Governo lança no Rio plano integrado contra o crime organizado
Projeto-piloto reúne forças federais, estaduais e municipais em três frentes e poderá ser ampliado para outras regiões do país.

RIO DE JANEIRO (RJ) — O governo federal lançou nesta sexta-feira (18) uma ação integrada de enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro. Apresentada como projeto-piloto, a iniciativa reúne órgãos federais, forças estaduais e a prefeitura da capital fluminense e poderá ser ampliada para outras regiões do país caso produza resultados.
O modelo prevê compartilhamento de inteligência e operações conjuntas entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, polícias Civil e Militar e estruturas municipais de segurança.
Três frentes de atuação
A estratégia foi organizada em três eixos: repressão à logística usada por organizações criminosas, retomada de territórios sob influência de facções e fortalecimento da capacidade dos municípios na área de segurança pública.
Nos corredores logísticos, a atuação deverá alcançar as divisas do Rio de Janeiro com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, além de vias consideradas estratégicas, como a Avenida Brasil, as linhas Vermelha e Amarela, o porto e o Aeroporto Internacional do Galeão. O combate ao roubo de cargas está entre os focos iniciais.
Na frente territorial, o planejamento prevê integração de inteligência, apoio tático, investigação financeira e patrimonial e articulação com órgãos de fiscalização e do sistema de Justiça. O governo afirma que a presença do poder público nas áreas atendidas deverá incluir também serviços e ações sociais.
Acordos de cooperação
Durante o lançamento, foram anunciados acordos de cooperação técnica entre União, estado e município. Entre as medidas informadas está a formação de 386 novos integrantes da Guarda Municipal pela PRF, além de agentes já capacitados anteriormente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a experiência busca estabelecer atuação permanente e coordenada. Segundo ele, o resultado no Rio servirá de referência para avaliar a adoção do modelo em outras unidades da Federação.
Autoridades estaduais e municipais disseram que a iniciativa não deve ser vinculada a uma bandeira partidária. A prefeitura também informou que dados do sistema municipal de vigilância são compartilhados com estruturas estaduais e federais de inteligência.
Segurança pública no debate nacional
O anúncio ocorre durante o período eleitoral e em meio à ampliação do debate sobre o papel da União na segurança pública. O governo defende maior coordenação federal, enquanto adversários políticos cobram resultados mais duros contra facções. A efetividade do projeto dependerá da execução dos acordos, da continuidade das operações e da apresentação de indicadores verificáveis.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República.
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