Mercado reage à reeleição de Lula: dólar dispara e Bolsa aciona circuit breaker
Na primeira sessão após o segundo turno, dólar abriu acima de R$ 5,40 e a B3 interrompeu temporariamente as negociações após queda acentuada do Ibovespa.

Atualizado em 26 de outubro de 2026, às 11h.
O mercado financeiro brasileiro abriu a semana sob forte pressão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada na noite de domingo (25). O dólar comercial chegou a avançar 8,7% na abertura, negociado em torno de R$ 5,42, enquanto a Bolsa brasileira acionou o mecanismo de interrupção temporária das negociações, conhecido como circuit breaker.
Segundo a Folha de S.Paulo, o circuit breaker foi acionado às 10h11 desta segunda-feira, quando a queda do Ibovespa atingiu o patamar de 10% em relação ao fechamento anterior. O mecanismo suspende as negociações por 30 minutos para conter movimentos abruptos e permitir que o mercado assimile informações.

Por que os ativos reagiram?
Analistas ouvidos pela imprensa apontam que parte dos investidores esperava uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), associada por esses agentes à possibilidade de uma política fiscal mais restritiva. A confirmação da vitória de Lula levou investidores a rever posições em ações, câmbio e contratos de juros.
A Folha informou que, por volta das 9h10, o dólar avançava 8,71%, a R$ 5,424. No mercado de juros futuros, as taxas também subiam, refletindo maior prêmio de risco exigido pelos investidores. Os dados são de momentos específicos da manhã e podem mudar ao longo do pregão.
O que preocupa os investidores
Entre os fatores citados por analistas estão as perspectivas para as contas públicas, a trajetória da dívida, o ritmo de crescimento e a capacidade do governo de negociar medidas econômicas com o Congresso. Juros futuros mais altos podem encarecer o crédito para empresas e famílias e pressionar decisões de investimento.
A reação inicial não significa, por si só, que a economia seguirá uma trajetória determinada. Os preços dos ativos refletem expectativas e podem oscilar conforme anúncios do governo, indicadores econômicos e decisões de política fiscal e monetária. O comportamento dos mercados nos próximos dias dependerá também da liquidez, do cenário internacional e da avaliação das medidas que serão apresentadas pelo governo.
O que acompanhar nesta semana
Investidores devem acompanhar a reabertura das negociações após a suspensão, o comportamento do dólar e dos juros, as manifestações da equipe econômica e os indicadores previstos no Brasil e no exterior. O Banco Central, por sua vez, segue responsável pela condução da política monetária dentro de seu mandato institucional.
Os números citados nesta reportagem correspondem ao início do pregão de 26 de outubro e não representam necessariamente as cotações de fechamento.
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