Comércio do Paraná cresce 5,4% e supera média nacional, mas setores apresentam ritmos diferentes
Varejo ampliado registrou avanço na comparação com junho do ano passado; veículos, móveis e eletrodomésticos puxaram resultado, enquanto informática e comunicação tiveram forte retração

PARANÁ, 31 de agosto de 2026 — O comércio paranaense inicia a última segunda-feira de agosto com indicadores positivos. O volume de vendas do varejo ampliado cresceu 5,4% em junho na comparação com o mesmo mês de 2025, desempenho superior ao avanço de 4,9% registrado pelo Brasil.
Os números são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR).
O resultado reforça uma recuperação do setor depois de meses de oscilações e mantém o Paraná acima da média nacional em diferentes comparações. Ao mesmo tempo, os dados mostram que o desempenho não é uniforme: enquanto alguns segmentos avançam em ritmo acelerado, outros ainda enfrentam retração.
Paraná acumula crescimento no primeiro semestre
No varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos, motocicletas, peças, materiais de construção e atacado especializado de alimentos, bebidas e fumo, o Paraná acumula crescimento de 2,9% nos primeiros seis meses de 2026.
No Brasil, o avanço acumulado nesse mesmo recorte foi de 1,9%.
Quando considerado apenas o comércio varejista tradicional, o desempenho paranaense foi ainda mais expressivo. As vendas cresceram 3,9% no primeiro semestre, aproximadamente o dobro da média nacional.
Nos 12 meses encerrados em junho, o comércio varejista do Paraná acumulou alta de 3,4%, enquanto o Brasil avançou 1,6%.
Os números mantêm o Estado à frente de algumas das maiores economias brasileiras.
Veículos crescem mais de 11%
Entre os segmentos que mais contribuíram para a expansão do varejo ampliado em junho está o de veículos, motocicletas, partes e peças.
Na comparação com junho de 2025, o setor registrou crescimento de 11,3%.
Móveis e eletrodomésticos também apresentaram desempenho positivo, com alta de 8,4%.
O mesmo percentual foi registrado por artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos.
O atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo avançou 7,6%, enquanto hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram crescimento de 3,2%.
Os números demonstram uma retomada do consumo em diferentes áreas, embora ainda exista cautela por parte das famílias diante de juros elevados e do endividamento.
Livros e papelaria registram crescimento de 50%
O maior crescimento proporcional em junho ocorreu em um segmento menor, mas que chamou atenção pelo tamanho da expansão.
As vendas de livros, jornais, revistas e artigos de papelaria aumentaram 50% em relação ao mesmo mês do ano passado.
No acumulado do primeiro semestre, o setor também lidera o crescimento no Estado, com avanço de 19,2%.
Outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 8,4% entre janeiro e junho, enquanto produtos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos avançaram 5,8%.
Móveis e eletrodomésticos registraram alta de 4,1% no período.
Informática enfrenta queda
Nem todos os segmentos acompanharam o desempenho positivo.
Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação apresentaram retração de 26,8% na comparação entre junho de 2026 e junho do ano passado.
Foi a maior queda entre os segmentos analisados.
Tecidos, vestuário e calçados recuaram 1,6%, enquanto combustíveis e lubrificantes registraram redução de 1%.
No acumulado do primeiro semestre, equipamentos de escritório, informática e comunicação também aparecem com o pior resultado, com queda de 7,3%.
A diferença entre os setores revela um comportamento de consumo seletivo, no qual determinadas categorias avançam enquanto outras enfrentam dificuldades.
Comparação mensal exige cautela
Apesar do crescimento de 5,4% em relação a junho do ano passado, o comércio paranaense apresentou retração quando junho é comparado diretamente com maio deste ano.
Nesse recorte, o volume de vendas do varejo ampliado caiu 2,3% no Paraná.
No Brasil, a queda foi de 1%.
A diferença entre os dois indicadores não representa uma contradição.
A comparação anual mostra como o comércio evoluiu em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o resultado mensal mede o comportamento de junho diante do mês imediatamente anterior.
Por isso, especialistas acompanham uma combinação de indicadores para determinar se existe uma tendência consistente de crescimento.
Consumo melhora, mas cenário ainda inspira atenção
A avaliação da Fecomércio PR é de recuperação do comércio, embora a tendência para os próximos meses seja de crescimento mais moderado.
O comportamento da inflação, dos juros, do crédito e da renda das famílias continuará sendo determinante para o desempenho do varejo.
O mercado de trabalho também exerce influência direta.
Quanto maior a geração de empregos e a estabilidade da renda, maior tende a ser a capacidade de consumo das famílias. Por outro lado, juros elevados dificultam compras financiadas, especialmente de veículos, móveis, eletrodomésticos e outros bens de maior valor.
Paraná chega ao segundo semestre acima da média brasileira
Os resultados mostram que o Paraná encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho comercial superior ao observado nacionalmente.
O varejo tradicional cresceu 3,9% nos seis primeiros meses do ano, enquanto o varejo ampliado avançou 2,9%.
Em junho, especificamente, a alta de 5,4% no varejo ampliado superou a média brasileira de 4,9%.
O cenário é positivo, mas não uniforme.
A força de setores como veículos, móveis, supermercados, produtos farmacêuticos e artigos de uso pessoal contrasta com a retração registrada em informática, comunicação, vestuário e alguns outros segmentos.
O desafio para os próximos meses será transformar a recuperação observada em junho em uma trajetória mais consistente de crescimento, especialmente em um segundo semestre marcado por eleições, decisões sobre juros e mudanças no comportamento do consumidor.
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