Lula promete decisão mais dura contra bets e governo avalia novas restrições
Lula anuncia que o governo avalia medidas mais duras contra bets, com foco em publicidade, fiscalização, endividamento e proteção das famílias.

Presidente reuniu representantes religiosos, empresariais e da sociedade civil; publicidade, fiscalização e danos às famílias estão no centro do debate.
BRASÍLIA (DF), 2 de setembro de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo deverá tomar uma decisão “mais drástica” sobre as plataformas de apostas eletrônicas. A declaração foi feita após reunião no Palácio do Planalto com representantes da sociedade civil, de entidades religiosas e de setores econômicos.
Preocupação com endividamento e dependência
O governo avalia que os custos sociais provocados pelas apostas podem superar a arrecadação gerada pelo setor. Entre os pontos levantados estão o endividamento de famílias, a dependência comportamental, a exposição de crianças e adolescentes à publicidade e a transferência de renda de consumidores para as plataformas.
Lula disse ser pessoalmente contrário às bets, mas reconheceu que uma eventual mudança exige articulação política, instrumentos de fiscalização e uma resposta ao mercado clandestino.
Mercado autorizado movimentou R$ 220 bilhões
Dados do Ministério da Fazenda indicam que as plataformas autorizadas receberam cerca de R$ 220 bilhões em depósitos ao longo de 2025. Ao mesmo tempo, o governo estima a existência de aproximadamente 60 mil sites clandestinos, número que expõe a dificuldade de bloqueio e controle.
O debate envolve medidas como endurecimento das regras de propaganda, limitação de operações, reforço das ferramentas de proteção ao consumidor, campanhas de conscientização e ampliação da assistência a pessoas com transtorno do jogo.
Decisão será discutida ainda nesta semana
O presidente informou que convocará nova reunião com integrantes do governo para avaliar propostas. A tendência é de que qualquer iniciativa busque diferenciar empresas autorizadas de operações ilegais, sem ignorar os efeitos do jogo sobre o orçamento doméstico e a saúde mental.
O setor de apostas sustenta que a regulamentação é necessária para separar plataformas legais de sites clandestinos e questiona metodologias usadas em alguns levantamentos sobre perdas. O governo, por sua vez, sinaliza que a estrutura atual de controle e proteção é insuficiente diante do tamanho do mercado.
Foto: Agência Brasil/arquivo.
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