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Declarações de Sophie Cunningham sobre atletas trans ampliam divisão na WNBA e provocam reação da Casa Branca

Jogadora do Indiana Fever defendeu a preservação das categorias femininas com base no sexo biológico, recebeu apoio do governo Trump e enfrentou protestos, vaias e críticas de outras atletas; episódio em Seattle terminou com pedido de desculpas do clube e punição a uma coproprietária

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ESTADOS UNIDOS — Uma declaração da jogadora Sophie Cunningham, do Indiana Fever, transformou-se em um dos debates mais intensos da atual temporada da WNBA. Ao defender que mulheres e meninas não sejam obrigadas a competir contra pessoas do sexo masculino, a atleta provocou reações dentro da liga, recebeu apoio público da Casa Branca e passou a ser alvo de protestos e vaias.

A controvérsia ganhou uma dimensão ainda maior durante a partida entre Indiana Fever e Seattle Storm, disputada na terça-feira (28), em Seattle. Manifestações ocorreram do lado de fora da arena, uma jogadora adversária exibiu uma mensagem em defesa das pessoas trans e duas adolescentes favoráveis a Cunningham teriam sido hostilizadas por uma das coproprietárias do Storm.

Declaração foi publicada em perfil da ESPN

A discussão começou após a ESPN publicar, em 21 de julho, um perfil sobre Sophie Cunningham. Ao comentar as críticas que já vinha recebendo por seu posicionamento, a ala-armadora afirmou não ter ódio ou rejeição contra pessoas trans, mas defendeu a proteção das categorias esportivas femininas.

“Recebi muitas reações negativas, dizendo que eu odiava pessoas trans. E eu pensei: ‘Eu nunca disse isso’. Acredito que estou aqui para estender o amor. Mas também penso que, junto com esse amor, deve haver verdade e honestidade. Quero proteger as meninas nos vestiários e no esporte, que não deveriam ter de competir contra homens biológicos”, declarou.

Questionada novamente por jornalistas antes da vitória do Indiana Fever sobre o Connecticut Sun, Cunningham manteve sua posição.

“Eu disse o que disse. Acho que é uma questão de bom senso. É realmente importante proteger as crianças, e isso inclui as meninas que estão nessa categoria. Continuarei acreditando nisso”, afirmou.

A jogadora acrescentou que não se considera uma pessoa intensamente envolvida com política, embora tenha convicções das quais não pretende abrir mão. Segundo Cunningham, é possível acolher pessoas trans e, ao mesmo tempo, discutir regras destinadas à preservação das categorias femininas.

“Existe espaço para todos e para amar todas as pessoas. Mas também estou aqui para amar as mulheres biológicas, e acredito que existem direitos que precisam ser protegidos. Nunca disse que odiava a comunidade trans”, completou.

Posteriormente, Cunningham reforçou o posicionamento nas redes sociais com uma frase curta: “Eu disse o que disse”.

Casa Branca entra no debate

A repercussão chegou à Casa Branca. A secretária de imprensa do governo Donald Trump, Karoline Leavitt, manifestou apoio à atleta e criticou as reações contrárias às declarações.

“Homens não deveriam competir nos esportes femininos. É completamente absurdo que alguém possa apoiar isso”, afirmou Leavitt.

A porta-voz classificou como surpreendente a rejeição enfrentada pela jogadora e disse que Cunningham estava defendendo mulheres e meninas.

O posicionamento acompanha a política adotada por Trump desde o início de seu atual mandato. Em fevereiro de 2025, o presidente assinou uma ordem executiva destinada a impedir a participação de atletas trans nas categorias femininas de instituições que recebem recursos federais.

Em junho de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos também decidiu que os estados podem aprovar leis proibindo atletas trans de integrarem equipes femininas escolares. A decisão aumentou a tensão política e jurídica em torno do assunto.

Indiana Fever se distancia da opinião individual

Diante da repercussão, o Indiana Fever divulgou uma manifestação institucional sem repreender a jogadora, mas deixando claro que as opiniões expressadas por suas atletas são individuais.

“Nossas jogadoras são adultas conscientes, com suas próprias perspectivas e vozes, e essas opiniões pertencem a elas. Estamos comprometidos em receber torcedores de todas as origens e tratar todas as pessoas com respeito, e é isso que nos orienta como organização.”

O acordo coletivo da WNBA determina que somente jogadoras que sejam mulheres podem participar da liga. A redação, entretanto, não estabelece de maneira expressa uma exclusão específica de mulheres trans, o que mantém aberta a discussão sobre os critérios de elegibilidade.

Brianna Turner critica Cunningham

Uma das respostas mais contundentes partiu de Brianna Turner, atualmente no Las Vegas Aces e integrante do Indiana Fever durante a temporada de 2025.

Turner, conhecida por defender publicamente os direitos das pessoas trans, argumentou que essa participação não representa um problema concreto ou recorrente dentro da WNBA. Ela também afirmou que questões como assédio, misoginia, racismo, homofobia e deficiência na estrutura oferecida às atletas seriam ameaças mais presentes no esporte feminino.

A jogadora pediu que o nome das atletas não seja utilizado para constranger ou excluir mulheres trans. Sua manifestação ampliou a divisão dentro da liga e mostrou que não existe consenso entre as próprias profissionais do basquete feminino.

Jogo em Seattle tem protestos e contraponto de adversária

A controvérsia voltou ao centro das atenções antes do confronto entre Seattle Storm e Indiana Fever, na Climate Pledge Arena.

Dezenas de manifestantes reuniram-se do lado de fora do ginásio em apoio a Cunningham e a iniciativas que pretendem restringir, no estado de Washington, a participação de atletas trans em equipes escolares femininas. Grupos defensores dos direitos das pessoas trans também estiveram no local.

Dentro da arena, Cunningham foi recebida com uma combinação de aplausos e vaias. A pivô Stefanie Dolson, do Seattle Storm, entrou no ginásio usando uma camiseta com a frase “Direitos trans são direitos humanos”. A imagem foi posteriormente divulgada pelos canais oficiais da equipe.

Apesar da pressão fora das quadras, o Indiana Fever venceu o Seattle Storm por 105 a 95. Cunningham marcou 11 pontos, acertou três arremessos de longa distância, conseguiu cinco rebotes e distribuiu duas assistências.

Depois da partida, o Fever não disponibilizou Cunningham para entrevistas. Caitlin Clark, principal estrela da equipe, também não falou com os jornalistas. A franquia informou que não possuía envolvimento com a manifestação realizada antes do confronto e que seu foco permanecia na competição.

Adolescentes são hostilizadas e Seattle Storm pede desculpas

A tensão também chegou às arquibancadas. Duas adolescentes de 16 anos assistiam ao jogo com camisetas relacionadas à defesa das categorias femininas e seguravam uma placa com a mensagem: “Obrigada, Sophie, por se manifestar em defesa das meninas”.

Segundo relatos divulgados pela imprensa norte-americana, a coproprietária minoritária do Seattle Storm, Celeste Keaton, aproximou-se das jovens e teria utilizado palavras ofensivas ao criticar o posicionamento delas.

Após a repercussão do episódio, o Storm reconheceu que uma de suas coproprietárias fez comentários às torcedoras e apresentou um pedido formal de desculpas.

“Todos os que comparecem a uma partida do Storm merecem sentir-se bem-vindos. Continuamos comprometidos em criar um ambiente inclusivo, no qual cada torcedor seja tratado com respeito”, declarou a proprietária majoritária Ginny Gilder.

A WNBA confirmou à imprensa norte-americana que Keaton foi multada e suspensa dos cinco jogos seguintes do Seattle Storm como mandante. O valor da punição financeira não foi divulgado.

Cunningham reagiu ao episódio nas redes sociais, classificando como constrangedora a conduta atribuída à dirigente e elogiando a coragem das adolescentes.

Debate vai além das quadras

O caso evidencia como a expansão comercial e a crescente audiência da WNBA também aumentaram a exposição política das atletas e das próprias franquias.

De um lado estão aqueles que defendem a divisão esportiva pelo sexo biológico, argumentando que diferenças físicas podem afetar a justiça competitiva e as oportunidades destinadas às mulheres. Do outro, organizações de direitos civis e atletas da liga sustentam que mulheres trans devem ser reconhecidas e incluídas nas categorias correspondentes à sua identidade de gênero.

Enquanto governos, tribunais e entidades esportivas discutem os limites dessa participação, Sophie Cunningham tornou-se uma das principais vozes da defesa das categorias femininas baseadas no sexo biológico dentro da WNBA. A atleta afirma que não pretende recuar, mas sustenta que sua posição não deve ser interpretada como hostilidade contra pessoas trans.

O episódio demonstra que o debate está distante de uma conclusão e deve continuar produzindo consequências políticas, jurídicas e esportivas nos Estados Unidos.

Vídeo relacionado: Assista à repercussão do caso e à declaração da Casa Branca

O vídeo apresenta registros públicos dos desdobramentos do caso e da manifestação oficial da Casa Branca.

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