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Eleições 2026 redesenham o poder no Brasil; PL avança no Congresso, Moro vence no Paraná e disputa presidencial vai ao 2º turno

Flávio Bolsonaro termina primeiro turno à frente de Lula, direita amplia espaço no Congresso e Sergio Moro derrota candidato apoiado por Ratinho Junior no Paraná; resultado das urnas muda correlação de forças para os próximos quatro anos

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O primeiro turno das eleições de 2026 terminou sem definir quem ocupará a Presidência da República a partir de janeiro, mas produziu uma mudança significativa na distribuição do poder político brasileiro.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno em 25 de outubro depois de uma votação apertada. Ao mesmo tempo, o PL ampliou sua presença no Congresso Nacional, conquistou a maior bancada da Câmara dos Deputados e avançou de maneira expressiva no Senado.

Nos estados, 20 governadores foram escolhidos no primeiro turno, enquanto outras disputas seguirão para uma nova votação.

No Paraná, a decisão ocorreu já no domingo. Sergio Moro (PL) superou a marca de 50% dos votos válidos e derrotou Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior, e Requião Filho (PDT).

O conjunto dos resultados deixa algumas mensagens políticas importantes. A direita ampliou sua representação parlamentar; a aprovação de Ratinho Junior não se converteu em transferência suficiente de votos para seu candidato; e o próximo presidente, seja Flávio ou Lula, encontrará um Congresso diferente daquele eleito em 2022.

FLÁVIO E LULA SEPARADOS POR CERCA DE 2,2 MILHÕES DE VOTOS

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança da disputa presidencial.

Com praticamente todas as urnas apuradas, o candidato do PL recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos.

Lula terminou em segundo, com aproximadamente 53,9 milhões de votos, ou 45,16%.

A diferença ficou próxima de 2,2 milhões de votos.

Embora pequena proporcionalmente ao tamanho do eleitorado brasileiro, a vantagem coloca Flávio em posição política relevante para o início do segundo turno: ele terminou a primeira etapa a menos de três pontos percentuais da maioria absoluta dos votos válidos.

O resultado, entretanto, está longe de significar uma eleição decidida.

Mais de 9 milhões de eleitores escolheram candidatos que ficaram fora da segunda etapa. Há ainda o contingente de eleitores que votou em branco, anulou o voto ou não compareceu às urnas.

É principalmente sobre esses grupos que Flávio e Lula concentrarão os esforços nas próximas semanas.

CURY, RENAN, CAIADO E ZEMA ENTRAM NO CENTRO DAS ARTICULAÇÕES

Augusto Cury (Avante) terminou em terceiro lugar, com aproximadamente 3,45 milhões de votos, seguido por Renan Santos (Missão), com cerca de 2,68 milhões, e Ronaldo Caiado (PSD), com aproximadamente 2,61 milhões.

Romeu Zema (Novo) ficou abaixo de 1% dos votos válidos.

Os posicionamentos desses candidatos passam agora a ter importância política, mas não necessariamente significam transferência automática de votos.

Cury, Renan e Caiado não anunciaram apoio imediato a um dos dois finalistas após a apuração. Zema sinalizou posição contrária ao PT, mas inicialmente evitou transformar a manifestação em apoio formal a Flávio.

Pelo perfil ideológico das candidaturas, Flávio tende a disputar com vantagem uma parcela do eleitorado de Zema, Caiado e Renan. O comportamento dos eleitores de Cury é menos previsível.

Essa tendência, porém, precisará ser medida pelas primeiras pesquisas realizadas depois do primeiro turno.

SEGUNDO TURNO COMEÇA COM VANTAGEM DE FLÁVIO, MAS CENÁRIO SEGUE ABERTO

A fotografia deixada pelas urnas é favorável a Flávio Bolsonaro: ele começa a nova campanha com aproximadamente 2,2 milhões de votos de vantagem.

Lula, por outro lado, entra no segundo turno com uma base superior a 53 milhões de votos, forte desempenho no Nordeste e a estrutura política de quem ocupa a Presidência da República.

Há ainda uma diferença fundamental entre primeiro e segundo turno.

Com apenas dois candidatos, a eleição passa a ser influenciada mais diretamente pela rejeição. O vencedor não será necessariamente aquele que conseguir apenas preservar a própria base, mas quem tiver maior capacidade de conquistar eleitores dos candidatos eliminados e reduzir resistência entre os indecisos.

Por isso, ainda é cedo para estabelecer uma probabilidade segura de vitória.

As primeiras pesquisas nacionais realizadas depois do primeiro turno terão peso especial para mostrar como os votos começaram a migrar.

PL SAI DAS URNAS COMO PRINCIPAL FORÇA DA CÂMARA

Se a disputa pelo Palácio do Planalto continua aberta, a eleição para o Congresso produziu um resultado mais definido.

O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027.

O partido ganhou 24 cadeiras em relação à eleição anterior.

O PT terá 70 deputados. Na sequência aparecem União Brasil, com 46; PSD, com 43; PP e Republicanos, com 41 cada; e MDB, com 36.

Considerada em conjunto, a Federação formada por PT, PCdoB e PV terá 82 deputados.

O resultado confirma um Congresso com forte presença da direita e do centro-direita.

Isso não significa, entretanto, maioria automática para um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O sistema partidário brasileiro continuará exigindo negociações com legendas como União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB.

Para Lula, caso seja reeleito, o desafio parlamentar tende a ser maior. O presidente precisaria formar maioria em um Congresso no qual partidos à sua direita ganharam peso.

MUDANÇA É AINDA MAIS EXPRESSIVA NO SENADO

A transformação política aparece de forma ainda mais acentuada no Senado.

Das 54 vagas em disputa neste ano, o PL conquistou 19. Considerando os senadores que ainda têm mandato, a projeção é de uma bancada de 28 integrantes a partir de 2027.

Será a maior representação partidária da Casa.

O PT deverá iniciar a próxima legislatura com nove senadores e o MDB, com oito. PP e União Brasil terão seis cada. PSD e Republicanos aparecem com cinco.

O PSD está entre os partidos que mais perderam espaço. A legenda, que chegou ao início da atual legislatura com 15 senadores, deverá começar 2027 com cinco.

A mudança tem consequências que vão além da votação dos projetos enviados pelo Executivo.

Cabe ao Senado analisar indicações para o Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, além de deter competência constitucional para processar pedidos de impeachment de ministros da Corte.

Com uma bancada próxima de um terço do Senado, o PL terá capacidade de articulação significativamente maior.

Isso não significa que medidas como impeachment de ministros do STF passarão automaticamente a ter votos suficientes. Mas altera a correlação de forças e torna a eleição para a Presidência do Senado ainda mais estratégica.

DIREITA E CENTRO-DIREITA AMPLIAM ESPAÇO NOS ESTADOS

Vinte estados escolheram seus governadores no primeiro turno.

Entre os resultados de maior repercussão estão as vitórias de Tarcísio de Freitas em São Paulo, Cleitinho em Minas Gerais, Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará, Raquel Lyra em Pernambuco, Luciano Zucco no Rio Grande do Sul e Sergio Moro no Paraná.

Outras disputas estaduais serão decididas no segundo turno.

O resultado mostra avanço da direita e do centro-direita em diferentes regiões, embora PT, PSD e outras forças mantenham governos importantes.

MORO ROMPE BARREIRA DOS 50% E VENCE NO PARANÁ

No Paraná, Sergio Moro encerrou a disputa no primeiro turno.

O candidato do PL recebeu aproximadamente 3,13 milhões de votos, correspondentes a 50,10% dos votos válidos.

Sandro Alex, do PSD, terminou em segundo, com aproximadamente 1,58 milhão de votos, ou 25,36%.

Requião Filho ficou próximo de Sandro, alcançando cerca de 1,47 milhão de votos, equivalentes a 23,47%.

O resultado leva Moro ao Palácio Iguaçu e encerra, a partir de janeiro, um ciclo de oito anos do grupo político liderado por Ratinho Junior no comando direto do governo estadual.

RATINHO JUNIOR PERDE A DISPUTA PELA SUCESSÃO

A derrota de Sandro Alex representa também um revés político para Ratinho Junior.

O governador entrou na eleição com elevados índices de aprovação e participou diretamente da campanha de seu candidato. A estratégia buscou associar Sandro à continuidade da administração estadual e ao legado dos últimos oito anos.

Não foi suficiente.

Depois da apuração, Ratinho reconheceu a escolha dos paranaenses, parabenizou Moro e desejou sucesso ao governador eleito.

O resultado reforçou uma característica recorrente das eleições: aprovação administrativa não significa necessariamente capacidade de transferência eleitoral.

Uma parcela do eleitorado pôde avaliar positivamente o governo Ratinho e, ao mesmo tempo, preferir Moro para o próximo ciclo.

ANALISTAS APONTAM DIFICULDADE NA TRANSFERÊNCIA DE VOTOS

Entre as avaliações apresentadas depois da eleição está a do cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná.

Uma das diferenças apontadas foi a capacidade de Moro de verticalizar o voto da direita.

O eleitor desse campo encontrou uma composição relativamente clara entre Flávio Bolsonaro para presidente, Sergio Moro para governador e candidaturas alinhadas para o Senado e eleições proporcionais.

O grupo de Ratinho Junior teve mais dificuldade para produzir o mesmo movimento.

Outro problema foi o tempo.

Moro permaneceu durante meses à frente nas pesquisas e conseguiu consolidar seu nome no campo da direita. Sandro Alex cresceu durante a campanha, mas iniciou a etapa decisiva muito distante do adversário.

Quando a estrutura governista foi mobilizada de maneira mais intensa, Moro já havia construído uma vantagem difícil de reverter.

MORO VENCE, MAS NÃO TERÁ CONTROLE DA ASSEMBLEIA

O resultado para deputado estadual impõe ao governador eleito outro desafio.

PL e PSD terão as duas maiores bancadas da Assembleia Legislativa do Paraná, com 14 deputados cada.

A Federação PT-PCdoB-PV terá oito representantes. A Federação União Progressista terá seis. Novo, Republicanos e Podemos terão três deputados cada; MDB terá dois e PDT, um.

Dos 54 deputados estaduais, 31 foram reeleitos e 23 são novos. A renovação ficou em 42,59%.

A composição significa que Moro chega ao governo fortalecido eleitoralmente, mas sem maioria própria na Alep.

Seu grupo precisará construir uma base.

Republicanos, Podemos, União Progressista e setores do PSD poderão ocupar posição decisiva nas votações de interesse do Executivo.

PSD PERDE O GOVERNO, MAS CONTINUA FORTE NA ALEP

Esse é um dos paradoxos deixados pela eleição paranaense.

Ratinho Junior não conseguiu eleger o sucessor, mas o PSD continuará sendo uma das duas maiores forças da Assembleia.

PL e PSD terão exatamente 14 deputados cada.

Moro terá, portanto, o Palácio Iguaçu e uma grande bancada, enquanto o partido do atual governador continuará dispondo de força suficiente para interferir diretamente na agenda legislativa.

A capacidade de negociação do novo governo será determinante.

Se conseguir construir uma coalizão estável, Moro poderá iniciar o mandato com condições favoráveis para implementar sua agenda.

Caso transforme a relação com o PSD e outras bancadas em confronto permanente, poderá encontrar dificuldades mesmo depois de uma vitória eleitoral expressiva.

FILIPE BARROS E DELTAN CONQUISTAM VAGAS NO SENADO

O Paraná também acompanhou o avanço da direita na eleição para o Senado.

Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, obtiveram as votações necessárias para ocupar as duas cadeiras em disputa.

A situação de Deltan, entretanto, permanece condicionada ao desfecho das questões jurídicas que ainda tramitam na Justiça Eleitoral.

Por isso, o resultado das urnas e a situação jurídica precisam ser tratados separadamente até uma definição definitiva.

A eleição de Moro para o governo também provocará alteração na atual representação do Paraná no Senado. Como seu mandato parlamentar iria até 2031, a vaga será ocupada pelo suplente.

PARANÁ RENOVA REPRESENTAÇÃO NA CÂMARA

O Paraná elegeu 30 deputados federais.

Jeffrey Chiquini, do Novo, foi o candidato mais votado do Estado, superando 423 mil votos.

PL e PT elegeram cinco deputados federais cada.

Também conquistaram vagas candidatos de diferentes campos políticos, entre eles Guilherme Kilter, Sargento Fahur, Ana Júlia, Beto Preto, Zeca Dirceu, Rosangela Moro, Aliel Machado, Renato Freitas, Delegado Matheus Laiola, Pedro Lupion, Felipe Francischini, Carol Dartora, Ricardo Barros, Leandre, Toninho Wandscheer, Sergio Souza, Delegado Francischini, Ricardo Arruda e Paulo Martins.

A composição mostra que a vitória da direita nas disputas majoritárias não eliminou a diversidade partidária na representação proporcional do Paraná.

QUEM SAIU MAIOR DAS URNAS

Nacionalmente, o PL é o principal vencedor político do primeiro turno.

O partido terá 121 deputados federais, projeta uma bancada de 28 senadores, conquistou governos estaduais importantes e ainda terminou a primeira etapa da eleição presidencial na liderança com Flávio Bolsonaro.

No Paraná, o partido acrescentou a vitória de Sergio Moro e uma das duas maiores bancadas da Assembleia Legislativa.

O Novo também obteve resultados relevantes no Estado, especialmente nas eleições proporcionais.

Entre os partidos que perderam espaço, o PSD sofreu uma retração importante no Senado e, no Paraná, não conseguiu transformar a elevada aprovação do governo Ratinho em vitória de seu candidato.

O PT preservou uma bancada expressiva no Congresso e permanece na disputa pela Presidência, mas, se Lula vencer, terá de governar diante de um Legislativo mais inclinado à direita.

UM CONGRESSO QUE PODERÁ FAVORECER FLÁVIO OU DIFICULTAR A VIDA DE LULA

A configuração do Congresso ajuda a dimensionar o peso do segundo turno.

Uma vitória de Flávio Bolsonaro colocaria no Palácio do Planalto um presidente cujo partido terá as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado.

Isso não elimina a necessidade de coalizões, mas oferece uma base de partida mais favorável.

Uma vitória de Lula produziria situação diferente.

O petista precisaria construir maioria negociando com um bloco numeroso de partidos de centro e centro-direita e enfrentaria um Senado substancialmente mais conservador.

Em qualquer cenário, o Congresso eleito terá capacidade de limitar, modificar ou acelerar a agenda do próximo governo.

ANÁLISE | AS URNAS JÁ MUDARAM O PODER, MESMO SEM ESCOLHER O PRESIDENTE

O resultado do primeiro turno permite uma conclusão antes mesmo da votação de 25 de outubro: o centro de gravidade do Congresso deslocou-se para a direita.

Essa mudança não pode ser confundida com hegemonia absoluta.

O Brasil continuará tendo um sistema multipartidário e presidentes continuarão dependendo de coalizões. Entretanto, a posição inicial para essas negociações mudou.

Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno na frente e com seu partido fortalecido no Legislativo. Lula chega praticamente empatado, mas diante da perspectiva de encontrar um Congresso mais difícil caso conquiste um novo mandato.

No Paraná, a mensagem também é relevante.

Ratinho Junior mostrou que popularidade não é sinônimo de transferência de voto. Seu governo continuará deixando influência política, especialmente pela bancada do PSD na Assembleia, mas o eleitor escolheu outro projeto para comandar o Estado.

Moro, por sua vez, obteve uma vitória eleitoral importante, mas encontrará seu primeiro teste logo depois da posse: transformar os votos recebidos nas urnas em capacidade de construir maioria política.

No plano nacional, mais de 9 milhões de votos dados aos candidatos eliminados estão novamente em disputa.

Flávio começa na frente. Lula permanece competitivo.

E, diferentemente do que ocorreu com Câmara, Senado e grande parte dos governos estaduais, a decisão mais importante das eleições de 2026 ainda está por ser tomada.

Em 25 de outubro, o eleitor escolherá não apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas qual dos dois candidatos terá de governar diante do novo mapa de poder que as urnas já desenharam.


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