Laudo identifica fenol nas roupas de aluno de aviação morto após ‘banho de óleo’ no Paraná
Perícia aponta que as vestimentas de Gustavo Henrique Lara estavam impregnadas pela substância tóxica; investigação busca esclarecer a origem do produto e as responsabilidades pelo caso.

PONTA GROSSA (PR) — Um laudo da Polícia Científica do Paraná identificou a presença de fenol nas roupas de Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, aluno de aviação que morreu após participar de um ritual conhecido como “banho de óleo” em uma escola de formação aeronáutica de Ponta Grossa. O caso ocorreu em 16 de julho e segue sob investigação.
Roupas estavam impregnadas
De acordo com as informações divulgadas nesta segunda-feira (21), a perícia encontrou uma solução aquosa de fenol em toda a extensão das vestimentas usadas pela vítima. O fenol é uma substância tóxica e corrosiva, capaz de ser absorvida rapidamente pela pele e pelas vias respiratórias.
O laudo de necropsia apontou que Gustavo morreu por asfixia mecânica causada por edema das vias aéreas após exposição química. Também foram constatadas queimaduras químicas em diferentes partes do corpo.
Material da garrafa era diferente
A perícia também examinou o líquido localizado em uma garrafa apreendida durante a apuração. Segundo o documento, o conteúdo do recipiente era uma mistura complexa de fenol e hidrocarbonetos, compatível com derivados de petróleo, mas não correspondia integralmente à solução encontrada nas roupas.
O exame não conseguiu determinar, até o momento, se o produto usado no ritual havia sido adulterado ou contaminado. A investigação busca esclarecer a origem da substância e de que forma ela chegou ao material despejado sobre o aluno.
Ritual terminou em morte
Gustavo participou do “banho de óleo” para celebrar o primeiro voo solo. Pouco depois do contato com o produto, apresentou dificuldade para respirar, sofreu uma convulsão e teve paradas cardiorrespiratórias. Ele chegou a ser socorrido pelo Samu e levado a um hospital, mas não resistiu.
O instrutor apontado como responsável por despejar o líquido foi preso em flagrante por homicídio culposo, pagou fiança de R$ 3 mil e passou a responder em liberdade. Como o inquérito tramita sob sigilo, o nome da defesa não foi divulgado. O espaço permanece aberto para manifestação.
Apuração continua
A Polícia Civil solicitou exames complementares e outros esclarecimentos técnicos à Polícia Científica. As diligências devem definir as circunstâncias do ocorrido, as responsabilidades individuais e a eventual necessidade de reclassificação jurídica do caso.
A Agência Nacional de Aviação Civil já alertou que óleos e lubrificantes aeronáuticos não devem entrar em contato com a pele e que produtos químicos usados na aviação podem provocar danos graves à saúde.
Fonte: informações da Polícia Civil e da Polícia Científica do Paraná divulgadas pela imprensa nacional.
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