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PoderData: Lula e Flávio Bolsonaro empatam tecnicamente e disputa presidencial fica ainda mais apertada

Presidente aparece com 38% contra 35% do candidato do PL no primeiro turno; em eventual confronto direto, placar é de 45% a 44%. Levantamento também mostra rejeição idêntica de 49% aos dois principais nomes da corrida presidencial

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BRASÍLIA, 27 de agosto de 2026 — A corrida pela Presidência da República chega ao início do horário eleitoral gratuito com seu cenário mais apertado dos últimos meses. Pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (27) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 38% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 35%, configurando empate técnico no primeiro turno das Eleições 2026.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A diferença entre os dois principais candidatos, que era de seis pontos no levantamento anterior, caiu para três pontos nesta rodada — a menor registrada pelo instituto desde maio.

Mais do que uma arrancada expressiva de Flávio Bolsonaro, os números mostram uma redução da vantagem de Lula: o presidente passou de 41% para 38%, enquanto o candidato do PL permaneceu numericamente em 35%.

Como as oscilações precisam ser interpretadas dentro da margem de erro, os resultados isolados não permitem afirmar que houve transferência direta de votos entre os candidatos. O que a nova rodada confirma é uma disputa cada vez mais competitiva na liderança.

Lula 38%, Flávio 35%

No cenário estimulado de primeiro turno, os números são:

Lula (PT) — 38%

Flávio Bolsonaro (PL) — 35%

Ronaldo Caiado (PSD) — 4%

Renan Santos (Missão) — 4%

Augusto Cury (Avante) — 4%

Pablo Marçal (PRTB) — 3%

Romeu Zema (Novo) — 2%

Hertz Dias (PSTU) — 2%

Edmilson Costa (PCB) — 1%

Samara Martins (UP) — 1%

Outros candidatos não pontuaram no levantamento. Brancos e nulos representam 5%, enquanto 2% dos entrevistados não souberam responder.

O resultado reforça a concentração da disputa em Lula e Flávio Bolsonaro. Nenhum dos demais concorrentes ultrapassa individualmente os 4%.

Segundo turno tem diferença de apenas um ponto

A disputa fica ainda mais estreita quando o PoderData simula um eventual segundo turno entre os dois líderes.

Lula aparece com 45% e Flávio Bolsonaro com 44%.

A diferença de apenas um ponto percentual significa empate técnico.

Na rodada anterior, realizada entre 9 e 12 de agosto, o resultado também era extremamente apertado: Lula tinha 46% e Flávio Bolsonaro 45%.

Os dois, portanto, oscilaram um ponto para baixo e conservaram a mesma diferença.

O dado reforça uma característica que vem aparecendo nas pesquisas nacionais: embora Lula mantenha vantagem numérica em diferentes levantamentos, a distância para Flávio Bolsonaro é pequena e frequentemente fica dentro da margem de erro.

Rejeição também termina empatada: 49% a 49%

Há outro número que ajuda a explicar por que a corrida presidencial permanece tão aberta.

Quando os entrevistados foram perguntados em quem não votariam de jeito nenhum, Lula e Flávio Bolsonaro registraram exatamente o mesmo percentual:

49% de rejeição para cada um.

A resistência a ambos aumentou um ponto percentual em relação à rodada anterior.

Isso significa que praticamente metade do eleitorado manifesta rejeição aos dois principais candidatos.

A eleição, portanto, não está sendo disputada apenas por quem consegue conquistar novos votos. Um dos principais desafios das campanhas será diminuir a resistência entre eleitores que hoje rejeitam os nomes que lideram a disputa.

Polarização continua dominando a eleição

Os números também mostram a dificuldade das candidaturas alternativas em romper a polarização.

Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury aparecem empatados com 4%. Pablo Marçal registra 3%, enquanto Romeu Zema tem 2%.

Mesmo somados, os principais nomes que tentam ocupar um espaço fora da disputa direta entre PT e PL ainda permanecem muito abaixo dos dois líderes individualmente.

Isso não significa que a eleição esteja definida.

A campanha oficial começou há menos de duas semanas e entra agora em uma nova fase, com maior exposição dos candidatos no rádio e na televisão.

Além disso, debates, entrevistas, acontecimentos econômicos, desempenho do governo, estratégias digitais e possíveis fatos políticos ainda podem alterar o comportamento do eleitorado até outubro.

Sul é terreno mais favorável a Flávio; Lula mantém força no Nordeste

Os recortes do levantamento também mostram um país eleitoralmente dividido.

Lula mantém desempenho mais forte no Nordeste, onde registra ampla vantagem, além de apresentar desempenho superior entre mulheres e eleitores de menor renda.

Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho regional no Sul e no Centro-Oeste.

O mapa eleitoral reproduz, em grande medida, divisões observadas nas eleições presidenciais anteriores, embora a campanha de 2026 apresente candidatos, alianças e conjuntura diferentes.

A capacidade dos dois líderes de avançar justamente nos territórios onde encontram maior resistência poderá ser decisiva numa eventual disputa de segundo turno.

Pesquisa é a primeira após encerramento dos registros

A nova rodada também possui importância política por ser a primeira do PoderData realizada depois do encerramento do prazo para registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral, ocorrido em 15 de agosto.

Os registros apresentados pelos partidos ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral e podem ser objeto de impugnações e recursos.

Com o quadro de candidaturas formalizado, entretanto, as pesquisas passam gradualmente a refletir uma disputa mais próxima daquela que efetivamente chegará às urnas.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Se nenhum candidato obtiver mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Horário eleitoral começa nesta sexta-feira

A divulgação da pesquisa acontece às vésperas de outra etapa importante da campanha.

Nesta sexta-feira, 28 de agosto, começa oficialmente o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a propaganda seguirá até 1º de outubro, antevéspera do primeiro turno.

Para a eleição presidencial, os programas em bloco terão duração total de 12 minutos e 30 segundos.

A coligação que sustenta Lula terá 5 minutos e 31 segundos; o PL, de Flávio Bolsonaro, terá 4 minutos e 20 segundos; o PSD, de Ronaldo Caiado, terá 2 minutos e 2 segundos; e o Avante, de Augusto Cury, ficará com 35 segundos.

Além dos programas em bloco, haverá inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras.

A entrada da televisão e do rádio na campanha pode aumentar significativamente o alcance das candidaturas para além das redes sociais e dos eventos partidários.

Campanha chega a uma fase decisiva

O cenário da pesquisa PoderData não permite apontar um favorito isolado.

Lula continua numericamente à frente, mas a vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminuiu no primeiro turno e permanece mínima numa eventual disputa direta.

Ao mesmo tempo, ambos carregam índices elevados de rejeição.

A combinação cria uma eleição peculiar: os dois principais candidatos possuem eleitorados grandes e consolidados, mas também enfrentam resistência de praticamente metade do país.

Para Lula, o desafio será recuperar a vantagem observada no início do mês e impedir que a eleição se transforme definitivamente em uma disputa voto a voto.

Para Flávio Bolsonaro, a missão será transformar o empate técnico em liderança e ampliar seu alcance para além das regiões e segmentos onde já possui desempenho mais forte.

Para Caiado, Renan Santos, Augusto Cury, Pablo Marçal, Romeu Zema e os demais concorrentes, o desafio é ainda maior: convencer o eleitorado de que existe uma alternativa competitiva à polarização.

Com pouco mais de um mês até o primeiro turno e o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a campanha presidencial entra agora em sua fase de maior exposição.

E a fotografia desta quinta-feira mostra uma eleição que, até aqui, permanece completamente aberta.


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