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Nova concessão do transporte metropolitano prevê linha Lapa–Araucária e Câmara cobra garantia de integração

MOBILIDADE | Ligação entre os dois municípios está prevista como linha I64 e integra o Lote 4 da nova concessão do transporte coletivo da Região Metropolitana de Curitiba. Vereadores da Lapa querem esclarecimentos sobre integração no terminal de Araucária e responsabilidades do município; leilão está previsto para esta quarta-feira (26).

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LAPA — A reorganização do transporte coletivo da Região Metropolitana de Curitiba poderá provocar uma mudança importante para quem se desloca diariamente entre Lapa e Araucária. A nova concessão metropolitana inclui oficialmente a ligação entre os dois municípios no Lote 4, mas uma questão considerada essencial pelos usuários entrou no debate político local: a possibilidade de integração com o sistema de transporte de Araucária.

A discussão ganhou força na Câmara Municipal da Lapa, que encaminhou à Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) pedido formal de esclarecimentos sobre o funcionamento previsto para a ligação.

O requerimento questiona especificamente se a nova operação permitirá integração no terminal de Araucária e qual será a responsabilidade do Município da Lapa para que essa integração possa ocorrer.

A preocupação não é apenas operacional. Dependendo da forma como a integração for estruturada, a mudança poderá influenciar custo, tempo de viagem e possibilidades de conexão para passageiros que utilizam Araucária como ponto intermediário para chegar a Curitiba ou a outras regiões.

Lapa–Araucária aparece como linha I64

O novo modelo prevê a ligação I64 – Lapa/Araucária, classificada como linha intercidades.

A linha faz parte de um conjunto de 13 novas ligações previstas na reorganização do transporte metropolitano, que também inclui conexões entre Rio Negro e Areia Branca, Piên e Areia Branca, Lagoinha e São José dos Pinhais, além de outros municípios da RMC.

Lapa e Araucária integram o Lote 4 da concessão, juntamente com Agudos do Sul, Campo do Tenente, Contenda, Fazenda Rio Grande, Mandirituba, Piên, Rio Negro e Quitandinha.

A composição do lote é estratégica porque reúne municípios do eixo Sul e Sudoeste da Região Metropolitana, incluindo localidades mais distantes de Curitiba e que historicamente possuem dinâmica de deslocamento diferente daquela observada nos municípios mais próximos da capital.

Integração em Araucária é o ponto central

É justamente nesse ponto que está a principal discussão levantada pela Câmara da Lapa.

A simples existência de uma linha entre os municípios não responde a uma pergunta fundamental para o passageiro: o que acontecerá quando ele chegar a Araucária?

Se houver integração operacional e tarifária com outras linhas, Araucária poderá funcionar como um importante ponto de distribuição dos passageiros vindos da Lapa.

Sem integração adequada, por outro lado, o passageiro poderá precisar desembarcar, pagar outra passagem e continuar a viagem em outro sistema.

A documentação técnica utilizada no processo de estruturação da concessão estabelece como diretriz a integração operacional e tarifária dos lotes que compõem a concessão metropolitana.

Entretanto, a forma específica como isso se refletirá na conexão entre a linha Lapa–Araucária e o sistema municipal de Araucária é justamente um dos pontos para os quais o Legislativo lapeano busca esclarecimentos.

Questão tem impacto direto para trabalhadores e estudantes

A ligação entre Lapa e Araucária possui importância que ultrapassa a mobilidade entre duas cidades.

Araucária concentra um dos maiores parques industriais do Paraná e recebe diariamente trabalhadores vindos de diferentes municípios da região. Também funciona como ponto de conexão para deslocamentos em direção a Curitiba.

Para moradores da Lapa empregados no eixo industrial de Araucária, alterações de frequência, tarifa, itinerário e integração podem produzir impacto direto na rotina.

O mesmo vale para estudantes e usuários que precisam acessar serviços de saúde, comércio e outras atividades fora do município.

Por isso, a discussão sobre integração precisa ser analisada não apenas sob a perspectiva do transporte, mas também de acesso ao emprego, educação e serviços públicos.

Ligação já existe, mas nova concessão muda o modelo

A conexão rodoviária entre Lapa e Araucária não é uma novidade para os passageiros.

Atualmente existe operação entre os dois municípios, num trajeto de aproximadamente 70 minutos, dependendo das condições de trânsito e dos pontos de embarque e desembarque. Sistemas de acompanhamento de transporte registram dezenas de paradas ao longo do percurso.

Em 2025, usuários enfrentaram reajuste na tarifa da linha, que passou de R$ 7,70 para R$ 8,20, conforme reajuste autorizado naquele período.

O que muda agora é a natureza do sistema.

A nova concessão pretende reorganizar de maneira estrutural o transporte metropolitano, substituindo um modelo marcado durante décadas por contratos provisórios por uma operação concedida mediante licitação.

Licitação representa mudança histórica na RMC

O processo é considerado uma das maiores alterações estruturais já propostas para o transporte coletivo metropolitano.

O novo modelo abrange os 28 municípios da Região Metropolitana de Curitiba, além da capital, ampliando significativamente o alcance da rede. Atualmente, o atendimento metropolitano não possui a mesma abrangência em todos esses municípios.

A proposta envolve reorganização das linhas, padronização da operação, integração e novos critérios de qualidade.

Também estão previstas novas conexões e otimizações de itinerários existentes.

Para municípios mais distantes do núcleo central da metrópole, como Lapa, Rio Negro, Piên e Campo do Tenente, a mudança pode representar uma integração mais efetiva com a rede metropolitana.

Lote 4 conecta um importante corredor regional

A presença conjunta de Lapa e Araucária no Lote 4 possui lógica geográfica e econômica.

Os dois municípios estão ligados pela BR-476, a Rodovia do Xisto, corredor fundamental para deslocamento de pessoas, produtos e trabalhadores.

Araucária exerce forte atração econômica por causa de seu complexo industrial, enquanto Lapa funciona como referência regional para municípios mais ao Sul.

Uma rede bem integrada pode transformar Araucária em ponto intermediário de conexão entre a população da Lapa e outras partes da metrópole.

É exatamente por isso que a integração tarifária assume tanta importância.

Economia de uma passagem pode representar diferença relevante no mês

Para um passageiro eventual, pagar uma segunda tarifa pode parecer um impacto limitado.

Para quem realiza o trajeto diariamente, a situação é diferente.

Qualquer necessidade de pagar duas ou mais tarifas por sentido se multiplica ao longo de aproximadamente 20 ou 22 dias úteis do mês.

Por isso, sistemas integrados de transporte não devem ser avaliados apenas pela existência física das linhas.

O indicador mais importante é a capacidade de levar o passageiro ao destino final com tempo, frequência e custo razoáveis.

A integração é justamente o mecanismo utilizado para fazer com que diferentes linhas funcionem como uma rede, e não como trajetos independentes.

Araucária possui sistema municipal com tarifa fortemente subsidiada

Há ainda uma particularidade importante nessa discussão.

Araucária possui sistema municipal próprio, o TRIAR, com tarifa atualmente muito inferior às tarifas convencionais praticadas em boa parte do transporte coletivo.

Isso torna qualquer eventual integração com uma linha metropolitana uma questão que envolve não apenas operação, mas também compensação financeira e divisão de responsabilidades entre sistemas diferentes.

Não basta, portanto, permitir fisicamente que o passageiro troque de ônibus.

É necessário estabelecer quem arca com o custo da viagem, como ocorre a bilhetagem e quais regras serão aplicadas ao usuário proveniente de outro município.

Esse é um dos motivos pelos quais a definição precisa envolver Amep, operadores e municípios.

Câmara da Lapa quer saber qual será o papel do município

O requerimento apresentado no Legislativo também pergunta qual é a responsabilidade da Prefeitura da Lapa para viabilizar a integração.

A questão é pertinente porque o transporte metropolitano é coordenado pelo Estado, por meio da Amep, mas decisões relacionadas a infraestrutura urbana, terminais, pontos de parada e articulação local podem envolver diretamente as prefeituras.

A própria estrutura de governança metropolitana em desenvolvimento prevê atuação articulada entre Estado e municípios em intervenções que afetem o transporte coletivo e o sistema viário metropolitano.

Essa articulação será especialmente importante nos municípios mais afastados de Curitiba.

Leilão previsto para quarta-feira aumenta importância das respostas

A discussão ocorre em momento decisivo.

O leilão da nova concessão está previsto para 26 de agosto, tornando as definições sobre operação, integração e responsabilidades ainda mais relevantes para os municípios envolvidos.

Depois da licitação, ainda haverá etapas até a implantação efetiva do novo modelo.

Isso significa que a inclusão da linha Lapa–Araucária no projeto não representa mudança imediata na rotina dos passageiros nesta semana.

A população deve acompanhar o cronograma de transição e as informações oficiais da Amep sobre início da nova operação.

Mudança será positiva se melhorar a viagem real do passageiro

A inclusão da Lapa numa rede metropolitana mais abrangente é, em princípio, um avanço importante.

Mas o sucesso do novo modelo não será determinado pela quantidade de linhas desenhadas no edital.

Para o passageiro, os critérios serão muito mais simples:

quanto custa a viagem, quanto tempo leva, quantos ônibus precisa utilizar, quanto espera no ponto e em quais horários consegue viajar.

É justamente por isso que a discussão iniciada pela Câmara da Lapa sobre integração em Araucária merece atenção.

A linha I64 – Lapa/Araucária pode representar mais do que uma ligação entre dois municípios. Se integrada corretamente ao restante da rede, poderá funcionar como um corredor de acesso ao emprego, à educação e aos serviços existentes num dos principais eixos econômicos da Região Metropolitana.

O desenho está no papel.

A próxima etapa será garantir que a integração prevista no novo sistema seja percebida também por quem estará dentro do ônibus.


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