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Lula enfrenta perguntas sobre o filho, corrupção e economia na Globo; checagens apontam contradições em respostas

Candidato à reeleição foi pressionado sobre investigações envolvendo Lulinha, relação com lobista, Banco Master, INSS e contas públicas; Lula atacou Moro, Deltan Dallagnol e a imprensa, apresentou-se como vítima de perseguição na Lava Jato e afirmou que sua prisão teve como objetivo impedir sua candidatura em 2018

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BRASIL — A sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, na TV Globo, na noite desta quinta-feira (27), produziu alguns dos momentos mais tensos até agora da série de entrevistas com os candidatos à Presidência da República.

Durante aproximadamente 40 minutos, César Tralli e Renata Vasconcellos concentraram boa parte do primeiro bloco em temas sensíveis ao governo: as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; a atuação do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola; a lobista Roberta Luchsinger; o Banco Master; as fraudes contra aposentados do INSS e a relação política de Lula com aliados citados em investigações.

Depois, a sabatina avançou para economia, dívida pública, responsabilidade fiscal, educação e segurança pública.

O tom das perguntas incomodou o presidente. Quando a entrevista finalmente passou dos casos policiais e investigações para a economia, Lula ironizou:

“Eu estava parecendo que estava no Ministério Público.”

A frase acabou sintetizando o clima da primeira metade da entrevista.

VÍDEO SOBRE A TRAJETÓRIA DE LULA NÃO DESTACOU A PRISÃO

Antes das perguntas, a Globo apresentou uma retrospectiva da trajetória política de Lula.

Um ponto chamou atenção: embora o vídeo percorresse diferentes momentos de sua vida pública, a prisão do petista em 2018 — um dos acontecimentos políticos e judiciais mais importantes de sua trajetória — não recebeu destaque na retrospectiva apresentada antes da sabatina.

Lula permaneceu preso durante 580 dias em Curitiba e ficou impedido de disputar a eleição presidencial de 2018.

A ausência ganhou ainda mais relevância porque, durante a própria entrevista, foi Lula quem trouxe sua prisão e a Operação Lava Jato para o centro da discussão, apresentando uma interpretação contundente daqueles acontecimentos.

LULINHA FOI O PRIMEIRO E UM DOS PRINCIPAIS ASSUNTOS

Tralli abriu a sabatina colocando sobre a mesa três inquéritos da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.

O jornalista questionou Lula sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência e sobre a possibilidade de o filho do presidente ter utilizado sua proximidade com o poder para atender interesses privados dentro de estruturas do governo federal.

Lula procurou separar sua condição de pai da responsabilidade como presidente.

Disse que as informações apresentadas até agora seriam “ilações” retiradas de telefonemas, mas afirmou que não pretende utilizar a Presidência para proteger o filho.

Segundo Lula, se Fábio tiver cometido algum ilícito, deverá responder “como qualquer cidadão brasileiro”.

O presidente ainda afirmou que não afastará delegado da Polícia Federal nem fará qualquer movimento destinado a impedir as investigações.

Foi uma das linhas de defesa repetidas durante a entrevista: Lula evitou assumir como verdadeiras as suspeitas apresentadas, mas declarou que pessoas próximas a ele deverão ser responsabilizadas caso as investigações comprovem crimes.

A LOBISTA QUE LULA DISSE NUNCA TER VISTO

Foi justamente nesse núcleo da entrevista que surgiu uma das contradições mais objetivas da noite.

Ao falar da lobista Roberta Luchsinger, Lula afirmou:

“Não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida.”

A declaração não resistiu às primeiras checagens realizadas depois da entrevista.

Há registros fotográficos publicados anteriormente pela própria Roberta mostrando-a ao lado de Lula. As imagens são de 2022.

Isso não comprova, por si só, que Lula conhecesse os negócios, relações ou eventuais atividades investigadas envolvendo a lobista. Também não comprova participação do presidente em qualquer irregularidade.

Mas contradiz objetivamente a afirmação categórica de que nunca teria visto a empresária.

A checagem do UOL classificou essa declaração como falsa.

Lula ainda utilizou uma expressão dura ao se referir à lobista, chamando-a de “pilantra”. Segundo a Folha de S.Paulo, a palavra não fazia parte da preparação planejada pela campanha e surpreendeu integrantes da própria equipe eleitoral.

MARCOLA: LULA ADMITE CONDUTA “TOTALMENTE ERRADA”

Outro momento delicado envolveu Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Os jornalistas questionaram o presidente sobre informações das investigações referentes a pagamentos de despesas pessoais, recebimento de valores, joias e outros benefícios.

Nesse ponto, Lula adotou uma posição diferente daquela usada em relação ao filho.

Reconheceu que a conduta descrita não seria compatível com a função.

“Não é adequado, é totalmente errado”, afirmou.

Lula disse acreditar, por enquanto, na versão apresentada por Marcola de que determinados valores seriam empréstimos, mas declarou que, caso seja comprovada irregularidade, o antigo auxiliar deverá responder.

O presidente também demonstrou decepção pessoal e relatou ter questionado o ex-assessor sobre por que não pediu ajuda diretamente a ele caso estivesse enfrentando problemas financeiros.

BANCO MASTER E JAQUES WAGNER

A bancada também levou Lula para outro terreno politicamente desconfortável: o Banco Master.

Questionado sobre o senador Jaques Wagner, aliado histórico e um dos nomes mais próximos do presidente, Lula afirmou que não considera comprovada qualquer relação irregular.

Defendeu o princípio da presunção de inocência e disse acreditar na honestidade de Wagner.

Relatórios da Polícia Federal tornados públicos apontaram contatos telefônicos entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

A existência dos contatos, entretanto, não equivale automaticamente à comprovação de crime.

Lula sustentou que, caso qualquer aliado cometa irregularidade, deverá ser responsabilizado.

INSS COLOCA OUTRA DECLARAÇÃO DE LULA SOB CHECAGEM

As fraudes envolvendo descontos indevidos de aposentados e pensionistas também apareceram.

Lula afirmou que o esquema teria começado anteriormente, sido descoberto em sua administração e posteriormente desmontado.

O problema apareceu quando declarou que todos os aposentados prejudicados já haviam recebido seu dinheiro.

A afirmação foi considerada exagerada em checagens realizadas depois da entrevista, porque ainda havia beneficiários que não tinham aderido ao procedimento de ressarcimento.

Portanto, a afirmação absoluta de que nenhum aposentado lesado permanecia sem ressarcimento não correspondia integralmente à situação verificada.

LULA DIZ TER SIDO VÍTIMA DA “MAIOR MENTIRA” PARA NÃO DISPUTAR A ELEIÇÃO DE 2018

Foi então que a sabatina deixou de ser apenas uma discussão sobre o governo atual e voltou à Operação Lava Jato.

Lula apresentou uma interpretação ampla sobre sua prisão e sobre o processo eleitoral de 2018.

Segundo o presidente, ele foi vítima daquilo que classificou como a “maior mentira montada” no país, com o objetivo de impedi-lo de disputar aquela eleição.

Lula afirmou que poderia ter deixado o Brasil, mas decidiu se apresentar e permanecer preso porque pretendia demonstrar que Sergio Moro e Deltan Dallagnol eram “mentirosos”.

A declaração foi além de uma crítica específica à condução de seus processos.

Na prática, Lula apresentou a Lava Jato sob a ótica de uma operação que teria extrapolado sua finalidade judicial e assumido objetivos políticos, entre eles impedir sua candidatura presidencial.

Também relacionou a operação a prejuízos provocados a grandes empresas brasileiras e à Petrobras.

LULA ATACA MORO, DELTAN E A IMPRENSA

O presidente também responsabilizou parte da imprensa pelo ambiente que levou à sua condenação e prisão.

Segundo Lula, veículos de comunicação teriam comprado e reproduzido uma narrativa falsa durante a Lava Jato e nunca reconhecido devidamente os erros cometidos.

Renata Vasconcellos reagiu.

A jornalista afirmou que o jornalismo da Globo cumpriu sua obrigação de noticiar os acontecimentos daquele período.

Lula não recuou.

Disse que a imprensa havia produzido “um monstro” chamado Moro e Dallagnol e voltou a mencionar o famoso PowerPoint apresentado em 2016 pelo então procurador da República Deltan Dallagnol.

“Eu não esqueço do PowerPoint mentiroso contra mim”, afirmou.

A fala apresentou aos telespectadores uma interpretação extremamente contundente da Lava Jato: Lula colocou sua prisão dentro de uma engrenagem de perseguição política destinada, segundo sua versão, a retirá-lo da disputa presidencial.

MAS A LAVA JATO NÃO FOI APENAS MORO E DELTAN

É justamente nesse ponto que a declaração presidencial exige contextualização histórica e jurídica.

As condenações de Lula foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, e o STF também reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no processo do tríplex.

Essas decisões tiveram consequências jurídicas profundas e devolveram a Lula seus direitos políticos.

Mas a trajetória dos processos foi mais extensa do que a atuação exclusiva de Moro e Dallagnol.

Lula foi condenado inicialmente por Sergio Moro em julho de 2017, no processo do tríplex do Guarujá, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em janeiro de 2018, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região analisou a sentença.

Os três desembargadores que participaram do julgamento votaram pela manutenção da condenação e aumentaram a pena.

Posteriormente, recursos e questões relacionadas aos processos chegaram às instâncias superiores.

Anos depois, o STF anulou as condenações ao entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não possuía competência para julgar aqueles processos. Em decisão distinta, o Supremo reconheceu a parcialidade de Moro no caso do tríplex.

Há, portanto, uma diferença jurídica importante entre anular processos e realizar um novo julgamento de mérito declarando inexistentes todos os fatos investigados.

As decisões do Supremo invalidaram juridicamente aquelas condenações, mas não equivalem a uma conclusão de que toda a Operação Lava Jato foi fictícia, que todas as provas produzidas eram falsas ou que todos os seus processos foram resultado de uma operação política coordenada exclusivamente por Moro e Dallagnol.

A Lava Jato envolveu Ministério Público, Polícia Federal, Justiça Federal, tribunais, instâncias superiores e dezenas de investigações e processos contra empresários, executivos, agentes públicos e políticos de diferentes partidos.

Por isso, a afirmação de Lula de que foi vítima de uma grande mentira destinada a impedi-lo de concorrer em 2018 deve ser registrada como a interpretação apresentada pelo próprio presidente sobre aqueles acontecimentos, e não como uma conclusão histórica ou judicial incontroversa.

O CONTRAPONTO QUE PODERIA TER IDO ALÉM

A Globo reagiu quando Lula criticou diretamente o trabalho da imprensa.

Mas a entrevista poderia ter aprofundado outro aspecto da afirmação presidencial.

Se Lula sustenta que sua condenação foi resultado de uma construção de Moro e Dallagnol destinada a impedi-lo de disputar a Presidência, caberia perguntar como ele interpreta a decisão unânime dos três desembargadores do TRF-4 que posteriormente confirmaram sua condenação.

Também seria possível questionar onde, na avaliação do presidente, terminariam os abusos posteriormente reconhecidos pela Justiça e começariam os resultados legítimos de uma operação que revelou esquemas de corrupção, produziu condenações e atingiu empresários e políticos de diferentes legendas.

Esse contraponto não apareceu com a mesma profundidade.

A questão é relevante porque existe diferença entre reconhecer graves problemas jurídicos ocorridos na Lava Jato — inclusive aqueles posteriormente reconhecidos pelo próprio Supremo — e concluir que toda a operação tenha sido exclusivamente uma armação política sem provas.

TRALLI INTERVÉM — MAS HAVIA DOIS POWERPOINTS DIFERENTES

A fala sobre Dallagnol produziu ainda uma situação curiosa.

César Tralli interrompeu Lula para lembrar que a Globo havia feito uma retratação relacionada a um PowerPoint.

Só que o apresentador estava se referindo a outro episódio.

A GloboNews havia exibido recentemente uma representação gráfica sobre as conexões do caso Banco Master que incluía Lula. Posteriormente, a emissora reconheceu problemas no material e informou que a apresentação estava errada e incompleta.

Já Lula também fazia referência ao PowerPoint apresentado por Deltan Dallagnol em 2016, durante a Lava Jato.

São episódios diferentes.

O PowerPoint de Dallagnol colocou Lula no centro de um diagrama relacionado às acusações da força-tarefa. O episódio posteriormente gerou uma ação por danos morais.

Dallagnol acabou condenado judicialmente a indenizar Lula e efetuou o pagamento para cumprir a decisão.

Isso, entretanto, é uma questão distinta da validade jurídica de todos os fatos investigados pela Lava Jato e das posteriores decisões do Supremo sobre os processos de Lula.

ECONOMIA: OUTRAS IMPRECISÕES APARECEM

Quando a sabatina chegou à economia, Lula tentou inverter a pressão.

Defendeu sua responsabilidade fiscal, recordou o crescimento de 7,5% registrado em 2010 e argumentou que o caminho para reduzir a relação dívida/PIB passa principalmente pelo crescimento econômico.

Também rejeitou a ideia de vender os Correios.

Mas algumas informações utilizadas para sustentar o argumento econômico foram contestadas nas checagens posteriores.

Lula afirmou que havia recebido o governo em janeiro de 2023 com déficit fiscal de 2,8%.

A afirmação é problemática.

Dados do Tribunal de Contas da União apontam que 2022 terminou com superávit primário equivalente a aproximadamente 0,6% do PIB, e não com o déficit mencionado pelo presidente.

Também houve problema quando Lula sugeriu que o Brasil somente voltou a crescer acima de 2% depois de seu retorno ao Planalto.

O PIB brasileiro já havia crescido acima desse patamar em 2021 e 2022.

Ao mesmo tempo, está correta a lembrança de Lula de que, no último ano de seu segundo mandato, em 2010, a economia brasileira cresceu 7,5%.

DÍVIDA PÚBLICA: LULA REJEITA ALARMISMO

Outro ponto relevante foi a dívida pública.

Lula afirmou não estar preocupado com o nível atual da dívida brasileira e utilizou como comparação países desenvolvidos que possuem relação dívida/PIB superior à brasileira.

Sua tese é que crescimento econômico e aumento do PIB permitem reduzir proporcionalmente o peso da dívida sem necessariamente promover grandes cortes em áreas sociais.

A declaração chamou atenção porque antecipa uma diferença importante que deverá aparecer na campanha presidencial: de um lado, candidatos defendendo maior contenção das despesas; de outro, Lula argumentando que crescimento e investimento devem ser os principais instrumentos para melhorar a situação fiscal.

SEGURANÇA PÚBLICA E A BAHIA

A violência também colocou Lula sob pressão.

Os jornalistas confrontaram o candidato com indicadores da Bahia, estado administrado pelo PT e aliados há cerca de duas décadas e que concentra algumas das cidades com elevados índices de violência.

Lula respondeu que nenhum governador, isoladamente, conseguiu solucionar o problema da segurança pública.

Defendeu maior integração entre União, estados e forças policiais e investimento em inteligência.

A resposta expôs outro tema que deverá ser explorado pela oposição durante a campanha: a tentativa de associar indicadores de criminalidade registrados em estados governados pelo PT ao projeto nacional defendido pelo presidente.

AS CONTRADIÇÕES QUE FICARAM DA SABATINA

A entrevista produziu diferentes pontos que merecem atenção depois das checagens.

O mais evidente foi a afirmação de Lula de que nunca havia visto Roberta Luchsinger, contrariada por fotografias dos dois juntos.

Outro foi o dado fiscal utilizado para descrever a situação encontrada em 2023: Lula falou em déficit de 2,8%, enquanto o resultado primário de 2022 havia sido superavitário.

Também houve imprecisão na afirmação sobre o crescimento do PIB acima de 2%, já registrado antes do início do atual mandato.

Há ainda a declaração abrangente de que todos os aposentados prejudicados pelas fraudes do INSS já teriam sido ressarcidos, algo que as checagens apontaram não estar integralmente concluído.

No campo histórico e político, também exige contextualização a apresentação da Lava Jato essencialmente como uma grande mentira destinada a impedir sua candidatura em 2018.

Os processos contra Lula sofreram reviravoltas profundas e suas condenações foram anuladas, além do reconhecimento da parcialidade de Moro no caso do tríplex. Isso, porém, não significa juridicamente que toda a Operação Lava Jato tenha sido declarada uma invenção ou que todas as provas e investigações produzidas pela operação tenham sido consideradas falsas.

Essas diferenças são fundamentais para que o eleitor consiga separar fatos, decisões judiciais e interpretações políticas.

REPERCUSSÃO: UMA ENTREVISTA COM DUAS LEITURAS

A repercussão imediatamente após a transmissão refletiu a polarização eleitoral.

Aliados do presidente destacaram que Lula suportou uma longa sequência de perguntas sobre investigações envolvendo pessoas próximas, afirmou repetidamente que não interferirá na Polícia Federal e conseguiu, na segunda parte, deslocar a entrevista para economia e políticas públicas.

Críticos enfatizaram justamente o contrário: consideraram que Lula ficou na defensiva diante dos casos envolvendo Lulinha e Marcola e apontaram as contradições posteriormente identificadas pelas equipes de checagem.

A releitura feita por Lula de sua prisão e da Lava Jato também tende a alimentar a reação de adversários e de personagens diretamente envolvidos na operação.

Analistas observaram ainda uma mudança clara de comportamento ao longo da entrevista.

No primeiro bloco, Lula foi obrigado a responder sucessivamente sobre investigações. Na segunda metade, assumiu postura mais ofensiva, confrontou premissas das perguntas e tentou apresentar resultados econômicos e propostas.

E DELTAN?

Deltan Dallagnol acabou se tornando um personagem importante da noite mesmo sem estar no estúdio.

Lula o chamou nominalmente de mentiroso, recuperou um dos episódios mais conhecidos da Lava Jato, o PowerPoint de 2016, e colocou o ex-procurador ao lado de Sergio Moro no centro de sua narrativa sobre uma suposta perseguição destinada a impedi-lo de disputar a Presidência em 2018.

A acusação é politicamente relevante e abre espaço para um contraponto direto de Dallagnol.

Qualquer manifestação posterior do ex-procurador, porém, precisa ser reproduzida a partir de sua publicação original ou de fonte jornalística verificável, especialmente diante da gravidade das acusações feitas durante a entrevista.

SABATINA COLOCA CORRUPÇÃO, LAVA JATO E RESPONSABILIDADE FISCAL NO CENTRO DA ELEIÇÃO

Independentemente da avaliação política sobre quem “venceu” a entrevista, a noite mostrou quais assuntos têm potencial para perseguir Lula durante a campanha.

As investigações sobre pessoas de sua confiança e, principalmente, sobre seu filho colocam o presidente diante de uma questão politicamente sensível: demonstrar que não existe interferência do Palácio do Planalto enquanto tenta impedir que suspeitas individuais sejam transferidas para sua própria candidatura.

Sua decisão de transformar a prisão de 2018 e a Lava Jato em parte de sua defesa também reabre um debate que marcou profundamente a política brasileira na última década.

De um lado está a narrativa de Lula, segundo a qual foi vítima de uma perseguição que o retirou da eleição presidencial de 2018.

Do outro estão os registros de uma longa trajetória judicial, com condenações posteriormente anuladas, confirmação da sentença em segunda instância, decisões posteriores do Supremo, reconhecimento da parcialidade de Moro e diferentes interpretações sobre o legado da Lava Jato.

Ao jornalismo não cabe escolher uma dessas narrativas e apresentá-la como verdade política.

Cabe reconstruir a cronologia, confrontar declarações com documentos e decisões judiciais e permitir que o leitor diferencie fatos comprovados, decisões posteriormente anuladas, erros reconhecidos e versões apresentadas pelos próprios personagens.

Ao mesmo tempo, a economia abre outro campo de confronto.

Lula aposta no crescimento como principal argumento para administrar dívida e despesas públicas. Seus adversários deverão questionar sustentabilidade fiscal, trajetória da dívida e tamanho do Estado.

A sabatina da Globo, portanto, não encerrou essas discussões.

Fez exatamente o contrário.

Transformou algumas delas em temas inevitáveis da campanha presidencial de 2026.


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