Messi se despede da seleção argentina e encerra uma das maiores histórias do futebol mundial
Aos 39 anos, capitão anuncia aposentadoria da Albiceleste após 21 anos, 207 partidas, 125 gols, uma Copa do Mundo e duas Copas América; notícia provoca homenagens e comoção na Argentina

BUENOS AIRES, 31 de agosto de 2026 — Chegou ao fim uma das trajetórias mais marcantes da história do futebol. Lionel Messi anunciou nesta segunda-feira (31) sua aposentadoria da seleção argentina, encerrando um ciclo de 21 anos com a camisa que transformou um menino de Rosario em capitão, campeão mundial e símbolo de uma geração inteira.
Aos 39 anos, Messi deixa a Albiceleste como o jogador que mais vezes vestiu a camisa argentina e também como seu maior goleador: foram 207 partidas e 125 gols pela seleção principal.
A despedida aconteceu por meio de uma carta publicada nas redes sociais. Não houve uma partida de despedida nesta segunda-feira. Seu último jogo pela Argentina foi a final da Copa do Mundo de 2026, em 19 de julho, quando a seleção perdeu por 1 a 0 para a Espanha após a prorrogação.
Pouco mais de um mês depois daquela decisão, Messi tornou pública uma escolha que vinha amadurecendo desde o Mundial.
“Foi uma decisão que doeu e ainda dói na alma”, escreveu o camisa 10.
Carta foi escrita dois dias depois da final da Copa
A própria Associação do Futebol Argentino revelou que Messi havia escrito a mensagem de despedida em 21 de julho, apenas dois dias depois da derrota para a Espanha na final do Mundial.
O jogador, porém, decidiu guardar o texto.
Segundo a AFA, a morte de seu pai, Jorge Messi, em 8 de agosto, reforçou a decisão de encerrar a trajetória internacional.
Na carta, Messi afirma que chegou ao momento de fechar uma etapa da vida e reconhece que uma nova geração precisa ocupar espaço na seleção.
Ele também agradece à família, aos treinadores, companheiros, dirigentes e aos torcedores que o acompanharam durante duas décadas.
Ao final, deixou uma frase que rapidamente ganhou enorme repercussão na Argentina:
“Obrigado, Deus, por me fazer argentino.”
Uma relação que começou difícil e terminou em idolatria
A história de Messi com a seleção argentina nem sempre foi marcada por conquistas.
Durante anos, o craque enfrentou comparações constantes com Diego Maradona e críticas pela diferença entre seu extraordinário desempenho no Barcelona e os resultados obtidos inicialmente com a camisa da Argentina.
A derrota para a Alemanha na final da Copa do Mundo de 2014 foi um dos capítulos mais dolorosos.
Depois vieram outras frustrações nas decisões da Copa América de 2015 e da Copa América Centenário, em 2016.
Após a derrota para o Chile em 2016, Messi chegou a anunciar pela primeira vez sua saída da seleção.
A aposentadoria, porém, durou pouco.
Convencido a retornar, iniciou uma segunda etapa que mudaria definitivamente sua relação com o país.
Copa América de 2021 mudou a história
A virada aconteceu em 2021.
No Maracanã, diante do Brasil, a Argentina venceu a final da Copa América por 1 a 0 e Messi conquistou seu primeiro grande título pela seleção principal.
A imagem dos companheiros correndo para abraçá-lo depois do apito final simbolizou o fim de uma longa espera.
No ano seguinte, a Argentina venceu a Itália na Finalíssima, em Wembley.
Mas faltava aquilo que durante décadas representou a principal cobrança sobre Messi.
A Copa do Mundo.
Qatar transformou Messi definitivamente em ídolo nacional
Em dezembro de 2022, no Qatar, Messi conduziu a Argentina ao terceiro título mundial.
Depois de uma final histórica contra a França, decidida nos pênaltis, levantou a Copa do Mundo no Estádio de Lusail.
O título encerrou qualquer debate dentro da Argentina sobre sua dimensão histórica.
Messi deixou de ser apenas o grande jogador que ainda precisava conquistar uma Copa pelo país.
Passou a ser o capitão que devolveu a Argentina ao topo do mundo depois de 36 anos.
Milhões de pessoas ocuparam as ruas de Buenos Aires para receber a seleção.
A imagem de Messi levantando a taça se tornou uma das fotografias mais emblemáticas da história recente do esporte.
Ainda veio outra Copa América
Dois anos depois, a geração liderada por Lionel Scaloni e Messi voltou a conquistar a Copa América.
O título de 2024 confirmou a Argentina como uma das grandes potências daquele ciclo.
Com Messi como capitão, a seleção conquistou três grandes títulos consecutivos entre 2021 e 2024: Copa América, Copa do Mundo e novamente Copa América, além da Finalíssima.
O camisa 10 passou a representar uma das eras mais vencedoras da seleção argentina.
Mundial de 2026 seria o último capítulo
Mesmo aos 39 anos, Messi decidiu disputar mais uma Copa do Mundo.
A Argentina chegou novamente à final.
O sonho de conquistar dois Mundiais consecutivos terminou diante da Espanha, que venceu a decisão por 1 a 0 na prorrogação.
Aquela partida, agora oficialmente, entrou para a história como a última de Lionel Messi pela seleção.
A fotografia do jogador usando novamente a camisa 10 argentina na decisão adquiriu nesta segunda-feira um significado diferente.
Era o último ato competitivo de uma trajetória iniciada em 2005.
Da expulsão na estreia ao topo do mundo
O primeiro jogo de Messi pela seleção principal ocorreu em agosto de 2005, contra a Hungria.
A estreia ficou marcada por uma situação improvável: o jovem atacante entrou no segundo tempo e foi expulso poucos segundos depois.
Dificilmente alguém naquela noite imaginaria tudo o que viria depois.
Messi disputaria seis Copas do Mundo, quebraria praticamente todos os grandes recordes da seleção argentina e se tornaria o maior artilheiro da história do país.
Sua trajetória também incluiu o título mundial Sub-20 de 2005 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
Argentina amanheceu com um jogador e terminou o dia com uma lenda aposentada
O anúncio provocou forte reação no país.
A Associação do Futebol Argentino publicou uma série de homenagens ao capitão e resumiu sua mensagem em duas palavras: “Gracias, Capitán”.
Torcedores também reagiram nas ruas e nas redes sociais.
Em Buenos Aires, murais e imagens de Messi ganharam novo significado nesta segunda-feira, enquanto argentinos lamentavam o fim da trajetória e agradeciam pelas conquistas proporcionadas pelo jogador.
Ex-companheiros também publicaram homenagens.
Ángel Di María, Rodrigo De Paul, Enzo Fernández e Lautaro Martínez estão entre os jogadores que destacaram não apenas os títulos, mas a liderança e a influência de Messi dentro do grupo.
A Fifa também prestou homenagem ao argentino.
A camisa 10 fica; a referência permanece
A Argentina agora enfrenta uma pergunta inevitável: como será a seleção sem Lionel Messi?
Uma nova geração já ocupa posições importantes no time.
Jogadores que conviveram durante anos com o camisa 10 terão agora a responsabilidade de liderar a equipe.
A camisa número 10 continuará existindo.
Mas quem a vestir encontrará um peso simbólico enorme.
Porque, durante mais de duas décadas, aquele número esteve associado a um jogador que mudou a história da seleção.
Messi não abandona o futebol
A aposentadoria anunciada nesta segunda-feira é exclusivamente da seleção argentina.
Messi continuará atuando profissionalmente.
Ele permanece vinculado ao Inter Miami, dos Estados Unidos, e continua competindo no futebol de clubes.
Curiosamente, apenas um dia antes de anunciar a aposentadoria internacional, o argentino voltou a demonstrar sua capacidade dentro de campo ao marcar quatro gols e dar uma assistência na vitória do Inter Miami por 7 a 1 sobre o Montreal pela MLS.
A carreira continua.
Mas não haverá mais Messi vestindo oficialmente a camisa da seleção argentina.
De criticado a eterno
Poucos jogadores tiveram uma relação tão complexa com sua própria seleção.
Messi conheceu a crítica, a frustração e a derrota.
Perdeu finais, anunciou uma aposentadoria, voltou atrás e continuou tentando.
Depois venceu.
Conquistou a América, o mundo e, principalmente, a relação definitiva com o torcedor argentino.
Sua despedida não acontece apenas pelas estatísticas.
Os 207 jogos e os 125 gols explicam parte de sua grandeza.
Os títulos explicam outra.
Mas talvez o maior legado esteja no caminho percorrido entre as lágrimas das derrotas e a imagem de Messi levantando a Copa do Mundo diante de milhões de argentinos.
Lionel Messi deixa a seleção como campeão mundial, bicampeão da Copa América, capitão e maior artilheiro de sua história.
A seleção argentina continuará.
O futebol também.
Mas uma era terminou nesta segunda-feira.
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