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Oposição reage à sabatina de Lula na Globo; fotos com lobista viram principal contraponto nas redes

Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e outros nomes da oposição contestaram declaração do presidente de que nunca teria visto Roberta Luchsinger; ataques de Lula contra Sergio Moro e Deltan Dallagnol também repercutem após entrevista marcada por tensão

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BRASIL — A sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na TV Globo, na noite desta quinta-feira (27), ultrapassou os estúdios da emissora e rapidamente chegou às redes sociais e ao centro da disputa eleitoral de 2026.

Integrantes da oposição passaram a contestar declarações feitas pelo candidato à reeleição, especialmente a afirmação de Lula de que não conhecia e nunca havia visto a lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em um dos inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Fotografias antigas mostrando Lula ao lado de Roberta foram recuperadas e compartilhadas por adversários políticos ainda durante a repercussão da entrevista.

Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Jorge Seif e Fábio Wajngarten estão entre os nomes que repercutiram o episódio.

Ao mesmo tempo, outra frente política foi aberta pelo próprio presidente.

Lula atacou diretamente Sergio Moro e Deltan Dallagnol, chamou os dois de mentirosos, classificou sua prisão como resultado daquilo que considera a “maior mentira montada” no país e acusou a imprensa de ter contribuído para a construção dessa narrativa.

“NUNCA VI ESSA MOÇA NA MINHA VIDA”

Um dos trechos que mais rapidamente repercutiram aconteceu quando Lula foi questionado sobre Roberta Luchsinger.

A Polícia Federal investiga a relação da lobista com Lulinha e suspeitas de tráfico de influência.

Diante das perguntas de César Tralli sobre mensagens encontradas pela investigação, Lula afirmou não conhecer Roberta.

“Não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida”, declarou.

O presidente também utilizou uma expressão dura para se referir à lobista, chamando-a de “pilantra”.

Pouco depois da entrevista, fotografias começaram a circular nas redes mostrando Lula e Roberta juntos.

A existência das imagens não comprova, por si só, participação de Lula em negócios ou eventuais irregularidades atribuídas à lobista.

Mas constitui um contraponto objetivo à declaração categórica de que nunca teria visto Roberta.

FLÁVIO BOLSONARO REAGE

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial de 2026, esteve entre os primeiros nomes da oposição a explorar a contradição.

Flávio compartilhou fotografias nas quais Lula aparece ao lado de Roberta Luchsinger e questionou a declaração apresentada durante a sabatina.

A reação sinaliza uma estratégia que provavelmente será explorada pela oposição ao longo dos próximos dias: confrontar determinadas respostas dadas pelo presidente na Globo com documentos, imagens e informações públicas.

A relação de pessoas próximas a Lula com investigações da Polícia Federal já havia ocupado boa parte da entrevista e deverá continuar sendo utilizada por seus adversários durante a campanha.

NIKOLAS FERREIRA PUBLICA FOTO E IRONIZA LULA

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também entrou na repercussão.

Ele recuperou uma fotografia anteriormente publicada pela própria Roberta Luchsinger mostrando-a ao lado de Lula.

Na publicação, Nikolas escreveu:

“O Lula parece estar um pouco esquecido ultimamente…”

A frase foi uma referência direta à declaração do presidente de que nunca teria visto a lobista.

A postagem rapidamente passou a circular entre perfis de oposição e ampliou a discussão sobre a resposta dada por Lula na Globo.

JORGE SEIF E WAJNGARTEN TAMBÉM ENTRAM NA DISCUSSÃO

O senador Jorge Seif (PL-SC) e Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, também repercutiram as imagens.

As manifestações seguiram essencialmente a mesma linha: questionar como Lula poderia afirmar nunca ter visto Roberta diante da existência de fotografias dos dois juntos.

Esse acabou se tornando, nas primeiras horas depois da sabatina, um dos principais pontos explorados pela oposição.

QUEM É ROBERTA LUCHSINGER

A relação de Roberta com o universo político não começou agora.

Herdeira de uma família ligada ao setor bancário, ela ganhou projeção nacional em 2017 ao anunciar apoio financeiro a Lula depois que valores pertencentes ao então ex-presidente foram bloqueados no contexto da Operação Lava Jato.

Roberta chegou a anunciar naquele período uma doação de R$ 500 mil a Lula.

Em 2018, disputou uma vaga de deputada estadual em São Paulo pelo PT, mas não foi eleita.

Agora, voltou ao centro do noticiário por aparecer em investigações envolvendo Lulinha.

A Polícia Federal apura se houve atuação para facilitar contatos e interesses privados dentro de estruturas do governo federal.

A existência da investigação, entretanto, não representa condenação e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência.

LULA TAMBÉM ABRIU UMA FRENTE DIRETA CONTRA MORO E DELTAN

Se as fotografias com Roberta dominaram parte da reação imediata da oposição, outro trecho da sabatina criou potencial para um confronto ainda maior.

Lula atacou diretamente o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol.

Ao responder sobre as investigações envolvendo seu filho, o presidente recuperou sua própria experiência com a Operação Lava Jato.

Lula afirmou ter sido vítima da “maior mentira montada” no Brasil para impedir que disputasse a Presidência da República em 2018.

Disse que poderia ter deixado o país, mas decidiu enfrentar a prisão porque queria demonstrar que Moro e Dallagnol haviam mentido.

“Eu poderia ter saído do país, mas fui para a cadeia porque queria provar que o Moro é mentiroso, que o Dallagnol é mentiroso e que a imprensa um dia vai pedir desculpas”, declarou.

A acusação foi feita nominalmente e em rede nacional.

LULA DIZ QUE IMPRENSA “COMPROU E VENDEU UMA MENTIRA”

O presidente também dirigiu sua ofensiva contra a imprensa.

Segundo Lula, veículos de comunicação teriam comprado uma narrativa falsa durante a Lava Jato, reproduzido essa versão durante anos e nunca reconhecido devidamente seus erros.

“A imprensa brasileira comprou uma mentira, vendeu a mentira e nunca reconheceu a mentira”, afirmou.

Renata Vasconcellos reagiu imediatamente.

A jornalista afirmou que o jornalismo da Globo cumpriu sua obrigação de noticiar os fatos.

Lula manteve sua posição e voltou a atacar Moro e Dallagnol.

Segundo o presidente, a imprensa brasileira teria ajudado a produzir “um monstro” em torno dos dois personagens da Lava Jato.

O “POWERPOINT MENTIROSO” VOLTA AO CENTRO DA DISCUSSÃO

Lula também recuperou um dos episódios mais conhecidos da Operação Lava Jato.

“Eu não esqueço do PowerPoint mentiroso contra mim”, declarou.

A referência remete à apresentação feita por Deltan Dallagnol em 2016, quando Lula apareceu no centro de um diagrama durante a exposição pública da denúncia referente ao tríplex do Guarujá.

Dallagnol acabou posteriormente condenado na esfera civil a indenizar Lula por danos morais relacionados à forma como aquela apresentação foi realizada.

O episódio, entretanto, produziu uma confusão durante a própria sabatina.

César Tralli interrompeu Lula para afirmar que a Globo havia realizado uma retratação relacionada a um PowerPoint.

O apresentador estava falando de outro caso.

A GloboNews havia apresentado neste ano um gráfico sobre as conexões do empresário Daniel Vorcaro e do Banco Master que incluía Lula. Posteriormente, a emissora reconheceu que o material estava errado e incompleto e fez uma retratação.

Portanto, existiam dois PowerPoints diferentes sendo tratados naquele momento.

A LAVA JATO VOLTA PARA A ELEIÇÃO DE 2026

Ao atacar Moro e Dallagnol, Lula trouxe novamente a Operação Lava Jato para o centro de uma campanha presidencial.

O presidente sustenta que foi vítima de uma perseguição destinada a impedi-lo de concorrer em 2018.

Suas condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal porque a Justiça Federal de Curitiba foi considerada incompetente para julgar os processos. O STF também reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no processo do tríplex.

Mas existe uma distinção jurídica importante.

A anulação das condenações não corresponde a uma decisão judicial estabelecendo que toda a Operação Lava Jato foi fictícia ou que todas as provas produzidas nas diferentes investigações eram falsas.

Antes da anulação, a condenação de Lula no caso do tríplex havia sido confirmada por unanimidade pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que inclusive aumentaram a pena determinada inicialmente.

Por isso, a interpretação de que toda a operação constituiu uma “mentira montada” para impedir sua candidatura representa a leitura apresentada pelo próprio Lula sobre os acontecimentos.

MORO E DELTAN FORAM ATACADOS — MAS É PRECISO SEPARAR REAÇÕES NOVAS DE PUBLICAÇÕES ANTIGAS

A força das declarações de Lula naturalmente aumentou a expectativa por respostas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

Até o fechamento desta reportagem, entretanto, o Portal Conexão Geral não localizou manifestação posterior à sabatina, publicada em canais verificáveis e suficientemente confirmada, que pudesse ser atribuída com segurança aos dois especificamente em resposta às acusações feitas na noite desta quinta-feira.

Esse cuidado é particularmente importante porque publicações antigas voltaram a aparecer nos mecanismos de busca.

Há, por exemplo, manifestações de Sergio Moro contra Lula feitas durante a campanha presidencial de 2022 que voltaram a circular associadas a buscas pela entrevista atual.

Utilizá-las como se fossem uma reação à sabatina de 2026 seria incorreto.

O mesmo critério vale para Padre Kelmon. Até o fechamento desta matéria, não foi localizada uma manifestação nova e verificável dele sobre a entrevista de quinta-feira que justificasse atribuir-lhe declarações.

Caso Moro, Dallagnol ou Kelmon se manifestem posteriormente, suas respostas passam a constituir fato novo e poderão ser incorporadas à cobertura.

REPERCUSSÃO NÃO FICOU RESTRITA À OPOSIÇÃO

Nas redes sociais, a entrevista produziu leituras completamente diferentes.

Apoiadores de Lula celebraram especialmente o momento em que o presidente confrontou a Globo e criticou a cobertura da Lava Jato.

Trechos em que Lula afirmou que a imprensa teria “comprado e vendido uma mentira” foram compartilhados por perfis favoráveis ao petista.

Também houve críticas à quantidade de tempo dedicada às investigações envolvendo Lulinha e pessoas próximas ao presidente.

Do outro lado, oposicionistas concentraram a reação nas contradições das respostas de Lula, sobretudo na declaração sobre Roberta Luchsinger.

A sabatina, portanto, terminou exatamente como começou: profundamente inserida na polarização política brasileira.

CONTRADIÇÃO SOBRE A LOBISTA PODE SE TORNAR UM DOS PRINCIPAIS RECORTES DA ENTREVISTA

Entre todos os assuntos discutidos durante aproximadamente 40 minutos, a declaração sobre Roberta possui uma característica especialmente delicada para Lula.

Não depende apenas de interpretação política.

Há uma afirmação objetiva — “nunca vi essa moça na minha vida” — confrontada por registros fotográficos anteriores.

Isso não comprova participação de Lula em qualquer irregularidade investigada pela Polícia Federal.

Mas permite questionar a precisão da resposta dada pelo presidente.

E foi exatamente nesse ponto que a oposição encontrou o material mais simples e direto para transformar a entrevista em conteúdo de campanha nas redes sociais.

SABATINA CONTINUA REPERCUTINDO

A entrevista terminou na noite de quinta-feira, mas politicamente seus efeitos apenas começaram.

Lula saiu da Globo tendo de responder sobre investigações envolvendo o filho, pessoas próximas ao governo, Banco Master, INSS, segurança pública e economia.

Também abriu voluntariamente outra frente ao recuperar sua prisão, atacar Moro e Dallagnol e responsabilizar parte da imprensa pela maneira como a Lava Jato foi apresentada ao país.

A oposição, por sua vez, encontrou nas fotografias de Lula com Roberta Luchsinger um contraponto imediato a uma das declarações mais categóricas feitas durante a sabatina.

A tendência é que novos recortes, respostas e confrontos surjam ao longo desta sexta-feira.

O Portal Conexão Geral continuará acompanhando as manifestações para separar repercussão política de fatos efetivamente verificáveis — especialmente porque, em período eleitoral, uma publicação antiga retirada de contexto pode rapidamente ser apresentada nas redes sociais como se fosse uma reação atual.


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