Guarda municipal investigado por importunação sexual contra adolescentes e por balear homem é preso em Curitiba
Guarda municipal investigado por importunação sexual contra adolescentes e por balear homem é preso em Curitiba Servidor de 34 anos foi localizado neste sábado na casa da irmã; investigação do Nucria apura denúncias envolvendo dois adolescentes e os disparos que atingiram o padrasto de um deles

CURITIBA (PR) — O guarda municipal investigado por suspeita de importunação sexual contra adolescentes e pelo episódio que terminou com um homem de 55 anos baleado no bairro Alto da Glória foi preso na manhã deste sábado (29), em Curitiba.
O mandado judicial foi cumprido por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), unidade especializada da Polícia Civil do Paraná responsável pela investigação.
Além da ordem de prisão, os policiais também cumpriram mandado de busca e apreensão relacionado ao caso.
Segundo o delegado Rodrigo Rederde, titular do Nucria de Curitiba, o servidor foi encontrado na residência de uma irmã.
O endereço, segundo o delegado, não estava inicialmente entre os locais previstos para o cumprimento das buscas. Para a autoridade policial, a mudança de endereço indicaria uma tentativa de evasão.
O guarda foi encaminhado e permanece à disposição da Justiça.
CASO COMEÇOU COM DENÚNCIA DE ADOLESCENTE
A investigação teve início após uma ocorrência registrada na noite de quarta-feira (26), na Rua Mauá, nas proximidades do estádio Couto Pereira, no Alto da Glória.
Segundo informações constantes no boletim de ocorrência, um adolescente de 17 anos relatou à polícia que vinha sendo abordado pelo guarda municipal havia aproximadamente um mês.
O jovem afirmou que o servidor teria se aproximado dele em diferentes ocasiões, inclusive nas proximidades da escola.
De acordo com o relato apresentado à polícia, teriam ocorrido propostas de cunho sexual e oferta de dinheiro.
A Polícia Civil investiga as acusações.
É importante ressaltar que os fatos atribuídos ao servidor ainda são objeto de investigação e não representam condenação judicial.
ENCONTRO TERMINOU EM CONFUSÃO E TIROS
Na noite de quarta-feira, o adolescente estava acompanhado do irmão, de 13 anos, e do padrasto.
Segundo o relato do jovem, o padrasto decidiu questionar o guarda sobre as abordagens que estariam acontecendo.
O encontro terminou em uma discussão seguida de luta corporal.
Durante a confusão, dois disparos foram efetuados com a pistola funcional que estava com o guarda municipal.
Um dos tiros atingiu o padrasto do adolescente, um homem de 55 anos, na região do abdômen.
Ele precisou ser encaminhado ao Hospital Evangélico e passou por procedimento cirúrgico.
A pistola institucional do servidor, uma CZ calibre 9 milímetros, acabou apreendida e entregue à autoridade policial.
GUARDA APRESENTOU OUTRA VERSÃO
O servidor apresentou à polícia uma versão diferente sobre a dinâmica dos acontecimentos.
Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, ele estava de folga e circulava de patinete quando teria sido abordado e agredido pelo padrasto do adolescente.
O guarda afirmou que sacou a arma para se defender e realizou dois disparos.
Depois disso, ainda segundo sua versão, teria sido agredido e teve a pistola retirada de suas mãos.
Imagens que circularam após o episódio mostram o servidor sendo cercado e agredido por várias pessoas.
O guarda também precisou receber atendimento médico e foi encaminhado ao Hospital do Trabalhador.
CÂMERAS PODEM AJUDAR A RECONSTRUIR O CASO
Câmeras de segurança da região registraram parte da movimentação relacionada à ocorrência.
As imagens foram encaminhadas ao Nucria e deverão ser utilizadas para confrontar as diferentes versões apresentadas pelos envolvidos.
A análise do material é considerada importante para esclarecer pontos como o início da discussão, o momento em que a arma foi sacada, a luta corporal e as circunstâncias exatas em que os tiros foram disparados.
Além dos vídeos, a investigação deverá considerar os depoimentos dos envolvidos, testemunhas, laudos periciais e outros elementos reunidos durante o inquérito.
PREFEITO DETERMINOU AFASTAMENTO
Depois da repercussão do episódio, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, determinou o afastamento preventivo do guarda municipal.
A Prefeitura informou que o servidor estava de folga no momento da ocorrência.
A Corregedoria da Guarda Municipal também abriu acompanhamento administrativo do caso.
Em manifestação divulgada após o episódio, a corporação afirmou que não tolera condutas incompatíveis com a função pública e que adotaria as medidas cabíveis a partir da apuração realizada pelas autoridades responsáveis.
A própria Guarda Municipal e sua Corregedoria colaboraram com o Nucria nas diligências que resultaram na prisão deste sábado, segundo o delegado responsável pela investigação.
PRISÃO MARCA NOVA ETAPA DA INVESTIGAÇÃO
A prisão não significa condenação.
O servidor permanece investigado e terá direito à defesa durante o andamento do processo.
A partir de agora, a Polícia Civil deverá aprofundar tanto a apuração das acusações feitas pelos adolescentes quanto a dinâmica da ocorrência que terminou com o homem baleado.
Entre os pontos que ainda deverão ser esclarecidos estão a existência de abordagens anteriores aos adolescentes, a eventual troca de mensagens ou contatos entre as partes, as circunstâncias exatas que antecederam os disparos e a responsabilidade individual de cada envolvido na confusão.
Também deverá ser analisado o uso da arma institucional pelo servidor durante o período de folga.
A prisão deste sábado transforma o caso, que inicialmente era tratado como uma ocorrência envolvendo disparos e agressões, em uma investigação de maior complexidade envolvendo simultaneamente denúncias contra adolescentes, uso de arma funcional e possível responsabilidade criminal do agente público.
O inquérito segue sob responsabilidade do Nucria de Curitiba.
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