STF entra em impasse no caso Moraes-Vorcaro; Dino pede vista após placar de 4 a 3 por adiamento
Sessão extraordinária teve fortes divergências entre ministros e chegou ao fim da tarde sem decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.

BRASÍLIA (DF) — A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa os desdobramentos do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entrou em uma nova fase de impasse nesta terça-feira (15). Depois de horas de debates, trocas de acusações e questões processuais, o ministro Flávio Dino pediu vista durante a análise do pedido para adiar o julgamento e reunir, em uma mesma data, os procedimentos relacionados a Moraes e ao ministro André Mendonça.
No momento em que o pedido de vista foi apresentado, o placar informado era de 4 votos a 3 favoráveis ao adiamento da análise para que os casos fossem examinados conjuntamente. A sessão, portanto, chegou ao fim da tarde sem uma decisão definitiva sobre a eventual abertura de investigação contra Moraes.
Discussão passou a ser também sobre como julgar
O plenário foi convocado originalmente para analisar a Petição 16.662, relacionada a elementos reunidos pela Polícia Federal no âmbito das apurações sobre o Banco Master. Ao longo do dia, porém, parte relevante do debate passou a se concentrar em questões de ordem: a competência para conduzir os procedimentos, a validade dos atos já praticados e a possibilidade de reunir a análise sobre Moraes com outro procedimento que envolve questionamentos à atuação de André Mendonça.
Dias Toffoli declarou suspeição por motivo de foro íntimo e não participa da votação. Kássio Nunes Marques também se afastou da deliberação. Com isso, o número de ministros aptos a decidir foi reduzido, aumentando o peso de cada voto e a possibilidade de um resultado apertado.
Sessão foi marcada por confronto aberto
Além da disputa jurídica, a sessão expôs de forma incomum as divergências internas do Supremo. Moraes e Mendonça trocaram acusações sobre a condução das apurações e a origem dos relatórios policiais. Gilmar Mendes também fez críticas duras à forma como o caso foi conduzido. O presidente da Corte, Edson Fachin, interveio em diferentes momentos para organizar os trabalhos e defender que divergências jurídicas não se transformassem em confronto pessoal.
Moraes nega ter cometido irregularidades e sustenta que não existe pedido formal da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República para investigá-lo. Mendonça, por sua vez, afirma que as diligências foram determinadas dentro da supervisão judicial de uma investigação já existente e rejeita a acusação de direcionamento.
O que acontece agora
O pedido de vista de Flávio Dino interrompe a definição da questão processual que antecede o exame do mérito. Enquanto não houver conclusão sobre o rito, permanece indefinido se o STF analisará imediatamente a possibilidade de investigação de Moraes ou se reunirá os procedimentos para julgamento conjunto.
É importante distinguir as etapas: a sessão desta terça-feira não representa julgamento de culpa ou inocência de Alexandre de Moraes. A controvérsia envolve, neste momento, a validade dos procedimentos e a possibilidade jurídica de aprofundamento das apurações.
O Portal Conexão Geral continuará acompanhando o julgamento e atualizará a cobertura quando houver proclamação formal de resultado ou nova decisão do Supremo.
Portal Conexão Geral — Conectado em Tudo!
Foto: Rosinei Coutinho/STF — sessão de 15 de setembro de 2026.
Seu navegador bloqueou a janela. Permita pop-ups para este site e tente novamente.


Comentários
Ainda não há comentários aprovados.