Terremoto na Colômbia: balanços locais passam de 250 mortos enquanto buscas por sobreviventes continuam
Tremor de magnitude 7,4 devastou áreas do oeste colombiano; governo confirma 181 mortes e 2.595 feridos, mas soma de dados municipais já chega a 254 vítimas fatais. Quase 100 réplicas foram registradas e milhares de imóveis estão danificados

COLÔMBIA — A dimensão da tragédia provocada pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia na manhã de segunda-feira (10) continua aumentando. Nesta terça-feira (11), equipes de resgate trabalham contra o tempo entre edifícios destruídos em cidades como Cali e Pereira, enquanto autoridades tentam consolidar o número de mortos, feridos e desaparecidos.
O balanço ainda apresenta diferenças entre os órgãos responsáveis pela emergência.
O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, informou nesta terça-feira 181 mortes e 2.595 pessoas feridas. Já uma compilação da Reuters, feita a partir dos números fornecidos separadamente pelas autoridades das regiões atingidas, chegou a 254 mortos, sendo 101 em Pereira e 95 em Cali.
A diferença ocorre porque os registros locais chegam em velocidades diferentes ao sistema nacional de resposta ao desastre. Com áreas ainda apresentando problemas de comunicação e equipes trabalhando entre os escombros, o número definitivo de vítimas poderá levar dias para ser estabelecido.
Corrida contra o tempo entre os escombros
O segundo dia da tragédia é marcado principalmente pelas operações de busca e salvamento.
Bombeiros, militares, equipes especializadas, voluntários e familiares trabalham na remoção de concreto, ferragens e estruturas desabadas na tentativa de localizar pessoas ainda presas.
Em alguns locais, o trabalho é realizado com escavadeiras e guindastes. Em outros, socorristas e moradores retiram os destroços manualmente para evitar movimentações que possam atingir eventuais sobreviventes.
Famílias permanecem próximas às áreas destruídas aguardando notícias de parentes desaparecidos.
As imagens que chegam de Cali e Pereira mostram quarteirões cobertos por escombros, edifícios parcialmente destruídos, veículos atingidos e moradores tentando recuperar objetos pessoais no que restou de suas casas.
Mais de 3 mil pessoas ainda constavam em listas de desaparecidos
A procura por desaparecidos tornou-se outro dos grandes desafios da emergência.
Segundo acompanhamento da Associated Press, mais de 3 mil pessoas ainda constavam de listas de desaparecidos nesta terça-feira. Parte desses registros foi feita por familiares em plataformas criadas para ajudar na localização de pessoas, o que significa que o número não deve ser interpretado automaticamente como um balanço oficial definitivo de desaparecidos.
A dificuldade de comunicação agrava o problema.
Em várias regiões atingidas, serviços de telefonia e internet foram interrompidos ou funcionavam de maneira instável, fazendo com que pessoas fossem inicialmente registradas como desaparecidas simplesmente porque familiares não conseguiam estabelecer contato.
Ainda assim, o elevado número de buscas preocupa as autoridades diante da quantidade de construções destruídas.
Cali e Pereira concentram grande parte das vítimas
Duas grandes cidades colombianas estão entre as áreas mais atingidas.
Em Pereira, capital do departamento de Risaralda e importante centro do chamado Eixo Cafeeiro, o balanço reunido pela Reuters contabilizava 101 mortes nesta terça-feira.
Em Cali, terceira maior cidade da Colômbia, eram 95 mortes nos levantamentos locais.
A destruição em Cali atingiu residências, edifícios comerciais e unidades de saúde.
Parte dos andares superiores de um hospital desabou, inclusive em setores destinados ao atendimento pediátrico. Segundo a direção da unidade, cerca de 600 pacientes precisaram ser atendidos na rua enquanto a situação estrutural era avaliada.
O sistema de saúde local passou a enfrentar também dificuldades para receber o crescente número de vítimas.
A Secretaria de Saúde Pública de Cali chegou a informar que o necrotério da cidade estava lotado, enquanto novos corpos continuavam sendo retirados das áreas atingidas.
Quase 100 réplicas aumentam o risco
O terremoto principal foi seguido por uma intensa sequência sísmica.
Até a manhã desta terça-feira, quase 100 réplicas já haviam sido registradas.
Embora a maioria tenha magnitude inferior à do evento principal, as réplicas representam perigo especialmente para edifícios que sofreram danos estruturais e podem desabar mesmo com tremores menores.
As autoridades orientam a população a não retornar para imóveis visivelmente danificados antes de uma avaliação técnica.
O risco também afeta diretamente as equipes de resgate, que precisam interromper ou modificar operações quando novos movimentos sísmicos são percebidos.
Epicentro foi no departamento de Chocó
O terremoto de magnitude 7,4 ocorreu às 7h34 da manhã de segunda-feira (10), no horário local, com epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste colombiano.
O tremor foi percebido em diversas regiões do país, incluindo grandes centros urbanos, e também provocou preocupação em países vizinhos.
Cali, Pereira, Quibdó e Manizales estão entre as cidades fortemente atingidas.
A Associated Press aponta o terremoto como um dos mais fortes registrados na Colômbia neste século.
Milhares de imóveis atingidos
O impacto material também é gigantesco.
A Associated Press informou que aproximadamente 1.600 edifícios haviam sido registrados como danificados ou destruídos. Paralelamente, o Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários estimou que aproximadamente 5 mil residências apresentavam algum tipo de dano nas regiões afetadas.
Os números são diferentes porque se referem a levantamentos e classificações distintos, ainda em atualização.
Em várias cidades, moradores passaram a noite fora de casa por medo de novos desabamentos.
Parques, praças e ruas abertas passaram a servir como locais improvisados de abrigo para famílias que perderam suas residências ou não têm segurança para retornar aos imóveis.
Aeroportos, estradas e serviços essenciais foram afetados
A infraestrutura colombiana também sofreu impactos significativos.
Seis aeroportos — Quibdó, Pereira, Manizales, Armenia, Cartago e Buenaventura — chegaram a ser fechados devido aos danos provocados pelo terremoto.
Dezenas de estradas também foram afetadas.
Em regiões próximas ao epicentro, especialmente no Chocó, houve problemas no fornecimento de energia elétrica, água, atendimento de saúde e telefonia.
A interrupção dos serviços dificulta a chegada de ajuda humanitária e também impede uma avaliação rápida das comunidades mais isoladas.
Áreas rurais ainda preocupam autoridades
Além das grandes cidades, existe preocupação crescente com municípios pequenos e comunidades rurais.
A geografia do oeste colombiano inclui áreas montanhosas e regiões de difícil acesso, particularmente no departamento de Chocó.
Com estradas danificadas e comunicações interrompidas, algumas localidades ainda não conseguiram apresentar um balanço completo da situação.
Isso significa que a extensão real da tragédia poderá ser maior do que os números disponíveis nesta terça-feira indicam.
Governo mobiliza forças de segurança e equipes especializadas
O governo colombiano iniciou uma ampla mobilização para responder à tragédia.
Militares, policiais, engenheiros, cães farejadores e equipes especializadas em busca e salvamento foram deslocados para as áreas atingidas.
O presidente Abelardo de la Espriella visitou regiões afetadas e anunciou medidas emergenciais para famílias que tiveram suas casas destruídas ou danificadas.
Entre as medidas anunciadas estão mecanismos temporários de auxílio econômico em Risaralda e apoio para famílias desalojadas.
O terremoto ocorre poucos dias após a posse do novo presidente colombiano, transformando a tragédia em seu primeiro grande teste de gestão nacional.
Ajuda internacional começa a chegar
A comunidade internacional também começou a mobilizar recursos.
Os Estados Unidos anunciaram US$ 15,5 milhões para ações envolvendo abrigo emergencial, alimentação, proteção das vítimas e avaliação dos danos.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento informou ter US$ 50 milhões disponíveis para apoiar ações de reconstrução caso os recursos sejam solicitados pelo governo colombiano.
As Nações Unidas também trabalham para ampliar sua presença nas regiões afetadas.
A prioridade imediata continua sendo a localização de sobreviventes, o atendimento aos feridos e a garantia de abrigo, água, alimentação e assistência médica às famílias atingidas.
Por que a Colômbia tem terremotos?
A Colômbia está situada em uma região de intensa atividade tectônica.
A movimentação de diferentes placas tectônicas próximas ao território colombiano provoca acúmulo e liberação de energia no interior da Terra, originando terremotos de diferentes intensidades.
A região oeste do país, próxima ao Oceano Pacífico, apresenta atividade sísmica relevante justamente por sua localização geológica.
Terremotos não podem ser previstos com precisão de data, horário e magnitude. Por isso, sistemas de monitoramento, normas de construção e planos de emergência são fundamentais para reduzir o número de vítimas quando grandes eventos ocorrem.
A tragédia ainda está longe de um balanço definitivo
Os diferentes números divulgados ao longo desta terça-feira mostram que o desastre continua em evolução.
De um lado, o governo colombiano confirmava 181 mortos e 2.595 feridos. De outro, os levantamentos das próprias autoridades municipais e regionais compilados pela Reuters já somavam 254 mortes.
A diferença exige cautela jornalística.
Por isso, o Portal Conexão Geral acompanha os números separadamente e não apresenta como balanço nacional oficial uma soma que ainda está sendo consolidada pelo governo colombiano.
Enquanto as estatísticas são atualizadas, a realidade nas cidades atingidas permanece dramática.
Equipes continuam entrando em edifícios destruídos.
Famílias continuam esperando junto aos escombros.
Hospitais trabalham sob pressão.
Milhares de moradores seguem longe de suas casas.
E cada hora de trabalho das equipes de busca ainda carrega a esperança de encontrar pessoas com vida.
A Colômbia enfrenta agora não apenas as consequências de um dos terremotos mais fortes de sua história recente, mas uma gigantesca operação humanitária que deverá continuar por dias e dar lugar, posteriormente, a um longo processo de reconstrução.
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