Brasil mira indústria bilionária com segunda maior reserva de terras raras do mundo
Senado aprovou política nacional para minerais críticos e estratégicos, com previsão de até R$ 7 bilhões em incentivos; projeto segue para sanção.

Senado aprovou política nacional para minerais críticos e estratégicos, com previsão de até R$ 7 bilhões em incentivos; projeto segue para sanção.
BRASÍLIA, 6 de setembro de 2026 — Dono de uma das maiores reservas de terras raras do planeta, o Brasil tenta transformar sua riqueza mineral em uma cadeia industrial de alto valor agregado. O Senado aprovou nesta semana o Projeto de Lei 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e cria instrumentos para estimular pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos no país.
O texto foi aprovado pelo plenário do Senado em 2 de setembro e segue para sanção presidencial.
Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas
Estimativas internacionais apontam o Brasil com aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras, atrás apenas da China. Apesar da dimensão das reservas, a produção brasileira ainda é pequena diante do potencial geológico do país e da liderança chinesa no mercado mundial.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos utilizados em setores estratégicos, entre eles veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de iluminação e aplicações militares.
Política prevê até R$ 7 bilhões
Segundo o Senado Federal, o projeto aprovado prevê até R$ 7 bilhões em incentivos governamentais voltados a projetos de processamento e transformação de minerais críticos. A proposta também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República.
A estratégia busca evitar que o Brasil permaneça apenas como exportador de matéria-prima e ampliar a participação nacional nas etapas de maior valor da cadeia produtiva.
Industrialização pode multiplicar impacto econômico
Estudo da Amcham Brasil citado em análises sobre o setor estima que o desenvolvimento de uma cadeia industrial completa de minerais críticos poderia adicionar até R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto e gerar cerca de 750 mil empregos até 2050. Um modelo concentrado na exportação da matéria-prima produziria impacto econômico menor.
Além do potencial econômico, os minerais críticos ganharam relevância geopolítica por serem essenciais à transição energética, à indústria tecnológica e à defesa. A concentração mundial do processamento na China levou Estados Unidos, União Europeia e outras economias a buscar fornecedores e cadeias alternativas.
Desafio agora é transformar reserva em indústria
A dimensão das reservas coloca o Brasil em posição estratégica, mas não garante liderança industrial. O desafio envolve investimento em pesquisa geológica, tecnologia de processamento, infraestrutura, licenciamento, segurança jurídica e atração de capital.
Com o projeto aprovado pelo Congresso e encaminhado à sanção, o debate passa agora da definição da política nacional para sua capacidade efetiva de transformar recursos minerais em tecnologia, indústria, empregos e desenvolvimento econômico.
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