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Missão da ONU aponta possíveis crimes de guerra dos EUA no Irã

Relatório também atribui possíveis crimes contra a humanidade ao governo iraniano durante a repressão aos protestos; conclusões não têm caráter judicial.

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GENEBRA — Uma missão independente criada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas afirmou nesta quinta-feira (17) haver “fundamentos razoáveis” para considerar crimes de guerra dois ataques atribuídos às forças dos Estados Unidos no Irã. O mesmo relatório aponta possíveis crimes contra a humanidade cometidos pelas autoridades iranianas na repressão aos protestos iniciados no fim de 2025.

As conclusões foram divulgadas pela Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre o Irã e deverão ser apresentadas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. O documento não equivale a uma sentença judicial, mas poderá subsidiar futuras investigações e processos de responsabilização.

Ataques contra escola e complexo esportivo

A investigação analisou dois bombardeios realizados em 28 de fevereiro. Um deles atingiu a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã. Segundo dados citados pela missão, mais de 150 pessoas morreram no local, entre elas cerca de 120 crianças.

Os especialistas afirmam que a escola era um objeto civil claramente identificável e que não encontraram evidências de uso militar do prédio. Para a missão, as forças norte-americanas teriam agido de forma indiscriminada e assumido conscientemente um risco elevado de atingir civis.

O segundo episódio ocorreu em Lamerd, onde um ataque contra um complexo esportivo e uma área residencial matou ou feriu 22 civis. Conforme a Associated Press, os dois ataques deixaram ao menos 178 mortos.

O governo dos Estados Unidos ainda não divulgou as conclusões da investigação conduzida pelo Pentágono sobre o bombardeio em Minab. O Comando Central norte-americano negou anteriormente ter realizado o ataque em Lamerd. As representações dos Estados Unidos e do Irã em Genebra não haviam respondido ao relatório até a divulgação inicial.

Repressão dentro do Irã

A missão também concluiu que as autoridades iranianas promoveram um ataque amplo e sistemático contra civis durante a repressão aos protestos. O relatório relaciona mortes ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, restrições à liberdade de expressão e uso crescente da pena de morte.

Os números oficiais iranianos registram 3.038 mortos e aproximadamente 25 mil feridos, mas os investigadores avaliam que o total real pode ser significativamente maior. Mais de 70 pessoas estariam sob risco iminente de execução.

Teerã tem rejeitado as acusações de violações sistemáticas e atribui os distúrbios a grupos que classifica como terroristas ou apoiados por adversários externos.

Missão pede reparação às vítimas

Os especialistas pediram que Estados Unidos e Irã interrompam as violações apontadas e ofereçam reparação integral às vítimas. A apuração foi construída a partir de entrevistas com 73 pessoas, imagens de satélite, vídeos, fotografias e documentos de organizações consideradas confiáveis pela missão.

As informações foram confirmadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pela Reuters e pela Associated Press.

Foto: ONU Genebra/Divulgação (arquivo)

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