Estudo da UFPR associa desmatamento na Amazônia à redução de chuva na Bacia do Iguaçu
Pesquisa analisou dados de 2011 a 2023 e encontrou correlação negativa significativa entre avanço do desmatamento amazônico e volumes de chuva na Bacia do Rio Iguaçu, no Paraná.

Pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Paraná encontrou associação estatística entre o avanço do desmatamento na Amazônia e a redução dos volumes de chuva na Bacia do Rio Iguaçu.
PARANÁ, 8 de setembro de 2026 — Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aponta uma relação significativa entre o desmatamento amazônico e a precipitação registrada na Bacia Hidrográfica do Iguaçu, no Paraná.
A pesquisa analisou o período de 2011 a 2023 e utilizou dados de desmatamento e informações pluviométricas de 64 estações operadas por órgãos como INMET, Copel e Instituto Água e Terra.
Correlação negativa foi estatisticamente significativa
Os pesquisadores encontraram uma correlação negativa entre o avanço do desmatamento e os volumes de chuva na bacia. O coeficiente calculado foi de -0,285, com significância estatística inferior a 0,001.
Na prática, o resultado indica que, dentro do período analisado, anos com maior desmatamento estiveram associados a menores volumes de precipitação na região estudada.
O trabalho, entretanto, não afirma que uma única variável explique sozinha as mudanças na chuva. O clima do Sul do Brasil é influenciado por diferentes fenômenos atmosféricos e oceânicos.
Umidade amazônica chega ao Sul
A Amazônia exerce papel importante no ciclo hidrológico da América do Sul. Grandes volumes de vapor d’água são transportados pela atmosfera em direção a outras regiões do continente por sistemas conhecidos como jatos de baixos níveis.
Esse transporte de umidade ajuda a conectar a floresta amazônica ao regime de chuvas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.
Bacia do Iguaçu é estratégica para o Paraná
A Bacia do Rio Iguaçu atravessa parte expressiva do território paranaense e está ligada ao abastecimento, produção de energia, agricultura, indústria e conservação ambiental.
Alterações persistentes no regime de precipitação podem produzir efeitos sobre reservatórios, rios, produção agrícola e disponibilidade de água.
Pesquisa amplia discussão sobre impactos fora da Amazônia
O estudo reforça uma discussão que vai além da preservação da floresta em seu próprio território. A perda de vegetação amazônica pode estar relacionada a mudanças hidrológicas percebidas a milhares de quilômetros de distância.
Os autores destacam a importância de ampliar séries históricas, integrar novos dados climáticos e aprofundar a compreensão sobre os mecanismos que conectam mudanças no uso do solo às chuvas no Sul do Brasil.
Foto: Marco Aurelio Jacob/AEN-PR.
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