Dino retira sigilo de 5 mil páginas do caso ‘Dark Horse’ e manda material para a PF
Decisão deste domingo amplia a publicidade da investigação sobre suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares ligadas à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro e transfere à Polícia Federal celulares, computadores e documentos apreendidos.

BRASÍLIA (DF) — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) a retirada do sigilo de material produzido pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida abre para consulta cerca de 5 mil páginas e amplia o alcance de uma apuração que já envolve suspeitas sobre a destinação de recursos públicos.
Foto: Victor Piemonte/STF — imagem de arquivo.
Material passa para a Polícia Federal
Além de levantar o sigilo, Dino determinou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material bruto extraído de celulares dos investigados, inclusive aparelhos cuja perícia ainda não tenha sido concluída. Computadores, documentos e demais itens apreendidos também deverão ficar sob custódia da PF.
A investigação paulista apura contratos e movimentações envolvendo entidades ligadas à produção do filme. Parte dos fatos passou a ser analisada no Supremo após a identificação de possíveis conexões com emendas parlamentares e com agentes detentores de foro por prerrogativa de função.
Suspeitas envolvem emendas e contratos públicos
O caso ganhou dimensão nacional após operações e decisões judiciais que passaram a examinar se verbas públicas, incluindo emendas parlamentares, foram direcionadas irregularmente a entidades relacionadas à produção audiovisual. Entre os nomes citados nas apurações está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que nega irregularidades.
As investigações estão em andamento e as suspeitas ainda dependem de comprovação. A abertura do material não significa condenação dos investigados, mas aumenta a transparência sobre documentos que poderão orientar novas diligências da Polícia Federal.
Nova frente em meio à crise no Supremo
A decisão ocorre em um momento de forte exposição pública do STF, que nos últimos dias passou a enfrentar sucessivas disputas internas sobre sigilo, competência e condução de investigações sensíveis. O caso Dark Horse é uma das frentes que passaram a ser acompanhadas de perto por envolver recursos públicos, personagens políticos e fatos com repercussão eleitoral.
Com a transferência dos documentos e dispositivos à PF, a tendência é que a investigação avance para cruzamentos financeiros, perícias digitais e análise da origem e do destino dos recursos sob suspeita.
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