado aos Comitês de Luta do partido.
Sua candidatura apresenta uma plataforma socialista baseada na defesa de um governo formado a partir dos interesses dos trabalhadores urbanos e rurais.
É um perfil bastante diferente daquele encontrado normalmente entre candidatos aos governos estaduais, onde predominam parlamentares, empresários, advogados ou administradores públicos.
Mesmo assim, Adriano possui exposição extremamente reduzida na campanha estadual.
Alexandre Salomão: advogado criminalista faz primeira disputa eleitoral
Alexandre Salomão concorre pelo Mobiliza.
Curitibano, tem 55 anos, é advogado criminalista e já presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná.
Esta é sua primeira disputa eleitoral.
Durante entrevistas concedidas na campanha, Salomão tem apresentado propostas sobre educação, segurança pública, economia e infraestrutura.
Por representar um partido com estrutura menor e não integrar nenhuma das três grandes coligações estaduais, enfrenta dificuldade muito maior para alcançar o eleitorado.
Luiz França: advogado de 32 anos representa o novo partido Missão
Luiz França é candidato pelo Missão, partido criado a partir do Movimento Brasil Livre.
Natural de Cianorte, tem 32 anos e é advogado.
É sua primeira candidatura.
França trabalhou durante aproximadamente sete anos na advocacia e posteriormente atuou como assessor parlamentar em Curitiba.
Sua candidatura estadual faz parte da estratégia nacional do Missão, que tenta construir uma nova estrutura partidária em sua primeira eleição.
Entre suas propostas está a redução do tamanho da máquina pública como condição para diminuir impostos.
Na segurança, defende fortalecimento da inteligência para enfrentar organizações criminosas.
Seu candidato a vice é João Adolfo.
Samuel de Mattos: professor e ex-carteiro volta às urnas
Samuel de Mattos é candidato do PSTU.
Professor de Matemática, trabalhou durante anos nos Correios e possui atuação sindical.
Ao contrário de alguns dos outros nomes menos conhecidos, Samuel já possui experiência eleitoral.
Foi candidato a vice-prefeito de Curitiba em 2020, concorreu a deputado federal em 2022 e disputou a Prefeitura de Curitiba em 2024.
Agora tenta chegar ao Governo do Estado.
Sua candidatura apresenta uma plataforma ligada às bandeiras tradicionais do PSTU, com defesa dos trabalhadores, fortalecimento dos serviços públicos e críticas ao modelo econômico vigente.
Helena Figueiredo completa a chapa como candidata a vice.
Tayná Miessa: aos 30 anos, disputa sua primeira eleição
Tayná Miessa é a candidata mais jovem entre os nomes menos conhecidos na corrida estadual.
Aos 30 anos, concorre pela Unidade Popular.
Formada em Produção Cultural pela Universidade Federal do Paraná, mora na região Sul de Curitiba e atua em movimentos sociais.
É coordenadora nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario e participa da organização da Casa de Referência para Mulher Enedina Marques, iniciativa voltada ao acolhimento de mulheres em situação de violência.
Esta é sua primeira eleição.
A candidatura coloca entre seus principais eixos a defesa dos serviços públicos, dos trabalhadores, das mulheres e das populações mais pobres.
Willian Araki é o candidato a vice.
Estar pouco na mídia não significa não estar na eleição
A eleição presidencial possui 13 candidaturas.
A disputa pelo Governo do Paraná tem oito.
Todos esses candidatos fazem parte formalmente do processo eleitoral enquanto suas candidaturas estiverem aptas perante a Justiça Eleitoral.
Mas a capacidade de chegar ao eleitor é profundamente diferente.
Grandes partidos possuem estruturas nacionais, recursos financeiros, parlamentares, alianças regionais e minutos de televisão.
Partidos pequenos frequentemente precisam construir praticamente toda sua campanha pelas redes sociais e atividades de rua.
Os critérios utilizados para debates e propaganda gratuita ampliam essa diferença.
Na eleição presidencial, apenas quatro grupos políticos receberam tempo nos programas em bloco.
No Paraná, somente as três grandes coligações estaduais aparecem nos blocos destinados aos candidatos a governador.
Eleitor terá mais opções na urna do que costuma ver na televisão
Essa talvez seja a principal informação para quem acompanha a campanha apenas pelos grandes meios de comunicação.
A urna apresentará muito mais nomes do que aqueles vistos diariamente nas pesquisas, telejornais e debates.
Na corrida presidencial, candidatos como Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi também disputam o voto dos brasileiros.
No Paraná, Adriano Funileiro, Alexandre Salomão, Luiz França, Samuel de Mattos e Tayná Miessa também estarão na disputa contra Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho.
Eles representam propostas bastante diferentes entre si — da direita conservadora à esquerda socialista — e mostram que a eleição de 2026 possui um espectro político muito mais amplo do que aquele normalmente percebido na disputa entre os candidatos que lideram pesquisas.
Conhecer todos os nomes não significa concordar com eles.
Significa apenas exercer algo essencial antes de escolher quem receberá o voto: saber exatamente quem está concorrendo.
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