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Augusto Cury encerra sabatinas da Globo com aposta em inteligência artificial, Estado enxuto e taxação das bets

Candidato do Avante afirmou que o mundo passará por profunda transformação tecnológica nos próximos cinco anos e defendeu preparar o Brasil para os efeitos da IA sobre empregos, economia e administração pública

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RIO DE JANEIRO (RJ) – O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) encerrou na noite deste sábado (29) a série de entrevistas da TV Globo com os presidenciáveis colocando a inteligência artificial, a modernização do Estado e os impactos das novas tecnologias entre os temas centrais de sua apresentação ao eleitor.

Entrevistado por Renata Vasconcellos e César Tralli nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, o médico psiquiatra e escritor também falou sobre apostas on-line, estrutura administrativa, empreendedorismo e os desafios que, na avaliação dele, serão provocados pela automação no mercado de trabalho.

Cury foi o sexto e último candidato entrevistado pela emissora durante a semana.

Antes dele passaram pela sabatina Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Cury diz que mundo vai mudar profundamente em cinco anos

Um dos momentos que sintetizaram a participação do candidato ocorreu quando ele alertou para a velocidade das transformações provocadas pela inteligência artificial.

Cury afirmou que o mundo deverá passar por mudanças profundas nos próximos cinco anos e defendeu que o Brasil deixe de enxergar a IA apenas como uma ferramenta tecnológica e passe a tratá-la como questão estratégica de Estado.

A preocupação do candidato está especialmente relacionada ao mercado de trabalho.

Na avaliação dele, diversas atividades atualmente executadas por pessoas poderão ser automatizadas, enquanto novas profissões deverão surgir.

Por isso, Cury defende preparação e requalificação profissional em larga escala.

O candidato já propõe inclusive a criação de uma estrutura ministerial dedicada à inteligência artificial e à robótica para coordenar políticas relacionadas à transformação tecnológica e ao aumento da produtividade.

Inteligência artificial como política de Estado

Ao tratar de IA, Cury apresentou uma visão que vai além da informatização dos serviços públicos.

Ele defende o uso da tecnologia em áreas como saúde, segurança, educação, produção industrial, monitoramento ambiental e administração governamental.

Na saúde, seu programa prevê expansão da telemedicina e utilização de inteligência artificial para ampliar o acesso a diagnósticos e tratamentos.

Na segurança pública, a proposta inclui integração de bancos de dados e utilização de tecnologias como drones, câmeras inteligentes, leitura automática de placas e ferramentas de reconhecimento.

Na área ambiental, Cury propõe empregar satélites, sensores, drones e inteligência artificial para monitorar florestas e prevenir incêndios.

O candidato também relaciona a tecnologia à necessidade de aumentar a produtividade brasileira.

Bets entram no centro da entrevista

Outro tema que ganhou destaque durante a sabatina foram as plataformas de apostas on-line.

Cury voltou a defender tributação elevada das chamadas bets, argumentando que esse tipo de atividade pode provocar dependência.

A lógica defendida pelo presidenciável é semelhante à utilizada por ele em relação às grandes plataformas digitais: atividades capazes de gerar dependência e danos sociais deveriam contribuir proporcionalmente mais por meio de tributação.

O candidato vem relacionando o crescimento das apostas a impactos financeiros e psicológicos sobre famílias brasileiras.

Ele também defende tributação maior das grandes empresas de tecnologia, especialmente quando houver relação entre os produtos oferecidos pelas plataformas e problemas de saúde mental.

Saúde mental diferencia discurso do candidato

A trajetória profissional de Augusto Cury apareceu novamente como elemento central de sua candidatura.

Psiquiatra, escritor e palestrante, ele transformou temas ligados à saúde emocional em uma das principais marcas de seu programa presidencial.

Cury argumenta que ansiedade, depressão, dependência digital, exposição excessiva às telas e deterioração das relações humanas não podem ser tratados apenas como questões individuais.

Para ele, o Estado deverá desenvolver políticas públicas de prevenção, especialmente para crianças e adolescentes.

Seu programa propõe também mudanças na educação, incluindo conteúdos relacionados à gestão das emoções, educação financeira e empreendedorismo.

Estado menor e administração mais tecnológica

Cury também defende uma profunda reorganização da estrutura do governo federal.

Durante a campanha, o candidato vem propondo reduzir drasticamente o número de ministérios, chegando a trabalhar com uma estrutura de aproximadamente nove pastas.

A proposta parte da ideia de que digitalização, inteligência artificial e reorganização administrativa poderiam permitir uma estrutura federal mais enxuta.

Ao mesmo tempo, algumas áreas consideradas estratégicas ganhariam estruturas próprias.

Entre elas estão segurança pública e inteligência artificial.

A redução da Esplanada, porém, exigiria reorganização de competências atualmente distribuídas entre dezenas de ministérios e dependeria de decisões administrativas, alterações legais e negociação com o Congresso Nacional.

Cury aposta no empreendedorismo diante da automação

A preocupação com os empregos que poderão desaparecer com o avanço da inteligência artificial levou Cury a colocar também o empreendedorismo entre suas principais bandeiras.

O candidato propõe estimular milhões de novos pequenos negócios e ampliar o acesso a crédito com juros reduzidos para microempreendedores.

Seu programa também prevê a criação de milhares de clubes de empreendedorismo em escolas, universidades, igrejas e outras instituições.

A estratégia seria preparar jovens e trabalhadores para uma economia em que carreiras tradicionais poderão perder espaço rapidamente.

Cury argumenta que o Brasil precisa antecipar essa transformação, em vez de reagir somente quando postos de trabalho começarem a desaparecer.

Um candidato que tenta fugir da polarização

Cury também procura construir sua candidatura fora do confronto direto entre Lula e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a campanha, ele tem evitado se classificar exclusivamente como candidato de direita ou de esquerda.

Sua definição recorrente é a de possuir uma visão econômica liberal combinada com preocupação social.

O discurso busca conquistar principalmente eleitores insatisfeitos com a polarização política.

Esse posicionamento também apareceu em suas participações anteriores em debates e entrevistas.

Experiência fora da política é desafio e argumento

A eleição de 2026 é a primeira disputa eleitoral de Augusto Cury.

A ausência de experiência em cargos públicos é um dos pontos naturalmente explorados quando o candidato é questionado sobre capacidade de administrar o governo federal.

Cury responde utilizando sua experiência como empresário, escritor, médico e gestor de projetos.

A candidatura tenta transformar justamente a ausência de trajetória partidária tradicional em um diferencial.

Por outro lado, administrar a União envolve articulação com Congresso, governadores, partidos, Judiciário e milhares de estruturas administrativas, o que coloca a capacidade política entre os principais testes de sua candidatura.

Exposição nacional pode ampliar conhecimento do candidato

A entrevista deste sábado representa uma das maiores vitrines nacionais recebidas por Cury desde o início da campanha.

O candidato ainda aparece distante dos líderes Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, mas passou a receber maior atenção após sua participação no primeiro debate presidencial e nas sabatinas realizadas nos últimos dias.

A estratégia agora será transformar visibilidade em intenção de voto.

Cury procura fazer isso associando seu nome a três temas: saúde emocional, empreendedorismo e preparação para a revolução tecnológica.

Sabatina encerra uma semana decisiva da campanha

A participação de Augusto Cury encerrou a sequência de seis entrevistas da Globo com os candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest utilizada como critério pela emissora.

Cada candidato teve uma oportunidade individual para apresentar propostas e responder a questionamentos dos jornalistas.

Com o fim da rodada, a campanha presidencial entra em uma nova fase.

A propaganda eleitoral gratuita já começou, os candidatos intensificam viagens pelo país e novos debates estão previstos para setembro.

Para Augusto Cury, a entrevista deste sábado serviu principalmente para colocar diante de uma audiência nacional a tese que pretende transformar em eixo de sua candidatura: o próximo presidente não poderá administrar o Brasil apenas olhando para os problemas atuais, mas precisará preparar o país para mudanças econômicas, tecnológicas e sociais que, segundo ele, acontecerão em velocidade inédita.

A inteligência artificial foi o símbolo escolhido para representar essa visão de futuro.

Resta agora saber se essa mensagem conseguirá romper a polarização e transformar reconhecimento como escritor em força eleitoral suficiente para alterar o cenário da corrida presidencial.


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