Forças do governo do Iêmen retomam áreas estratégicas do estreito de Bab el-Mandeb
Forças governistas avançam na costa do Iêmen; houthis respondem com ataques a aeroportos sauditas em Jizan e Najran, deixando três feridos.

Avanço apoiado pela Arábia Saudita alcançou a costa e a cidade de Mocha; houthis contestam a extensão das perdas e mantêm pressão sobre Taiz.
DO PORTAL CONEXÃO GERAL
Forças ligadas ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmaram ter retomado nesta segunda-feira (5) áreas estratégicas da costa do Mar Vermelho, próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, que haviam sido ocupadas pelos houthis no mês passado. Em novo desdobramento confirmado nesta terça-feira (6), autoridades sauditas informaram que ataques atribuídos aos houthis atingiram os aeroportos de Jizan e Najran, no sul da Arábia Saudita, deixando três pessoas feridas e provocando danos limitados às instalações. O grupo iemenita reivindicou as ações em resposta à ofensiva apoiada por Riad.
O avanço ocorreu durante a operação “Amanhecer do Iêmen”, lançada com apoio de ataques aéreos da Arábia Saudita. O Ministério da Defesa iemenita declarou que as tropas governamentais alcançaram Mocha e recuperaram posições no distrito de Dhubab, na entrada do estreito.
A movimentação foi confirmada por fontes governamentais ouvidas pela Reuters e por autoridades citadas pela Associated Press. A extensão territorial da retomada, porém, ainda não pôde ser verificada de forma independente. Os houthis negam que tenham sofrido as perdas anunciadas.
Passagem é vital para o comércio mundial
Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma das principais rotas de comércio e transporte de petróleo do planeta. Navios que cruzam o estreito seguem em direção ao Canal de Suez, ligação marítima entre a Ásia, a Europa e o Mediterrâneo.
A retomada das posições pode reduzir o controle territorial dos houthis sobre a passagem, mas não elimina o risco para a navegação. O grupo ainda dispõe de drones e mísseis capazes de alcançar embarcações e infraestrutura regional a partir de outras áreas sob seu domínio.
As tensões no estreito se somam à instabilidade no Golfo e às dificuldades enfrentadas pelo transporte de petróleo, cenário que mantém elevados os custos de seguro e frete marítimo.
Houthis mantêm pressão sobre Taiz
Enquanto as forças governamentais avançaram pela costa, combatentes houthis conquistaram posições nas proximidades de Taiz, terceira maior cidade do Iêmen. Fontes militares relataram pressão sobre estradas de acesso e linhas de abastecimento, embora haja versões divergentes sobre o grau de isolamento da cidade.
O grupo também afirmou ter lançado mísseis e drones contra aeroportos, instalações militares e uma refinaria da Saudi Aramco na Arábia Saudita. Até a última atualização, essas alegações não haviam sido confirmadas de forma independente pelas autoridades sauditas.
Conflito agrava crise humanitária
O presidente do Conselho de Liderança Presidencial, Rashad al-Alimi, acompanhou a operação e afirmou que a campanha pretende restaurar as instituições estatais e retomar territórios controlados pelos houthis. A Arábia Saudita confirmou a realização de ataques para dar cobertura aérea às forças terrestres.
Os Estados Unidos fornecem apoio de inteligência e planejamento à coalizão saudita, segundo autoridades norte-americanas, mas não há confirmação de tropas dos Estados Unidos participando diretamente dos combates em solo.
A nova escalada encerrou um período de relativa redução das hostilidades e aprofundou uma crise humanitária que já figura entre as mais graves do mundo. A Organização Internacional para as Migrações estima que cerca de 184 mil pessoas tenham sido deslocadas desde a retomada mais intensa dos confrontos.
O Iêmen vive uma guerra civil desde 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa. A Arábia Saudita passou a liderar uma coalizão de apoio ao governo no ano seguinte. O conflito matou milhares de pessoas e deixou milhões dependentes de ajuda humanitária.
Matéria atualizada em 6 de outubro de 2026, após a divulgação do avanço das forças governamentais na costa do Mar Vermelho.
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