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Líder do Irã ameaça resposta sem limites geográficos a eventual ataque dos Estados Unidos ou de Israel

Mojtaba Khamenei determinou atualização da lista de alvos militares, enquanto diplomacia discute proposta para reabrir o Estreito de Ormuz e evitar nova escalada.

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O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (31) que qualquer ameaça dos Estados Unidos ou de Israel deverá receber uma resposta imediata, sem restrições geográficas. A declaração eleva o tom da retórica militar em um momento no qual interlocutores internacionais tentam evitar a retomada de uma guerra em larga escala no Oriente Médio.

Segundo informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana, Khamenei fez a advertência durante uma reunião com comandantes militares. Ele também teria determinado a atualização da lista de possíveis alvos ligados aos dois países. A orientação sinaliza que Teerã pretende manter capacidade de reação e ampliar o alcance de sua estratégia de dissuasão.

Estreito de Ormuz volta ao centro das negociações

Enquanto a liderança iraniana endurece o discurso militar, o governo também mantém contatos diplomáticos. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que mediadores apresentaram uma proposta que poderia permitir a reabertura integral do Estreito de Ormuz em até dois dias. Uma delegação iraniana está em Doha, no Catar, para conversas relacionadas à iniciativa.

O estreito é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e derivados. Qualquer interrupção prolongada afeta o fluxo de energia, pressiona os custos de transporte e pode provocar reflexos nos preços internacionais dos combustíveis. Por isso, a situação não se limita à segurança regional: envolve também o comércio global e a estabilidade econômica.

Araghchi afirmou que o Irã não tem, neste momento, uma reunião direta com representantes dos Estados Unidos na agenda. O chanceler, porém, classificou como positiva a movimentação diplomática recente e indicou que a modalidade das negociações dependerá da aceitação das condições apresentadas por Teerã.

Exigências e desconfiança entre os governos

As negociações seguem marcadas por divergências sobre sanções, bloqueios, segurança marítima e programa nuclear iraniano. Autoridades de Teerã defendem que qualquer acordo precisa considerar as restrições impostas ao país e as garantias de que não haverá novos ataques. Washington, por sua vez, mantém como prioridade impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, declarou que percebeu uma mudança no tom norte-americano, mas não apresentou detalhes que permitam concluir que exista um acordo próximo. Também afirmou que, em caso de reabertura do Estreito de Ormuz, a circulação de embarcações deverá seguir condições negociadas com Omã e sob gestão iraniana.

Israel enfrenta impasse político após eleição

O cenário regional também é influenciado pela situação política de Israel. Após a eleição de 27 de outubro, as projeções indicaram que os grupos rivais não alcançaram, isoladamente, os 61 assentos necessários para formar maioria no Parlamento. A composição de uma coalizão pode exigir semanas de negociação e manter Benjamin Netanyahu no cargo de primeiro-ministro interino durante o processo.

Em Tel Aviv, milhares de pessoas participaram neste sábado de uma manifestação em defesa de uma coalizão entre partidos árabes e judeus. As legendas árabes tiveram desempenho histórico, conquistando 19 das 120 cadeiras do Parlamento, resultado que pode influenciar as negociações, embora a participação desses partidos em um governo continue sendo tema de forte resistência política.

Risco de escalada permanece

As declarações de Teerã não significam, por si só, que um novo confronto seja inevitável. Ao mesmo tempo, a ameaça de resposta militar, a disputa em torno do Estreito de Ormuz e a falta de consenso sobre as condições de negociação mantêm elevado o risco de novos incidentes.

O principal ponto de atenção nos próximos dias será verificar se a movimentação diplomática conseguirá produzir compromissos concretos sobre segurança marítima e redução das hostilidades. Até lá, declarações militares e decisões de ambos os lados continuarão repercutindo sobre a estabilidade do Oriente Médio e os mercados internacionais.


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