Greve dos servidores de Araucária é suspensa após avanços em negociação com a Prefeitura
Mobilização entra em nova fase após discussões sobre mudanças na PELO nº 11/2026; servidores mantêm acompanhamento das negociações e da tramitação das propostas na Câmara.

A greve dos servidores municipais de Araucária entrou em uma nova fase nesta terça-feira (6), após avanços nas negociações entre representantes dos trabalhadores e a administração municipal. A mobilização, iniciada no fim de setembro, teve como principal ponto de conflito a Proposta de Emenda à Lei Orgânica (PELO) nº 11/2026 e projetos relacionados à estrutura administrativa e à representação dos servidores.
A decisão de suspender o movimento ocorre após sucessivas rodadas de negociação envolvendo representantes do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR), do Sindicato dos Funcionários e/ou Servidores Públicos do Município de Araucária (SIFAR), da administração municipal e de outras instituições envolvidas no impasse.
Apesar da suspensão, as entidades mantêm o acompanhamento das negociações e da tramitação das matérias no Legislativo.
PELO e autonomia do FPMA estiveram no centro das negociações
Entre os principais pontos discutidos está a PELO nº 11/2026, que propõe alterações na Lei Orgânica do Município.
Desde o início da mobilização, representantes dos servidores manifestaram preocupação especialmente com os possíveis reflexos das mudanças sobre o Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA), além de questões relacionadas à representação sindical.
Também fazem parte do conflito os projetos de Lei nº 2.839/2026 e nº 2.841/2026.
Durante as negociações, sindicatos apresentaram uma proposta alternativa de redação para dispositivos da Lei Orgânica relacionados à administração indireta e ao Fundo de Previdência.
Segundo o SISMMAR, a administração municipal reconheceu durante as discussões que o FPMA não deve estar subordinado ao Município, mas vinculado a ele na condição de autarquia integrante da administração indireta.
Prefeitura se comprometeu a apresentar nova redação
Na rodada de negociação realizada na segunda-feira (5), representantes da administração apresentaram considerações sobre o texto proposto pelos sindicatos.
Entre os encaminhamentos discutidos esteve a manutenção de parte da atual redação da Lei Orgânica e a incorporação de dispositivos destinados a reforçar garantias relacionadas à autonomia do Fundo de Previdência.
Diante das divergências ainda existentes, a administração se comprometeu a elaborar uma nova proposta de redação.
A possibilidade de alteração do texto representa uma mudança importante em relação ao cenário que levou à deflagração da greve, mas não encerra o debate sobre a matéria.
Reposição dos dias parados será negociada
Outro ponto definido durante as conversas envolve os dias de paralisação.
De acordo com o registro divulgado pelo SISMMAR, após o encerramento do movimento, Prefeitura e representantes dos trabalhadores deverão negociar a reposição dos dias parados e o cumprimento do calendário escolar.
Isso significa que o formato da reposição ainda deverá ser definido entre as partes.
Por esse motivo, não é possível afirmar neste momento que já existe um cronograma fechado para recuperação dos dias letivos.
Mediação no Ministério Público do Trabalho
A administração municipal também se comprometeu a participar de audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho (MPT), juntamente com as demais partes envolvidas.
A data da audiência ainda não havia sido definida na última atualização divulgada pelo sindicato.
A mediação poderá se tornar mais uma etapa das negociações envolvendo as reivindicações apresentadas durante a mobilização.
Suspensão não encerra acompanhamento das propostas
A suspensão da greve reduz, neste momento, os impactos da paralisação sobre os serviços públicos e a rede municipal de ensino, mas não representa o encerramento das discussões que deram origem ao movimento.
A atenção dos servidores agora se volta para a redação final das propostas negociadas e para a tramitação das matérias na Câmara Municipal.
A PELO nº 11/2026 permanece como um dos pontos centrais do impasse, e qualquer alteração deverá passar novamente pelo processo legislativo.
A evolução das negociações e a definição do texto que será levado ao Legislativo serão determinantes para saber se o acordo construído entre administração e servidores será suficiente para encerrar definitivamente o conflito.
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