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Sargento aposentado da PM é condenado a mais de 37 anos por feminicídio no Paraná

Júri de Marialva reconheceu feminicídio, motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima; crime ocorreu diante da filha do casal

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Marialva (PR), 1º de setembro de 2026 — O sargento aposentado da Polícia Militar do Paraná Haroldo Augusto da Cruz foi condenado a 37 anos, oito meses e três dias de prisão pelo feminicídio da ex-mulher, Viviane Aparecida Castro Furlan. O julgamento foi realizado no Tribunal do Júri de Marialva, no norte do estado, e terminou com a fixação do regime inicial fechado.

O crime aconteceu na madrugada de 2 de janeiro de 2024. Conforme as investigações, o réu entrou na residência onde Viviane dormia com a filha mais nova do casal e atacou a vítima com uma faca. A mulher morreu no local, enquanto a criança procurou ajuda após presenciar a violência.

Júri reconheceu quatro qualificadoras

Durante o julgamento, realizado em 27 de agosto, os jurados reconheceram as qualificadoras de feminicídio, motivo fútil, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. A decisão confirmou a acusação de que o assassinato ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero.

Segundo a investigação, Haroldo não aceitava o fim do relacionamento. A circunstância foi considerada parte central da motivação do crime. O caso mobilizou moradores da região e organizações ligadas à proteção das mulheres devido à brutalidade do ataque e à presença da filha do casal.

A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Além da gravidade das circunstâncias reconhecidas pelo Conselho de Sentença, a Justiça considerou as consequências do crime para os familiares da vítima, especialmente para a criança que presenciou o ataque.

Viviane possuía medida protetiva

Viviane havia obtido uma medida protetiva contra o ex-marido em setembro de 2023, aproximadamente quatro meses antes de ser assassinada. A determinação judicial estabelecia restrições destinadas a impedir a aproximação e o contato do investigado com a vítima.

A existência da medida protetiva reforçou o histórico de risco enfrentado por Viviane. Apesar da proteção concedida judicialmente, o crime não foi impedido, reacendendo o debate sobre a fiscalização das medidas e a necessidade de respostas rápidas diante de ameaças, perseguições e descumprimentos.

Após o ataque, Haroldo deixou o local e permaneceu foragido. Ele foi localizado cerca de uma semana depois, no município de Formosa do Oeste, também no Paraná. Durante o interrogatório, confessou o crime à Polícia Civil.

Filha tentou buscar ajuda

A filha mais nova do casal estava dentro da residência no momento do assassinato. De acordo com as informações reunidas durante a investigação, ela tentou intervir e, diante da violência, saiu para pedir auxílio. Vizinhos e equipes de emergência foram acionados, mas Viviane não resistiu aos ferimentos.

A exposição de crianças e adolescentes à violência doméstica pode provocar consequências emocionais duradouras, mesmo quando eles não são diretamente agredidos. Por esse motivo, casos como o de Marialva também exigem acompanhamento psicológico e assistência social aos familiares sobreviventes.

A preservação da identidade da criança e o tratamento responsável das circunstâncias do crime são fundamentais para impedir uma nova forma de violência contra a família da vítima.

Defesa anuncia recurso

A defesa de Haroldo Augusto da Cruz informou que recorrerá da sentença. Os advogados pretendem questionar a dosimetria, procedimento utilizado pela Justiça para determinar o tamanho da pena a partir das circunstâncias do crime e das condições analisadas durante o processo.

A apresentação do recurso não anula o veredicto do Tribunal do Júri. Caberá às instâncias superiores examinar os argumentos da defesa e decidir se a pena será mantida ou modificada. O condenado permanece sujeito ao regime fechado estabelecido na sentença.

Como denunciar a violência contra a mulher

Mulheres em situação de risco ou pessoas que tenham conhecimento de casos de violência podem procurar a Polícia Militar pelo telefone 190 em situações de emergência. O Ligue 180 funciona gratuitamente durante 24 horas, inclusive aos fins de semana e feriados, para receber denúncias e prestar orientações sobre os serviços de proteção disponíveis.

No Paraná, denúncias anônimas também podem ser realizadas pelo telefone 181. Delegacias da Polícia Civil e unidades especializadas de atendimento à mulher estão autorizadas a registrar ocorrências e solicitar medidas protetivas de urgência.

A violência pode ser física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial. Ameaças, perseguição, controle excessivo, isolamento, humilhações e descumprimento de medidas protetivas são sinais que devem ser comunicados às autoridades.


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