Temporais deixam dois mortos, mais de 4 mil afetados e destroem casas no Rio Grande do Sul
Granizo, ventos fortes e chuva intensa atingiram ao menos 33 municípios; Três Palmeiras concentra alguns dos maiores estragos, com cerca de mil residências danificadas

PORTO ALEGRE (RS) — Os temporais que atingem o Rio Grande do Sul desde quinta-feira (27) deixaram ao menos duas pessoas mortas, milhares de moradores afetados e um rastro de destruição em diferentes regiões do Estado.
Balanço divulgado neste sábado (29) pela Defesa Civil aponta ocorrências relacionadas às chuvas em pelo menos 33 municípios e mais de 4,2 mil pessoas atingidas.
Além das mortes, há registro de feridos, moradores desalojados e famílias que precisaram recorrer a abrigos públicos.
Os eventos incluem chuva intensa, rajadas de vento, alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores e fortes precipitações de granizo.
Criança morreu após árvore cair sobre residência
Uma das mortes ocorreu em Porto Alegre.
Um menino de oito anos morreu depois que uma árvore caiu sobre uma residência na Zona Norte da capital gaúcha durante o temporal de sexta-feira (28).
A criança estava dentro da casa no momento do acidente.
Outros moradores do imóvel também foram atingidos e receberam atendimento.
A força do vento e o solo encharcado provocaram quedas de árvores em diferentes pontos da cidade durante a passagem das tempestades.
Veículo foi arrastado pela água em Arroio Grande
A segunda morte foi confirmada neste sábado em Arroio Grande, no Sul do Estado.
Segundo a Defesa Civil, um veículo com duas pessoas foi arrastado pela força da água durante a madrugada.
O motorista conseguiu sair do automóvel e foi encaminhado para atendimento médico.
O outro ocupante não conseguiu deixar o veículo a tempo.
O corpo foi localizado posteriormente por equipes do Corpo de Bombeiros.
Mais de 4,2 mil pessoas foram atingidas
O balanço estadual indica que 4.209 pessoas foram afetadas pelas condições meteorológicas.
Também foram contabilizados moradores desalojados, que precisaram deixar temporariamente suas residências e buscar abrigo na casa de parentes ou amigos, além de pessoas acolhidas em estruturas públicas.
Os números ainda são considerados preliminares e podem aumentar à medida que as prefeituras concluam os levantamentos dos danos.
Há diferença entre alguns balanços municipais e estaduais justamente porque as informações são atualizadas em horários diferentes.
Três Palmeiras teve cerca de mil casas atingidas
Uma das situações mais graves foi registrada em Três Palmeiras, no Norte gaúcho.
Uma forte chuva de granizo atingiu o município durante a madrugada deste sábado.
O fenômeno durou poucos minutos, mas foi suficiente para provocar danos em aproximadamente mil residências.
Relatos locais indicam pedras de gelo comparáveis ao tamanho de ovos de galinha.
Telhados foram perfurados ou parcialmente destruídos, causando entrada de água nas residências.
Levantamentos locais indicam que grande parte da área urbana e também propriedades da zona rural foram atingidas.
A Prefeitura e a Defesa Civil iniciaram a distribuição de lonas para famílias que tiveram os telhados danificados.
Ginásios também foram preparados para receber moradores que eventualmente precisassem deixar suas casas.
Canela, Quaraí e outras cidades também registraram prejuízos
Os estragos não ficaram concentrados em uma única região.
Em Canela, na Serra Gaúcha, quase 200 residências tiveram danos registrados.
Quaraí também contabilizou centenas de imóveis atingidos.
Em Sobradinho, um deslizamento obrigou moradores a deixarem suas casas.
Jaboticaba registrou danos em dezenas de prédios, além de alagamentos que atingiram inclusive um hospital e uma escola.
Cambará do Sul também registrou destelhamentos.
Outros municípios continuam realizando levantamentos para dimensionar os prejuízos.
Risco permanece nos próximos dias
A preocupação agora se volta para a continuidade das instabilidades.
A Defesa Civil mantém monitoramento hidrometeorológico e vem emitindo alertas para diferentes regiões do Estado.
Durante este sábado foram emitidos avisos para chuva forte, granizo e ventos capazes de provocar novos destelhamentos.
Além das tempestades, existe preocupação com o comportamento dos rios depois do elevado volume de chuva acumulado.
Regiões das bacias dos rios Jacuí, Taquari, Caí e Uruguai estão entre as áreas acompanhadas pelas autoridades.
Alertas chegaram diretamente aos celulares
Em algumas regiões, o sistema Cell Broadcast foi acionado para enviar alertas de emergência diretamente aos telefones celulares da população.
A tecnologia permite que avisos sejam encaminhados aos aparelhos localizados dentro de áreas consideradas de risco, sem necessidade de cadastro prévio.
O objetivo é ampliar o tempo de reação da população diante de tempestades severas, enchentes, deslizamentos ou outras ocorrências.
Defesa Civil orienta população a evitar áreas de risco
A recomendação é para que moradores não permaneçam próximos a árvores, postes, estruturas frágeis ou locais sujeitos a alagamentos durante tempestades.
Em caso de elevação rápida do nível da água, a orientação é abandonar áreas de risco antes que as rotas de saída sejam comprometidas.
Durante descargas elétricas, a população também deve evitar áreas abertas.
Em situações de emergência, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil podem ser acionados pelos telefones 193 e 199.
Sul permanece sob atenção
A instabilidade não se limita ao território gaúcho.
Santa Catarina também registrou temporais neste sábado, incluindo uma ocorrência fatal envolvendo uma mulher atingida por um raio em uma praia.
A combinação entre elevada umidade, instabilidade atmosférica e avanço de sistemas meteorológicos mantém parte da Região Sul sob atenção.
No Rio Grande do Sul, equipes municipais e estaduais permanecem mobilizadas para atendimento às famílias atingidas, distribuição de materiais e monitoramento das áreas com maior risco.
A prioridade nas próximas horas será acompanhar a evolução das chuvas, possíveis elevações dos rios e a necessidade de novos deslocamentos de moradores.
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