Passageiros de ônibus recuam nas capitais enquanto cresce uso de subsídios
Levantamento da NTU inclui Curitiba e aponta queda de 2,3% na demanda, frota envelhecida e desafio para financiar o transporte coletivo.

Levantamento da NTU registra retração de 2,3% em nove capitais, entre elas Curitiba, enquanto 440 municípios já subsidiam parte do serviço.
CURITIBA — O transporte coletivo por ônibus perdeu passageiros em 2025 nas nove capitais acompanhadas pelo anuário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Até outubro, foram registradas cerca de 395 milhões de viagens, queda de 2,3% em relação aos 404,3 milhões do mesmo período de 2024. Curitiba integra o grupo analisado.
A redução interrompeu quatro anos de recuperação após a fase mais aguda da pandemia. O volume permanece distante dos 530,6 milhões de passageiros contabilizados no intervalo equivalente de 2018. Além de Curitiba, a amostra inclui Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Menos viagens e mais subsídio
O total de deslocamentos realizados por passageiros recuou 3,7%, e a quilometragem percorrida pelos ônibus nas capitais caiu de 157 milhões para 148,1 milhões de quilômetros. A entidade associa a mudança ao aumento do uso de automóveis, motocicletas e serviços por aplicativo, além de transformações na rotina de trabalho e de deslocamento.
Ao mesmo tempo, cresceu o número de municípios que utilizam dinheiro público para cobrir parte do custo do transporte. Segundo o levantamento divulgado nesta semana, 440 cidades mantêm algum tipo de subsídio, ante 404 em 2024 e 175 antes da pandemia. O avanço mostra que a tarifa paga pelo usuário já não sustenta sozinha grande parte dos sistemas.
Conta estimada em R$ 75,7 bilhões
A NTU calcula que o transporte urbano por ônibus movimente cerca de R$ 75,7 bilhões por ano. Aproximadamente 20% desse valor seria coberto por recursos públicos. Como os subsídios estão concentrados nas capitais e regiões metropolitanas e dependem principalmente de estados e prefeituras, a discussão sobre uma fonte permanente de financiamento nacional ganhou força.
O novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano separa o custo efetivo da operação do preço cobrado do passageiro. Essa distinção permite que contratos definam com mais transparência quanto custa manter frota, pessoal, garagens e frequência — e qual parte será paga pela tarifa ou pelo orçamento público.
Frota envelhecida e eletrificação lenta
A idade média dos ônibus caiu ligeiramente, de 6,44 anos em 2024 para 6,38 anos em 2025, mas segue acima dos níveis observados no início da década passada. A frota de veículos elétricos a bateria, trólebus e ônibus movidos a biometano chegou a 2.235 unidades em 2026, contra 597 em 2023. O avanço é expressivo em termos percentuais, mas ainda representa uma parcela pequena do total.
Para o passageiro, a queda de demanda cria um ciclo delicado: menos usuários pagantes reduzem a receita; sem outra fonte estável, a renovação e a frequência podem sofrer; com serviço menos atraente, mais pessoas migram para alternativas individuais.
A NTU representa empresas operadoras e, por isso, seus diagnósticos e propostas refletem a visão do setor. Ainda assim, os números reforçam um desafio público: financiar ônibus com tarifa acessível, qualidade e menor emissão, sem transferir todo o custo para quem depende diariamente do sistema.
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