Lula e aliados transformam Boca Maldita em trincheira política em Curitiba
Em ato de campanha no coração de Curitiba, Lula divide palanque com Requião Filho, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, combina prestação de contas, defesa de políticas sociais e ataques a adversários e coloca a disputa pelo Paraná no centro da estratégia eleitoral.

CURITIBA (PR) — A Boca Maldita, um dos endereços mais tradicionais da política paranaense, voltou ao centro da disputa eleitoral neste sábado (12). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, reuniu apoiadores no calçadão da Rua XV de Novembro ao lado de lideranças de sua aliança no Paraná, em um ato marcado por defesa de políticas sociais, críticas a adversários e tentativa de impulsionar as candidaturas estaduais.
A mobilização colocou no mesmo palanque Requião Filho (PDT), candidato ao Governo do Paraná, e os candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). A primeira-dama Janja da Silva também acompanhou o presidente.
O encontro teve peso estratégico: além da corrida presidencial, o grupo busca ampliar sua presença no Paraná e transformar a passagem de Lula pelo Sul em tração eleitoral para as disputas pelo Palácio Iguaçu e pelas duas cadeiras do estado no Senado.
Requião Filho mira modelo de gestão do Paraná
Apresentado como o nome da aliança para o Governo do Paraná, Requião Filho concentrou sua intervenção na crítica ao atual modelo de gestão estadual. Defendeu valorização do funcionalismo, fortalecimento da saúde regionalizada e maior controle público sobre serviços e ativos considerados estratégicos.
O candidato também explorou temas sensíveis ao eleitor paranaense, como pedágios, concessões e saneamento, buscando se posicionar como alternativa ao campo político que atualmente domina o governo estadual.
Gleisi reforça agenda social e disputa pelo Congresso
Na corrida por uma das vagas ao Senado, Gleisi Hoffmann vinculou a eleição paranaense à sustentação política de um eventual novo mandato de Lula. Em sua fala, destacou programas sociais e políticas públicas associadas ao governo federal, entre elas Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, valorização do salário mínimo e geração de empregos formais.
A candidata também defendeu uma bancada no Congresso alinhada à agenda de desenvolvimento e soberania defendida pelo grupo governista.
Dr. Rosinha destaca SUS e direitos sociais
Dr. Rosinha, médico e ex-parlamentar, direcionou sua participação para saúde pública, direitos dos trabalhadores e redução das desigualdades regionais. Defendeu fortalecimento do SUS, atenção primária e ampliação do acesso a especialistas.
O candidato ao Senado também relacionou a representação paranaense em Brasília a pautas como agricultura familiar, preservação ambiental e distribuição de renda.
Lula eleva o tom sobre Banco Master e Sergio Moro
No discurso de encerramento, Lula combinou a defesa de resultados sociais e econômicos com ataques políticos. O presidente voltou a sustentar que crescimento econômico precisa chegar à população por meio de renda, comida acessível, emprego e oportunidades de formação para jovens.
Um dos trechos de maior repercussão ocorreu quando Lula abordou as investigações relacionadas ao Banco Master. O presidente defendeu ampla transparência na apuração e cobrou a divulgação dos elementos do processo, argumentando que eventuais irregularidades devem ser expostas e responsabilizadas sem proteção política.
Lula também dirigiu críticas a Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, atual senador e adversário na disputa política paranaense. Em Curitiba — cidade diretamente associada à operação e ao período em que Lula esteve preso —, o embate ganhou forte simbolismo eleitoral.
Boca Maldita volta a ser palco nacional
A escolha do local não foi casual. A Boca Maldita é historicamente um espaço de manifestações e grandes atos políticos no Paraná. Lula já havia realizado ali um dos principais comícios de sua campanha de 2022.
A preparação para o evento deste sábado incluiu esquema de segurança coordenado pela Polícia Federal e bloqueios no entorno da Praça General Osório e da região central. A instalação de tapumes na Rua XV também provocou questionamentos de representantes do comércio local antes do ato.
Disputa estadual ganha projeção
Ao reunir no mesmo evento a campanha presidencial, a candidatura de Requião Filho ao governo e os dois nomes aliados ao Senado, o grupo de Lula procurou nacionalizar parte da disputa paranaense e, ao mesmo tempo, apresentar uma chapa integrada ao eleitor.
O tamanho político do ato será medido não apenas pela presença de público, mas pelo efeito que a passagem de Lula por Curitiba terá nas próximas pesquisas e na capacidade de transferência de votos para seus aliados. No Paraná, onde a disputa presidencial e estadual apresenta características próprias, a Boca Maldita voltou a cumprir sua função histórica: servir de vitrine e termômetro da política.
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