Senado aprova fim da escala 6×1 e prevê jornada de 40 horas semanais sem redução salarial
PEC aprovada em dois turnos por 75 votos a 1 prevê duas folgas remuneradas por semana e transição gradual para a nova jornada; promulgação ainda é necessária.

Decisão amplia o descanso semanal e reduz gradualmente o limite de trabalho de 44 para 40 horas; mudança ainda depende de promulgação para começar a produzir efeitos.
O Senado Federal aprovou, na noite de quarta-feira (14), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6×1. O texto recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada votação e segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
A proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. A transição será gradual: 60 dias após a promulgação, o limite semanal cairá para 42 horas; depois de mais 12 meses, chegará a 40 horas. A mudança deverá alcançar contratos de trabalho em vigor, conforme as regras previstas no texto.
O que muda para os trabalhadores
Na prática, a medida busca substituir a rotina de seis dias de trabalho por um de descanso por uma organização semanal com dois dias de repouso. A mudança pode ampliar o tempo disponível para convivência familiar, estudo, lazer e recuperação física, especialmente em atividades nas quais a escala 6×1 é comum, como comércio, alimentação e serviços.
A implementação, porém, não é imediata. A PEC precisa ser promulgada e as empresas terão de adaptar escalas, turnos e acordos coletivos aos novos limites. O texto também prevê que uma lei complementar estabeleça medidas transitórias para ajudar microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte a enfrentar eventuais impactos.
Impactos econômicos entram no debate
Defensores da proposta sustentam que o descanso adicional pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o desgaste associado a jornadas extensas. Representantes empresariais, por outro lado, levantam preocupações com custos de contratação, reorganização de equipes e funcionamento de setores que operam todos os dias.
O desafio será conciliar a proteção ao trabalhador com a capacidade de adaptação dos diferentes segmentos econômicos. Os efeitos dependerão também da forma como cada atividade reorganizará turnos, folgas e atendimento, respeitando os limites constitucionais e as regras que vierem a ser regulamentadas.
Votação em meio à disputa eleitoral
A aprovação ocorre em um período de intensa disputa política nacional, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial. A pauta tem forte apelo social e foi reivindicada por movimentos de trabalhadores, mas o apoio amplo no Senado também evidencia que o tema ultrapassou as fronteiras partidárias.
A decisão legislativa não encerra, contudo, a discussão sobre a execução prática da mudança. A promulgação, a regulamentação complementar e a adaptação das relações de trabalho serão etapas decisivas para determinar como a nova jornada chegará ao cotidiano dos brasileiros.
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