Gerp aponta Flávio Bolsonaro com 47% e Lula com 42% no segundo turno; veja o que mostram outras pesquisas
Novo levantamento coloca candidato do PL cinco pontos à frente do presidente no confronto direto; primeiro turno tem empate técnico, mas Datafolha e BTG/Nexus apresentam cenário diferente e confirmam eleição altamente disputada

Uma nova pesquisa nacional divulgada pelo Instituto Gerp acrescentou mais um elemento à acirrada disputa pela Presidência da República. No levantamento, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 47% das intenções de voto, contra 42% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma eventual disputa de segundo turno.
A diferença numérica é de cinco pontos percentuais. A margem de erro informada pelo instituto é de dois pontos para mais ou para menos.
Outros 8% afirmaram que não votariam em nenhum dos dois candidatos, enquanto 3% não souberam ou não responderam.
O resultado chama atenção principalmente porque contrasta com outros dois levantamentos nacionais realizados praticamente no mesmo período, Datafolha e BTG/Nexus, que apresentam Lula numericamente à frente.
A comparação deixa evidente uma característica que deverá marcar a campanha presidencial até outubro: a eleição permanece aberta e pequenas diferenças de metodologia, amostra e período de coleta podem produzir retratos diferentes do eleitorado.
Primeiro turno tem empate técnico
No cenário estimulado de primeiro turno apresentado pela Gerp, a diferença entre os dois principais candidatos praticamente desaparece.
Flávio Bolsonaro aparece com aproximadamente 38%, enquanto Lula registra 37%.
Na sequência aparecem:
- Pablo Marçal (PRTB): 4%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Romeu Zema (Novo): 1%
Os demais candidatos citados no levantamento não chegam a 1% quando considerados os percentuais arredondados.
Cerca de 8% não souberam responder, enquanto aproximadamente 4% disseram que não votariam em nenhum dos nomes apresentados.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, Flávio e Lula estão tecnicamente empatados no primeiro turno.
O levantamento reforça, portanto, a concentração da preferência eleitoral nos dois candidatos.
Segundo turno muda o quadro
É no confronto direto que o levantamento da Gerp apresenta a principal novidade.
Segundo turno — Gerp
Flávio Bolsonaro (PL): 47%
Lula (PT): 42%
Nenhum: 8%
Não sabe/não respondeu: 3%
A diferença numérica entre Flávio e Lula chega a cinco pontos.
A série do próprio instituto também demonstra que a disputa vem oscilando nos últimos meses.
Nas cinco rodadas divulgadas entre junho e agosto, Flávio permaneceu entre aproximadamente 45% e 47%, enquanto Lula oscilou entre 39% e 42%.
Na primeira medição, em junho, a diferença entre os dois chegou a seis pontos. Em julho, caiu para apenas um ponto e voltou posteriormente a aumentar.
Isso significa que a vantagem registrada agora não surgiu isoladamente dentro da série da Gerp, embora outros institutos estejam encontrando resultados diferentes.
Rejeição é maior para Lula na Gerp
Outro dado relevante do levantamento está na rejeição.
Quando os entrevistados são questionados sobre os candidatos nos quais não votariam de jeito nenhum, Lula apresenta o maior percentual.
Lula: 49% de rejeição
Flávio Bolsonaro: 40%
Depois aparecem Pablo Marçal, com 11%, e Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ambos com 10%.
A rejeição é um dos indicadores mais importantes em uma eleição polarizada porque mostra não apenas a capacidade de um candidato conquistar votos, mas também a dificuldade de ultrapassar determinado teto eleitoral.
Neste levantamento específico, Lula enfrenta um índice de rejeição nove pontos superior ao de Flávio.
Eleitor ainda acredita mais em vitória de Lula
Curiosamente, quando a pesquisa deixa de perguntar em quem o eleitor pretende votar e questiona quem ele acredita que vencerá a eleição, Lula mantém vantagem significativa.
Segundo a Gerp, 52% acreditam que Lula vencerá a disputa presidencial, enquanto 36% apostam em uma vitória de Flávio Bolsonaro.
A percepção do eleitorado, portanto, não acompanha integralmente sua intenção declarada de voto.
Quando a pergunta é sobre quem estaria mais preparado para governar o país, a situação volta a ficar equilibrada: Flávio aparece com 44%, enquanto Lula tem 43%.
Mas outras pesquisas apresentam Lula na frente
A leitura da corrida presidencial exige observar mais de um instituto.
Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram resultados diferentes da Gerp.
A pesquisa BTG/Nexus, realizada entre os dias 21 e 23 de agosto, mostrou Lula com 41% no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro.
No segundo turno, o instituto apontou:
Lula: 46%
Flávio Bolsonaro: 45%
Nesse levantamento, os dois aparecem em empate técnico.
Já o Datafolha, com entrevistas realizadas entre 18 e 21 de agosto, mostrou uma vantagem maior para o presidente.
No primeiro turno:
Lula: 39%
Flávio Bolsonaro: 33%
No segundo turno:
Lula: 47%
Flávio Bolsonaro: 43%
Assim, três levantamentos realizados em períodos muito próximos apresentam três fotografias diferentes do confronto direto.
Gerp
Flávio 47% x Lula 42%
BTG/Nexus
Lula 46% x Flávio 45%
Datafolha
Lula 47% x Flávio 43%
A diferença não significa necessariamente que alguma das pesquisas esteja errada.
Pesquisas eleitorais são retratos estatísticos produzidos a partir de amostras, metodologias, questionários e formas de abordagem diferentes.
A Gerp e a Nexus realizaram entrevistas por telefone, enquanto o Datafolha utiliza entrevistas presenciais.
Por isso, uma análise responsável da eleição não deve transformar uma única pesquisa em previsão do resultado das urnas.
Polarização continua dominando a eleição
Apesar das diferenças entre os institutos, existe um ponto em comum bastante claro.
Lula e Flávio Bolsonaro estão muito à frente dos demais concorrentes.
Candidatos como Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema, Pablo Marçal e Augusto Cury aparecem com percentuais significativamente inferiores nos principais levantamentos nacionais.
Isso consolida, pelo menos neste momento da campanha, uma disputa fortemente polarizada.
Ao mesmo tempo, ainda faltam semanas importantes até o primeiro turno.
O horário eleitoral gratuito, os próximos debates, a propaganda nas redes sociais, os indicadores econômicos, eventuais crises políticas e fatos novos envolvendo os candidatos poderão interferir no comportamento do eleitor.
A eleição presidencial será realizada em 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, o segundo turno acontecerá em 25 de outubro.
Como foi feita a pesquisa Gerp
O Instituto Gerp entrevistou 2.400 eleitores em todo o Brasil, entre os dias 21 e 25 de agosto de 2026.
As entrevistas foram feitas por telefone utilizando o sistema GerpCati, com seleção e controle das entrevistas por computador.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%.
O levantamento foi realizado em parceria com a Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo — AESP Rádio + TV — e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número:
BR-03547/2026.
Mais do que indicar antecipadamente quem vencerá em outubro, o conjunto das pesquisas divulgado nesta semana mostra uma conclusão mais segura: a disputa presidencial está competitiva, polarizada e ainda distante de uma definição.
O Portal Conexão Geral continuará acompanhando os levantamentos registrados na Justiça Eleitoral e a evolução da campanha até as eleições de outubro.
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