Falta de mão de obra qualificada acende alerta para obras do Novo PAC
Entidades estimam déficit de 75 mil engenheiros e defendem formação técnica, revisão curricular e aproximação com universidades.

Entidades do setor estimam déficit de 75 mil engenheiros e defendem formação técnica, revisão curricular e aproximação entre universidades e empresas.
BRASÍLIA — A falta de profissionais qualificados passou a ser apontada por representantes da construção pesada como um risco para o cronograma e o custo de projetos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). O alerta foi apresentado por entidades ligadas às empresas de obras rodoviárias e de infraestrutura, em meio à retomada de investimentos públicos e privados no país.
A Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) e o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) afirmam que o mercado enfrenta dificuldade para contratar engenheiros e trabalhadores técnicos. Um levantamento citado pelas organizações estima carência atual de 75 mil engenheiros e indica que o déficit pode chegar a 500 mil profissionais até 2030 se a formação não acompanhar a demanda.
Obras disputam profissionais
O problema não se limita aos cargos de nível superior. Grandes canteiros precisam de equipes de planejamento, fiscalização, segurança, topografia, operação de máquinas e execução especializada. Quando há pouca oferta de mão de obra, empresas disputam os mesmos trabalhadores, salários e custos de mobilização aumentam e determinadas etapas podem atrasar.
As entidades relacionam o cenário à redução de matrículas em cursos de engenharia. Conforme os dados apresentados pelo setor, o ingresso caiu cerca de 30%. Também pesam a evasão universitária, a distância entre o conteúdo dos cursos e as competências exigidas nos projetos e a interrupção, em períodos anteriores, de grandes ciclos de obras.
Propostas para ampliar a formação
Onze organizações assinaram o chamado “Pacto pelo Brasil”, documento que propõe revisão de currículos, estímulo à educação técnica, maior aproximação entre universidades e empresas e políticas para evitar que estudantes abandonem a graduação. A intenção é formar profissionais sem reduzir exigências de segurança e qualidade.
A solução, porém, não é imediata. Uma graduação em engenharia leva anos, enquanto a qualificação de técnicos e operadores também exige estrutura, instrutores e prática. Por isso, especialistas do setor defendem planejamento de médio e longo prazo, conectado ao calendário real de concessões e obras públicas.
Impacto para o cidadão
O Novo PAC reúne projetos de rodovias, ferrovias, saneamento, energia, habitação, saúde e educação. A escassez de trabalhadores pode aparecer para a população de diferentes formas: licitações com menor concorrência, propostas mais caras, aditivos contratuais ou demora na entrega de serviços.
O alerta das entidades é uma avaliação do setor, não uma confirmação de que todos os projetos sofrerão atrasos. Cronogramas dependem de licenciamento, projetos executivos, orçamento, contratação e condições climáticas, além da disponibilidade de profissionais. Até o momento, não foi apresentada uma solução única pelo governo federal para o déficit indicado.
Uma resposta consistente exigirá coordenação entre União, estados, municípios, empresas e instituições de ensino. Além de abrir vagas, será necessário garantir formação adequada, condições de trabalho e capacidade de retenção de profissionais nas regiões onde as obras serão executadas.
Seu navegador bloqueou a janela. Permita pop-ups para este site e tente novamente.


Comentários
Ainda não há comentários aprovados.