Sabatina de Flávio Bolsonaro na Globo tem promessa contra reeleição e críticas a Lula e ao STF
Em entrevista ao Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro falou sobre reeleição, salário mínimo, dívida pública e ajuste fiscal, além de criticar Lula, a Globo e o STF.

Entrevista conduzida por Renata Lo Prete teve críticas ao governo Lula, à emissora e ao Supremo, além de compromissos sobre reeleição, salário mínimo, despesas sociais e ajuste fiscal; declarações econômicas exigem análise de viabilidade e acompanhamento das propostas formais.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou na noite desta sexta-feira (16) da sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. A entrevista ocorreu a nove dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e combinou perguntas sobre economia e políticas públicas com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à própria emissora.
Promessa de não disputar a reeleição
Um dos principais compromissos apresentados por Flávio foi o de não buscar um segundo mandato presidencial caso seja eleito. O candidato afirmou que pretende propor uma emenda à Constituição para acabar com a reeleição e declarou que abriria mão de concorrer novamente mesmo que o Congresso não aprove a mudança. Também disse que a proposta em elaboração pela equipe impediria que parentes próximos, incluindo seu pai, Jair Bolsonaro, e os irmãos Eduardo e Carlos, disputassem a sucessão presidencial.
A declaração abre uma discussão que depende de detalhes jurídicos ainda não apresentados integralmente: o alcance da eventual emenda, a duração do mandato e as regras de transição precisariam ser definidos e debatidos pelo Congresso Nacional. A promessa política, por si só, não altera a legislação em vigor.
Salário mínimo, aposentadorias e gastos sociais
Questionado sobre medidas econômicas atribuídas à sua equipe, Flávio afirmou que manteria reajustes do salário mínimo acima da inflação. Negou intenção de desvincular o reajuste das aposentadorias do mínimo e disse que não pretende eliminar os pisos constitucionais de investimento em saúde e educação. O candidato também contestou acusações de que planeja acabar com aposentadorias, reduzir direitos de servidores ou privatizar empresas como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras.
As respostas representam as posições apresentadas durante a entrevista. A avaliação concreta dependerá do programa econômico detalhado, de eventuais projetos encaminhados ao Congresso e de como as promessas seriam financiadas diante das despesas obrigatórias e do custo da dívida pública.
Ajuste fiscal e dívida pública
Flávio voltou a defender um ajuste fiscal de grande porte e citou a necessidade de reduzir gastos e rever a estrutura administrativa. Durante a sabatina, mencionou a dívida pública brasileira em torno de R$ 11 trilhões. O número está na ordem de grandeza dos dados oficiais: o Banco Central informou que a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a aproximadamente R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
O tamanho da dívida, contudo, não explica sozinho a situação fiscal. Para avaliar propostas de ajuste, é necessário conhecer medidas específicas, prazos, impacto sobre receitas e despesas, efeitos sobre serviços públicos e estimativas independentes de economia. Durante a entrevista, o candidato também criticou a política econômica do governo Lula e atribuiu ao atual governo responsabilidade por problemas nas contas públicas.
Críticas à Globo e ao Supremo
O candidato questionou a atuação da TV Globo e citou publicidade do Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Renata Lo Prete contestou a comparação apresentada por Flávio e explicou a diferença entre compra de publicidade e independência editorial. O senador também fez críticas ao STF e defendeu mudanças no Judiciário, sem detalhar durante toda a entrevista um plano legislativo completo para implementar as propostas.
Ao longo da sabatina, Flávio mencionou Lula repetidamente e concentrou parte das respostas em rebater declarações do adversário. A entrevista também foi marcada pelo uso de anotações na mão do candidato, elemento que ganhou repercussão nas redes sociais. Houve registros de panelaços em pontos de São Paulo e do Rio de Janeiro nas proximidades da transmissão, segundo relatos publicados durante a noite.
O que observar até o segundo turno
A sabatina oferece ao eleitor um registro das posições que Flávio escolheu enfatizar nesta etapa da campanha, mas não substitui a análise de propostas completas. Entre os pontos que merecem acompanhamento estão a redação de uma eventual PEC sobre reeleição, os detalhes do ajuste fiscal, a preservação dos pisos de saúde e educação e a compatibilidade entre as promessas de gasto e as metas para a dívida pública.
O presidente Lula participou da sabatina da Globo na quinta-feira (15). O próximo confronto direto entre os dois candidatos está previsto para domingo (18), às 20h, em debate promovido pela Band. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.
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