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Inflação cai 0,40% no Brasil e 0,82% em Curitiba; veja o que realmente ficou mais barato

Conta de luz, tomate, batata, cenoura, passagens aéreas e combustíveis puxaram preços para baixo em agosto; Curitiba teve a maior deflação entre as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE

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BRASIL – O brasileiro teve algum alívio no bolso em agosto. A prévia da inflação oficial registrou deflação de 0,40%, mostrando que, na média, os preços pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram menores do que no mês anterior.

O resultado do IPCA-15 foi o mais baixo desde agosto de 2022, quando o indicador havia recuado 0,73%. Em julho deste ano, a prévia da inflação havia registrado alta de 0,06%.

E para quem vive em Curitiba e na Região Metropolitana, o movimento foi ainda mais intenso.

A área de Curitiba apresentou queda de 0,82% nos preços, o maior recuo entre todas as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE em agosto.

Mas a pergunta que interessa para quem vai ao supermercado, abastece o carro ou paga as contas todos os meses é outra:

a inflação caiu, mas o consumidor realmente sentiu isso no bolso?

Em alguns produtos e serviços, sim. Em outros, os preços continuam subindo.

Conta de luz foi a principal responsável pela queda

Nenhum item teve impacto maior sobre a inflação de agosto do que a energia elétrica residencial.

Na média nacional, a conta de luz ficou 6,25% mais barata.

O principal motivo foi a incorporação do Bônus de Itaipu, desconto creditado nas faturas de consumidores durante agosto.

Sozinha, a energia elétrica retirou aproximadamente 0,26 ponto percentual do IPCA-15.

Em Curitiba, a energia residencial apresentou recuo de 4,83%.

Isso ajuda a explicar por que a capital paranaense teve uma queda de preços maior do que a média brasileira.

O efeito, entretanto, merece uma ressalva: parte dessa redução decorre de um desconto específico aplicado às contas, o que significa que não necessariamente representa uma queda permanente no custo da energia.

Tomate despenca mais de 27%

A segunda boa notícia veio do supermercado.

O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,57% em agosto.

Quando são considerados apenas os alimentos consumidos dentro de casa, a redução foi ainda maior: 0,97%.

Alguns produtos tiveram quedas expressivas.

O que ficou mais barato

Tomate: -27,38%

Batata-inglesa: -25,14%

Cenoura: -17,05%

Café moído: -2,31%

Para uma família que compra regularmente frutas, verduras, legumes e alimentos básicos, algumas dessas reduções podem ser percebidas diretamente no carrinho.

É importante, porém, colocar os números em perspectiva.

Uma queda mensal de 25% na batata, por exemplo, não significa necessariamente que o produto esteja barato quando comparado a vários meses atrás. Ela indica apenas que seu preço médio caiu fortemente em relação ao período anterior pesquisado.

Nem tudo no supermercado ficou mais barato

Enquanto verduras e alguns alimentos recuaram, outros itens continuaram pressionando o orçamento.

O leite longa vida, por exemplo, subiu 3,41% em agosto.

As frutas avançaram 3,11%.

Além disso, comer fora de casa continuou ficando mais caro.

A alimentação fora do domicílio aumentou 0,42%.

O preço do lanche subiu 0,75%, enquanto as refeições avançaram aproximadamente 0,25%.

Ou seja: preparar a comida em casa ficou, na média, mais barato, mas restaurantes e lanchonetes continuaram apresentando aumento de preços.

Gasolina, etanol e diesel também recuaram

O motorista também encontrou algum alívio.

Os combustíveis tiveram queda média de 1,43%.

Entre eles:

Etanol: -3,63%

Gasolina: -1,23%

Óleo diesel: -0,71%

O gás veicular foi exceção e apresentou aumento.

A redução nos combustíveis ajudou o grupo Transportes a cair 1% no mês.

Passagem aérea despenca

Para quem precisou viajar de avião, agosto também trouxe uma redução importante.

As passagens aéreas ficaram, em média, 13,30% mais baratas no Brasil.

Em Curitiba, a queda foi ainda maior: 15,34%.

Passagens aéreas e energia elétrica foram justamente os dois itens que mais contribuíram para Curitiba apresentar a maior deflação entre as regiões analisadas.

Curitiba teve a maior queda entre as regiões pesquisadas

Todas as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE registraram inflação negativa em agosto.

Curitiba liderou o movimento:

Curitiba: -0,82%

Na sequência apareceram regiões como Belém e Salvador.

Na outra ponta, São Paulo apresentou queda bem menor, de aproximadamente 0,06%, ficando praticamente estável.

O desempenho curitibano reforça que a inflação nacional não acontece de maneira uniforme.

Os preços podem subir em uma cidade e cair em outra, dependendo de fatores como tarifas públicas, combustíveis, transportes, alimentos e características do mercado regional.

Mas alguns grupos continuam subindo

A deflação de agosto não significa que todos os preços estejam caindo.

Dos nove grandes grupos pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram redução e quatro registraram aumento ou praticamente estabilidade.

Grupos que ficaram mais baratos

Habitação: -1,41%

Transportes: -1,00%

Alimentação e bebidas: -0,57%

Vestuário: -0,20%

Comunicação: -0,02%

Grupos que ficaram mais caros

Despesas pessoais: +0,66%

Educação: +0,46%

Saúde e cuidados pessoais: +0,40%

Artigos de residência: +0,04%

Entre os serviços que seguem pressionando o orçamento estão despesas pessoais, saúde, planos de saúde, educação e alimentação fora de casa.

Então por que muita gente ainda acha tudo caro?

Porque deflação não significa que os preços voltaram aos valores de anos atrás.

Esse é um ponto fundamental para compreender os números.

Imagine um produto que custava R$ 10, passou para R$ 15 depois de vários aumentos e agora caiu para R$ 14.

Ele teve deflação no último período, mas continua 40% mais caro do que quando custava R$ 10.

É por isso que pode existir uma diferença entre o índice estatístico e a percepção do consumidor.

O IPCA-15 mede a variação dos preços, e não se os produtos estão baratos ou caros em termos absolutos.

Inflação em 12 meses cai para 4,24%

Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% em 2026.

Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada caiu de 4,52% para 4,24%.

O número chama atenção porque fica abaixo do limite superior de 4,5% da faixa de tolerância definida para a meta de inflação.

A meta central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Vale lembrar, entretanto, que a meta oficial é acompanhada pelo IPCA cheio, e não diretamente pelo IPCA-15.

O IPCA-15 funciona como uma espécie de antecipação da tendência dos preços.

E os juros?

Uma inflação mais comportada também interessa a quem tem financiamento, cartão de crédito, empréstimos ou pretende comprar a prazo.

Isso acontece porque os índices de preços são um dos principais fatores observados pelo Banco Central na definição da taxa Selic.

Uma trajetória consistente de desaceleração da inflação pode abrir espaço para novos cortes nos juros.

Mas uma única deflação mensal não é suficiente para determinar a política monetária.

O Banco Central acompanha também inflação de serviços, atividade econômica, câmbio, mercado de trabalho, expectativas futuras e riscos internacionais.

Por isso, o resultado de agosto é positivo, mas não significa automaticamente uma queda acelerada dos juros.

IPCA-15 não é a inflação oficial definitiva de agosto

Existe ainda uma diferença importante.

O índice divulgado agora é o IPCA-15, conhecido como prévia da inflação.

Ele utiliza praticamente a mesma metodologia do IPCA oficial, porém com um período diferente de coleta.

Para esta divulgação, os preços foram pesquisados entre 16 de julho e 14 de agosto.

O índice acompanha uma cesta de centenas de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

São pesquisadas regiões metropolitanas de:

Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

O IPCA oficial de agosto será divulgado pelo IBGE em 11 de setembro.

O que realmente muda para o consumidor

Os números de agosto representam uma notícia positiva, especialmente porque mostram redução simultânea em três despesas importantes para as famílias: energia, alimentação dentro de casa e transporte.

Em Curitiba, o alívio estatístico foi ainda maior.

Mas o resultado não significa que tenha ocorrido uma redução generalizada do custo de vida.

Enquanto tomate, batata, cenoura, combustível e energia ficaram mais baratos, serviços, refeições fora de casa, saúde e outras despesas continuaram subindo.

O desafio daqui para frente será saber se essa queda representa apenas um mês excepcional, influenciado pelo Bônus de Itaipu e por oscilações sazonais dos alimentos, ou se será parte de uma tendência mais duradoura de desaceleração dos preços.

Para o consumidor, a diferença é simples: não basta a inflação cair no indicador — o alívio precisa chegar de forma consistente à conta de luz, ao supermercado, ao posto e ao orçamento familiar.

O Portal Conexão Geral continuará acompanhando os indicadores de preços e seus reflexos na economia e no bolso do consumidor.


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