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EUA e Venezuela selam acordo de petróleo por 25 anos e Trump anuncia uso das reservas venezuelanas

Entendimento prevê desenvolvimento de 17 campos petrolíferos, investimentos bilionários e meta inicial de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia; presidente norte-americano afirma que parte do petróleo será utilizada para recompor a reserva estratégica dos Estados Unidos

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WASHINGTON/CARACAS, 30 de agosto de 2026 — Um acordo energético de grande alcance entre Estados Unidos e Venezuela ganhou novos contornos neste domingo (30) e colocou novamente o petróleo venezuelano no centro da geopolítica mundial. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou que o entendimento terá duração de 25 anos, enquanto o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que pretende utilizar petróleo obtido por meio do acordo para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.

O projeto prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos considerados estratégicos e estabelece como objetivo inicial elevar a produção vinculada ao acordo para mais de 1,5 milhão de barris por dia.

Também está prevista a exploração futura de oito novas áreas ainda não desenvolvidas.

O entendimento representa uma mudança profunda na relação entre Washington e Caracas e poderá alterar o mercado internacional de energia caso os investimentos previstos consigam recuperar parte da capacidade produtiva da Venezuela.

Venezuela estima receita bilionária

Segundo Delcy Rodríguez, o acordo poderá gerar aproximadamente US$ 209 bilhões em receitas para o Estado venezuelano ao longo de sua execução, considerando como referência um barril de petróleo cotado a US$ 65.

A presidente interina afirmou que aproximadamente US$ 19 por barril produzido e comercializado dentro da nova estrutura deverão retornar diretamente aos cofres venezuelanos.

Caracas sustenta que mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais, apesar da forte participação norte-americana prevista na exploração.

O governo venezuelano apresenta o acordo como uma oportunidade para reconstruir uma indústria que perdeu capacidade de produção ao longo de décadas marcadas por falta de investimentos, dificuldades administrativas, deterioração de infraestrutura e sanções internacionais.

Trump fala em acesso a mais de 65 bilhões de barris

Donald Trump anunciou anteriormente que os Estados Unidos garantiram participação majoritária na exploração relacionada a mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas venezuelanas por meio de uma parceria envolvendo empresas privadas.

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Apesar desse enorme potencial, o país produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris por dia, volume muito inferior à capacidade registrada em décadas anteriores.

O desafio agora será transformar reservas subterrâneas em produção efetiva.

Grande parte da infraestrutura petrolífera venezuelana necessita de modernização, investimentos em equipamentos, recuperação de campos, manutenção de oleodutos e melhorias em refinarias.

Por esse motivo, especialistas avaliam que os efeitos mais expressivos do acordo não deverão aparecer imediatamente.

Petróleo venezuelano deverá abastecer reserva estratégica dos EUA

Neste domingo, Trump anunciou outra finalidade para o acordo.

Segundo o presidente, parte do petróleo venezuelano deverá ser direcionada para a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.

A reserva possuía aproximadamente 290 milhões de barris em 21 de agosto, nível próximo do menor registrado em 44 anos.

Os estoques estratégicos norte-americanos foram reduzidos ao longo dos últimos anos para enfrentar crises internacionais de abastecimento e períodos de forte elevação nos preços dos combustíveis.

Foram realizados saques durante diferentes governos, especialmente diante das consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, da instabilidade provocada pelo conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

A Reserva Estratégica funciona como uma espécie de seguro energético do país.

Em momentos de interrupção da oferta mundial, Washington pode liberar petróleo desses estoques para reduzir o impacto de crises sobre o abastecimento interno.

Acordo também mira preço dos combustíveis

Além da segurança energética, a operação tem uma dimensão econômica e política importante para o governo norte-americano.

A ampliação da oferta de petróleo venezuelano poderá, no longo prazo, ajudar a aumentar a disponibilidade de petróleo pesado utilizado por diversas refinarias dos Estados Unidos.

Trump enfrenta pressão para controlar os preços dos combustíveis em um período de elevada instabilidade no mercado mundial de energia.

A guerra no Oriente Médio e as dificuldades de circulação pelo Estreito de Ormuz mantêm o petróleo sujeito a fortes oscilações.

Nesse cenário, uma Venezuela novamente capaz de produzir grandes volumes poderia se tornar uma alternativa estratégica de abastecimento muito próxima geograficamente do mercado norte-americano.

Chevron pode ampliar presença no país

Empresas internacionais também acompanham de perto a nova etapa da abertura venezuelana.

A norte-americana Chevron está entre as companhias que negociam a adaptação de suas operações existentes para o novo modelo regulatório do setor de petróleo da Venezuela.

Caracas deverá conceder novos direitos de exploração e produção a diversas empresas.

A retomada, entretanto, dependerá das condições contratuais oferecidas, da estabilidade política, da segurança jurídica e da capacidade de recuperação da infraestrutura.

A indústria venezuelana viveu durante anos sob forte controle estatal e enfrentou sucessivas restrições para receber investimentos estrangeiros.

A nova estrutura representa uma tentativa de reverter esse processo por meio da entrada de capital, tecnologia e capacidade operacional internacionais.

Acordo provoca manifestações em Caracas

A aproximação com Washington também produz resistência dentro da Venezuela.

Grupos ligados ao governo realizaram manifestações em Caracas contra o aumento da presença norte-americana no setor energético.

A questão da soberania sobre o petróleo possui enorme peso histórico e político no país.

Por isso, Delcy Rodríguez procurou enfatizar que a Venezuela continuará proprietária dos recursos naturais e que o acordo envolve cooperação para exploração, tecnologia e investimentos, e não transferência definitiva das reservas.

O debate sobre soberania deverá acompanhar todo o processo de implementação.

Muito petróleo, mas recuperação levará tempo

O tamanho das reservas venezuelanas torna o acordo potencialmente transformador, mas existe uma diferença importante entre possuir petróleo no subsolo e conseguir produzi-lo de maneira competitiva.

A recuperação dos campos exige bilhões de dólares.

Também serão necessários novos equipamentos, tecnologia, profissionais especializados, recuperação de refinarias e melhoria de estruturas portuárias e de transporte.

Por isso, ainda não existe certeza sobre quanto tempo será necessário para a Venezuela atingir a meta superior a 1,5 milhão de barris diários prevista exclusivamente para os projetos vinculados ao acordo.

O próprio mercado deverá acompanhar de perto quais empresas efetivamente participarão da operação e quanto capital será disponibilizado.

Petróleo volta a redesenhar a relação entre Washington e Caracas

Durante anos, Estados Unidos e Venezuela mantiveram uma relação marcada por sanções, acusações, isolamento diplomático e profundas divergências políticas.

Agora, o petróleo está criando uma nova etapa dessa relação.

Para Washington, o acordo oferece acesso a uma das maiores reservas energéticas do mundo, possibilidade de ampliar a segurança do abastecimento e uma nova fonte para recompor os estoques estratégicos.

Para Caracas, representa a possibilidade de atrair capital estrangeiro, aumentar a produção e recuperar receitas fundamentais para uma economia profundamente dependente do petróleo.

O resultado dependerá da capacidade de transformar o anúncio político em investimentos e produção real.

Mas a dimensão dos números envolvidos — 25 anos de acordo, 17 campos estratégicos, oito novas áreas de exploração e mais de 65 bilhões de barris associados aos projetos anunciados — já coloca o entendimento entre Venezuela e Estados Unidos entre os movimentos energéticos mais importantes dos últimos anos.

Em um momento em que guerras e disputas geopolíticas voltaram a colocar a segurança energética no centro das decisões das grandes potências, as gigantescas reservas venezuelanas recuperam uma importância estratégica que ultrapassa as fronteiras da América do Sul.


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