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EUA Preparam Nova Onda de Tarifas Comerciais Contra 60 Países; Brasil Pode Ser Taxado em Até 12,5%

Em entrevista, representante de Comércio da Casa Branca confirma avanço de investigações sobre trabalho forçado. Medida amplia tensão no mercado global e acende alerta para exportadores brasileiros.

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O cenário do comércio internacional ganha contornos ainda mais complexos nesta semana. O governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, prepara o anúncio de um novo pacote de tarifas alfandegárias direcionado a cerca de 60 países. A confirmação veio diretamente do representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, em declaração prestada nesta terça-feira (21).

As novas sobretaxas, que devem oscilar entre 10% e 12,5%, têm como finalidade substituir as alíquotas provisórias de 10% que haviam sido adotadas no ano passado, após decisões da Suprema Corte americana que alteraram a estrutura fiscal de importação do país.

O Brasil está entre os alvos prioritários da apuração e pode ser enquadrado na alíquota teto da nova medida, sofrendo uma taxação de 12,5%.

O argumento de Washington: trabalho forçado na mira

A justificativa técnica apresentada pela Casa Branca está fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo declarações de Greer, o foco central das novas sanções é o combate ao uso de trabalho forçado em cadeias de suprimentos globais.

“Os Estados Unidos possuem legislação rigorosa que impede a entrada e o comércio de mercadorias produzidas por meio de trabalho forçado. A grande maioria das nações não dispõe de regramentos equivalentes ou deixa de aplicar com efetividade as normas que possui”, sustentou o representante comercial americano.

Além da frente voltada ao trabalho forçado, Washington mantém aberta uma segunda frente de investigação focada no excesso de capacidade industrial. Esse outro processo atinge blocos e potências econômicas como a União Europeia, China, Japão, Índia, México e Coreia do Sul.

Acúmulo de barreiras e o impacto para o Brasil

Esta nova investida amplia o cerco comercial que vem sendo construído pelos Estados Unidos nas últimas semanas. Recentemente, o governo americano já havia oficializado uma alíquota de 25% sobre uma extensa lista de itens brasileiros — embora tenha preservado de forma estratégica setores chave da pauta exportadora do país, como café, carne bovina, petróleo, suco de laranja e aeronaves. O Canadá também foi alvo de duras sanções, com tarifas fixadas em 50%.

Para o setor produtivo brasileiro, o anúncio de um eventual adicional de 12,5% reforça a necessidade de busca por mercados alternativos e intensifica a diplomacia comercial junto às autoridades em Washington.

Custo de vida nos EUA e pressão política interna

Apesar da postura inflexível de Trump na agenda protecionista, assessores econômicos e analistas de mercado nos Estados Unidos recomendam cautela. O avanço das tarifas ocorre em um momento de pressão inflacionária interna, potencializada pela alta dos combustíveis — com o galão da gasolina ultrapassando a barreira dos US$ 4 nos postos americanos —, em meio ao acirramento de tensões no Oriente Médio.

Pesquisas recentes de opinião pública no mercado norte-americano revelam que mais de dois terços dos eleitores desaprovam a condução do governo federal em relação ao custo de vida. Com a proximidade das eleições de meio de mandato (midterms), a insatisfação popular quanto ao poder de compra pode impor limites práticos à amplitude do “tarifaço” promovido pela Casa Branca.

O portal Conexão Geral segue acompanhando os desdobramentos dessa decisão e seus impactos diretos na economia nacional.

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