Israel conclui apuração e Netanyahu fica sem maioria; negociações podem redefinir governo
Resultado final das eleições deixa o bloco do primeiro-ministro com 53 das 120 cadeiras do Parlamento. Oposição e partidos árabes somam caminhos possíveis, mas a formação de uma maioria exige negociações complexas.

Encerrada a votação, a política israelense entrou em uma etapa decisiva: transformar a distribuição de forças no Parlamento em uma coalizão capaz de governar. O sistema parlamentar do país exige acordos entre partidos, e a formação de maiorias costuma depender de negociações que envolvem divergências ideológicas, religiosas e de segurança nacional.
O resultado não provoca uma troca imediata de governo. Netanyahu permanece como primeiro-ministro enquanto o processo institucional avança e as forças políticas tentam construir uma coalizão capaz de sustentar uma administração. A disputa agora deixa de se concentrar apenas na contagem dos votos e passa a envolver acordos programáticos, concessões e a definição de quem terá condições de reunir apoio parlamentar estável.
Oposição precisa decidir se negocia com partidos árabes
O principal desafio está na composição de uma maioria alternativa. Os partidos de oposição, que juntos conquistaram 48 cadeiras, podem buscar apoio das legendas árabes, que obtiveram 19 assentos. Essa possibilidade tem peso histórico e político: a cooperação entre partidos sionistas e representantes árabes já ocorreu em circunstâncias anteriores, mas continua sendo tema sensível em uma sociedade profundamente dividida por questões de segurança, identidade nacional e o conflito israelo-palestino.
Outra possibilidade seria uma coalizão de unidade que envolvesse setores hoje adversários de Netanyahu. Esse caminho, porém, poderia produzir um governo instável, especialmente porque parte da oposição fez da substituição do atual primeiro-ministro um eixo central de sua campanha. A matemática parlamentar abre alternativas, mas nenhuma delas está livre de contradições políticas.
Acusações sobre a votação não alteraram o resultado
Nas horas que antecederam a divulgação do resultado final, Netanyahu e integrantes do Likud ampliaram acusações de que partidos árabes teriam obtido vantagem indevida ou recebido ajuda externa. As alegações provocaram reação da oposição e elevaram a tensão política. A comissão eleitoral israelense, entretanto, afirmou que as denúncias de violações sistemáticas da integridade do processo não tinham fundamento e que a investigação de segurança em curso não modificava a totalização dos votos.
O episódio evidencia um risco adicional para o período de formação do governo: a contestação política do resultado pode aprofundar a desconfiança entre grupos sociais e dificultar a construção de acordos. Até o momento, as autoridades eleitorais não reconheceram evidências de fraude sistemática que justifiquem alterar a distribuição das cadeiras.
Próximas etapas institucionais
Os resultados ainda precisam ser formalmente certificados e encaminhados ao presidente Isaac Herzog. A partir daí, caberá ao chefe de Estado encarregar um líder político de tentar formar o novo governo. A nova Knesset tem previsão de iniciar seus trabalhos em 10 de novembro. Se as tentativas de composição fracassarem, Israel poderá enfrentar outra eleição já no início do próximo ano.
A perda da maioria também tem implicações para o futuro político de Netanyahu. Caso deixe o cargo, o primeiro-ministro poderá enfrentar nova pressão em torno das acusações de corrupção que o acompanham e das investigações sobre falhas de segurança anteriores ao ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Esses desdobramentos, contudo, dependem do resultado das negociações e dos procedimentos legais pertinentes.
O quadro, portanto, ainda está em aberto. A eleição definiu a distribuição das cadeiras, mas não resolveu quem governará. A capacidade de formar uma coalizão que reúna 61 parlamentares será o principal teste político das próximas semanas.
Imagem: edifício da Knesset, Parlamento de Israel. Foto: Leif Knutsen/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.
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