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Empresas pedem diálogo e alertam para riscos de escalada comercial entre Brasil e EUA

Setores atingidos pelas novas tarifas americanas demonstram preocupação com uma eventual retaliação brasileira e defendem negociação para evitar novos impactos sobre exportações, investimentos e empregos.

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BRASÍLIA — A possibilidade de o Brasil adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos está provocando preocupação entre setores empresariais neste sábado (15). Representantes da indústria defendem que o governo brasileiro mantenha aberta a via diplomática e evite uma escalada tarifária capaz de aumentar os prejuízos para empresas dos dois países.

Entidades de segmentos atingidos pelas sobretaxas americanas argumentam que uma reação baseada exclusivamente em novas tarifas poderia atingir insumos, máquinas e produtos importados utilizados pela própria indústria brasileira.

A avaliação predominante no setor produtivo é de que a negociação bilateral oferece melhores possibilidades de redução ou retirada das barreiras comerciais. Levantamento citado pela Amcham Brasil aponta forte preferência das empresas pelo aprofundamento das negociações, enquanto uma parcela bastante menor defende medidas retaliatórias.

Novas tarifas atingem parcela relevante das exportações

Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as medidas adotadas pelos Estados Unidos alcançam 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

Parte dos produtos está sujeita a uma sobretaxa adicional de 25%, enquanto outros recebem acréscimo de 12,5%. Em determinadas situações, as duas medidas são acumuladas, fazendo a tarifa adicional chegar a 37,5%.

Entre os segmentos afetados pelas duas medidas estão máquinas e equipamentos, diferentes produtos de madeira, calçados, móveis, confecções, gorduras e óleos.

Por outro lado, aproximadamente 52,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos permanecem fora dessas sobretaxas específicas, segundo o levantamento do MDIC. Café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas e parte dos produtos químicos estão entre os itens que permaneceram fora dessas medidas adicionais.

Comércio entre os países já perdeu força

O aumento das tensões ocorre em um momento de redução das trocas comerciais.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 40,4 bilhões em 2024 e recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025. Somente no primeiro semestre de 2026, os embarques brasileiros somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também caiu: passou de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período deste ano.

O cenário aumenta a preocupação principalmente em segmentos com maior dependência do mercado americano e entre pequenas e médias empresas, que normalmente possuem menor capacidade de redirecionar rapidamente a produção para outros países.

Reciprocidade não significa retaliação automática

O governo brasileiro abriu um processo baseado na Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que permite ao país adotar contramedidas diante de barreiras consideradas prejudiciais aos interesses comerciais brasileiros. A abertura do procedimento, entretanto, não significa aplicação automática de novas tarifas.

A discussão envolve uma escolha delicada: reagir às medidas americanas sem aumentar custos para empresas brasileiras ou provocar consequências adicionais sobre investimentos, empregos e preços.

Representantes do setor produtivo defendem que eventual resposta seja calibrada e acompanhada da continuidade das conversas entre Brasília e Washington.

O próprio histórico recente mostra que os dois governos mantiveram reuniões de alto nível para discutir a relação comercial antes da adoção das novas sobretaxas.

Com bilhões de dólares em comércio bilateral em jogo, as próximas decisões poderão determinar se Brasil e Estados Unidos conseguirão construir uma solução negociada ou entrarão em uma fase mais prolongada de tensão comercial.

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