Putin ameaça retaliar União Europeia por apreensão de navios da ‘frota paralela’
O presidente Vladimir Putin e o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, elevaram o tom contra a União Europeia após o bloco autorizar a venda de cargas apreendidas de navios russos que contornam sanções.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou nesta quarta-feira (12/8) retaliar a União Europeia (UE) caso o bloco prossiga com a apreensão de embarcações russas. A declaração ocorre em um momento de escalada nas tensões diplomáticas, motivada pela decisão recente da UE de permitir que países membros vendam petróleo ou cargas apreendidas de navios que compõem a chamada “frota paralela”, utilizada por Moscou para contornar sanções impostas devido à Guerra da Ucrânia.
Acusações de pirataria
Em pronunciamento, Putin classificou os planos europeus como atos de “pirataria e roubo”. O líder russo afirmou que as autoridades de alguns países estão violando o direito marítimo internacional ao restringir a circulação de navios de operadores econômicos russos. Segundo o presidente, caso as apreensões se concretizem, a Rússia se sentirá forçada a responder “da mesma forma”, agindo em áreas que considerar necessárias, incluindo a região de responsabilidade da Frota do Pacífico.
Ameaça de Medvedev
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, reforçou a ameaça através de uma rede social. Ele argumentou que a Rússia possui o direito de atacar navios mercantes de países considerados inimigos, tanto em águas russas quanto em águas neutras, caso haja suspeita de transporte de cargas destinadas a adversários. Medvedev justificou a posição alegando que a maioria dos navios da Europa Ocidental também utiliza “bandeiras de conveniência”, sistema que, segundo ele, é comum no transporte marítimo global.
Contexto da ‘frota paralela’
O termo “frota paralela” refere-se a embarcações que navegam sob bandeiras de países terceiros para evitar as restrições impostas pelo bloco europeu. O governo russo sustenta que essas embarcações realizam operações comerciais legítimas e que a detenção desses navios carece de amparo legal, tanto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982 quanto nas legislações nacionais dos países envolvidos.
A situação coloca em alerta o setor de logística marítima internacional, dado o risco de interferência militar em rotas comerciais. Até o momento, a União Europeia não detalhou como pretende operacionalizar as apreensões, mas a retórica russa sinaliza um endurecimento na postura de Moscou frente às sanções econômicas que visam limitar a capacidade de financiamento do esforço de guerra russo.
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