Casas Bahia fecha 298 lojas e demite cerca de 1,9 mil funcionários; sindicato anuncia ação coletiva
Fechamentos ocorreram em meio ao processo de reestruturação da varejista; sindicato afirma que trabalhadores foram surpreendidos e pretende recorrer à Justiça para pedir reintegração e indenizações.

SÃO PAULO — Uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro passa por uma nova e expressiva redução de sua operação física. As Casas Bahia fecharam 298 lojas e desligaram cerca de 1,9 mil funcionários em todo o país, segundo informações publicadas neste sábado (15) pela Folha de S.Paulo. Os cortes teriam sido realizados entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14).
De acordo com a publicação, aproximadamente 600 trabalhadores foram desligados na quinta-feira e outros 1,3 mil na sexta-feira. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) afirma que parte dos funcionários teria chegado para trabalhar e encontrado unidades fechadas, sem comunicação prévia sobre os desligamentos.
A situação levou o sindicato a anunciar que pretende ajuizar uma ação coletiva contra a varejista, buscando a reintegração dos trabalhadores e indenização por danos morais.
Sindicato questiona forma das demissões
O principal questionamento do Secor não envolve apenas a quantidade de postos de trabalho eliminados, mas a maneira como os desligamentos teriam sido realizados.
Segundo a entidade sindical, não houve diálogo prévio sobre a dispensa coletiva. O sindicato sustenta que o procedimento pode contrariar entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal para situações de demissão em massa.
No julgamento do Tema 638 da repercussão geral, o STF estabeleceu que a intervenção sindical prévia é requisito procedimental indispensável nas dispensas em massa. Isso não significa, entretanto, que o sindicato precise autorizar os desligamentos ou que seja obrigatório chegar a um acordo coletivo: a exigência é de participação prévia da representação dos trabalhadores no processo.
O entendimento passou a valer para demissões coletivas realizadas após junho de 2022.
Empresa ainda não havia respondido aos questionamentos
Até a publicação da reportagem que revelou a reação sindical, as Casas Bahia não haviam apresentado resposta aos questionamentos encaminhados sobre as demissões e a ação anunciada pelo Secor.
Esse ponto é importante porque ainda não foi divulgada, nos canais institucionais consultados, uma relação detalhada das 298 unidades atingidas, nem a distribuição dos fechamentos por estado e município.
No Paraná, portanto, ainda não há confirmação oficial suficiente para afirmar quais lojas eventualmente integram esse grupo de unidades encerradas.
Tamanho do fechamento chama atenção
O impacto potencial é significativo quando comparado à dimensão atual da operação física da companhia.
A página de Relações com Investidores do Grupo Casas Bahia informava, com dados referentes a maio de 2026, a existência de 1.039 lojas físicas das marcas do grupo no Brasil: 922 unidades Casas Bahia e 117 unidades da bandeira Ponto. No Paraná, eram indicadas 38 lojas Casas Bahia e uma unidade Ponto.
Como esses números são anteriores ao fechamento agora noticiado, a companhia ainda deverá atualizar oficialmente o tamanho de sua rede após a reestruturação.
A retirada de 298 unidades, caso corresponda integralmente ao parque apresentado em maio, representa uma redução de grande escala na presença física do grupo. A composição exata dessa redução, porém, dependerá de dados atualizados da empresa.
Reestruturação financeira vem sendo acompanhada pelo mercado
Os novos fechamentos acontecem enquanto o Grupo Casas Bahia tenta reorganizar suas finanças e melhorar a geração de caixa.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, embora tenha apresentado avanços em indicadores operacionais e redução do endividamento. Analistas já apontavam que geração recorrente de caixa e controle da dívida continuavam entre os principais desafios para a companhia.
O próprio grupo vem apresentando ao mercado uma estratégia baseada em maior disciplina operacional e financeira, redução de despesas e concentração de recursos em operações consideradas mais rentáveis.
Na sexta-feira (14), o Grupo Casas Bahia divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026. A videoconferência com investidores está programada para segunda-feira (17), segundo o calendário oficial de Relações com Investidores da companhia.
Mudança no varejo físico
O fechamento de centenas de lojas também reforça uma transformação mais ampla enfrentada pelas grandes redes varejistas.
Empresas tradicionais precisam equilibrar os custos elevados das estruturas físicas com o crescimento das vendas digitais, logística integrada, marketplaces e novos hábitos dos consumidores.
No caso do Grupo Casas Bahia, as próprias lojas físicas exercem função adicional na estratégia digital, sendo utilizadas também como pequenos centros de apoio à distribuição e retirada de produtos comercializados pela internet.
Por isso, uma redução dessa magnitude não representa apenas o fechamento de pontos comerciais: pode envolver reorganização logística, redimensionamento da força de trabalho e mudanças na presença territorial de uma marca historicamente associada ao varejo de rua brasileiro.
O caso deverá ter novos desdobramentos nos próximos dias, tanto pela necessidade de a empresa detalhar os fechamentos quanto pela ação judicial anunciada pelo sindicato.
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