CBF prepara perfil de “jogador ideal” e aproxima seleção das categorias de base
Plano coordenado por Rodrigo Caetano e acompanhado por Carlo Ancelotti definirá referências por posição e será apresentado aos clubes, que manterão autonomia na formação.

Projeto coordenado por Rodrigo Caetano e acompanhado por Carlo Ancelotti pretende definir características técnicas, competitivas e comportamentais por posição, sem retirar a autonomia dos clubes.
RIO DE JANEIRO — A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) prepara um plano para aproximar a seleção principal das categorias de base e definir um perfil de atleta desejado para cada posição. O trabalho, coordenado por Rodrigo Caetano e acompanhado pelo técnico Carlo Ancelotti, será apresentado aos clubes em visitas e reuniões, dentro da reformulação iniciada após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo.
A ideia não é impor um esquema tático único nem interferir na metodologia das equipes. A CBF pretende organizar referências técnicas, físicas, mentais e comportamentais que ajudem treinadores e departamentos de formação a entender quais características são observadas nas seleções brasileiras.
Integração entre as seleções
As comissões técnicas da equipe principal e das seleções sub-15, sub-17 e sub-20 passaram a manter reuniões periódicas. A troca de informações deverá resultar em um caderno metodológico, com diretrizes para o acompanhamento e o desenvolvimento dos jogadores.
Entre os aspectos destacados estão qualidade técnica, competitividade, tomada de decisão e preservação de características associadas à identidade do futebol brasileiro. O documento também deverá diferenciar as exigências de cada posição, permitindo que o monitoramento acompanhe a evolução do atleta ao longo das categorias.
Clubes mantêm autonomia
A confederação planeja uma imersão nas bases dos clubes e das federações estaduais. Nessas visitas, profissionais das seleções apresentarão o perfil buscado e ouvirão quem trabalha diariamente na formação. Os clubes continuarão livres para definir modelo de jogo, calendário e métodos próprios.
Essa autonomia é um ponto relevante porque o futebol brasileiro reúne escolas diferentes e abastece mercados no país e no exterior. A proposta da CBF é criar uma linguagem comum para a seleção, sem transformar as categorias de base em extensões de um único sistema tático.
Jovens formados no exterior
O mapeamento também incluirá brasileiros ou atletas elegíveis para o Brasil que se desenvolvem fora do país. Cerca de 50 jovens em academias estrangeiras estão no radar da entidade, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira. A ampliação do banco de observação busca reduzir o risco de perder talentos e acompanhar trajetórias que hoje ocorrem longe dos campeonatos nacionais.
O planejamento mira o ciclo até a Copa do Mundo de 2030 e passa também pela próxima Copa América. Antes disso, a seleção deverá usar os amistosos de setembro, contra Austrália e Índia, como início de uma nova etapa. A próxima convocação é esperada para o começo do mês.
A efetividade do projeto dependerá da continuidade entre as comissões técnicas, da qualidade dos dados compartilhados e da relação com os clubes. O plano procura transformar a reformulação da seleção em um trabalho de longo prazo, em vez de limitar as mudanças à troca de nomes na equipe principal.
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