Ucrânia lança um dos maiores ataques aéreos da guerra e Rússia responde com novos bombardeios
Centenas de drones foram lançados contra território russo neste domingo; autoridades relatam mortos dos dois lados enquanto Moscou e Kiev intensificam ataques de longo alcance.

MOSCOU/KIEV — A guerra entre Rússia e Ucrânia viveu neste domingo (16) uma nova e intensa escalada. A Ucrânia lançou centenas de drones contra diferentes regiões russas em uma das maiores ofensivas aéreas realizadas desde o início do conflito, enquanto forças russas também atingiram cidades e instalações ucranianas com drones e mísseis.
Segundo autoridades russas, pelo menos seis pessoas morreram em território russo durante os ataques. Cinco mortes foram registradas na região de Rostov e outra ocorreu na região de Moscou, onde um drone atingiu uma residência.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter interceptado 822 drones ucranianos durante a ofensiva. Moscou também informou que aproximadamente 600 aparelhos teriam seguido em direção à região da capital russa. Os números são provenientes das autoridades russas e não puderam ser verificados de forma independente.
Ataques chegam à região de Moscou
A dimensão da ofensiva chamou atenção principalmente pela quantidade de drones e pela aproximação de parte deles da capital.
Além das mortes, os ataques provocaram danos a imóveis e infraestrutura. Um depósito da gigante russa de comércio eletrônico Wildberries também foi atingido por um incêndio durante as operações.
Na região de Rostov, ataques provocaram danos e incêndios, inclusive em áreas de vegetação.
A Ucrânia intensificou nos últimos meses sua estratégia de atingir instalações militares, centros industriais, estruturas energéticas e outros alvos dentro do território russo, numa tentativa de reduzir a capacidade logística e militar de Moscou.
Rússia também ataca cidades ucranianas
Enquanto drones ucranianos cruzavam o território russo, a Ucrânia também voltou a ser atingida.
Ataques russos contra Kryvyi Rih, Sumy e Zaporizhzhia deixaram pelo menos cinco mortos e 14 feridos, segundo autoridades ucranianas.
Entre os alvos atingidos estão instalações industriais. A maior produtora de aço da Ucrânia, a ArcelorMittal Kryvyi Rih, foi atingida, assim como uma instalação ligada à produção de mísseis ucranianos.
Em Kiev, ataques provocaram incêndios e atingiram também um tradicional mercado de livros da capital.
Guerra de drones ganha nova dimensão
O uso massivo de veículos aéreos não tripulados tornou-se uma das características centrais da guerra.
Os drones permitem ataques a centenas de quilômetros da linha de frente e têm sido empregados tanto contra posições militares quanto contra infraestrutura energética, logística e industrial.
No sábado (15), a Ucrânia já havia realizado um ataque de grande escala contra instalações industriais russas na região de Samara, incluindo uma estrutura ligada à agência espacial russa Roscosmos. Kiev afirmou ter empregado também mísseis desenvolvidos internamente.
A sequência de operações mostra uma ampliação da capacidade ucraniana de realizar ataques de longo alcance em território russo.
Drone também entra no espaço aéreo da Romênia
A escalada ganhou ainda uma dimensão envolvendo diretamente o território de um país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Segundo informações divulgadas neste domingo, um caça F-18 espanhol que integra uma missão da Otan derrubou um drone que entrou no espaço aéreo da Romênia, próximo à fronteira com a Moldávia.
Incidentes semelhantes têm aumentado a preocupação dos países da aliança militar localizados próximos à Ucrânia.
A entrada de equipamentos militares no espaço aéreo de integrantes da Otan é especialmente sensível porque pode elevar o risco de um incidente internacional mais amplo.
Conflito entra em fase de ataques cada vez mais profundos
A ofensiva deste domingo reforça uma tendência observada ao longo de 2026: os dois lados estão aumentando o alcance e a intensidade das operações realizadas longe das linhas tradicionais de combate.
Para Kiev, atingir instalações dentro da Rússia representa uma forma de comprometer a estrutura utilizada por Moscou para sustentar suas operações militares.
Para a Rússia, os ataques contra infraestrutura, centros urbanos e instalações estratégicas ucranianas continuam sendo uma das principais ferramentas de pressão.
O resultado é uma guerra cada vez mais marcada por ataques aéreos de longa distância e pelo uso intensivo de drones, aumentando também o risco para populações civis dos dois lados.
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