Negociações por paz em Gaza avançam no Cairo enquanto Israel retoma ataques
Enviados do governo dos Estados Unidos se reuniram neste domingo com mediadores do Egito, Qatar e Turquia para tentar destravar um novo plano para Gaza; ataques israelenses deixaram mortos e feridos enquanto as negociações aconteciam.

CAIRO — Uma nova tentativa de avançar para um acordo de paz na Faixa de Gaza movimentou a diplomacia internacional neste domingo (16), ao mesmo tempo em que novos ataques israelenses atingiram o território palestino.
Os enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jared Kushner e Nickolay Mladenov, participaram de reuniões no Cairo com representantes do Egito, Qatar e Turquia, países que vêm atuando como mediadores nas negociações. Representantes do Hamas também participaram de parte das conversas.
O objetivo é encontrar uma saída para implementar o plano norte-americano que prevê a interrupção das operações militares, o desarmamento do Hamas, a retirada progressiva das tropas israelenses e a reconstrução de Gaza sob uma nova administração civil palestina.
Diplomacia ocorre em meio a novos bombardeios
Enquanto as reuniões aconteciam no Egito, Israel realizou novos ataques aéreos em Gaza.
As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atingido integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica nas regiões de Khan Younis e Nuseirat. Médicos palestinos relataram feridos nos ataques e informaram que ao menos uma pessoa morreu após ser atingida em Khan Younis.
Outro bombardeio atingiu um apartamento no campo de Nuseirat, deixando mais feridos, segundo equipes médicas locais.
Israel afirma que suas operações têm como objetivo integrantes de organizações armadas. Já o Hamas acusa o governo israelense de violar os compromissos estabelecidos durante o processo de cessar-fogo.
Plano prevê desarmamento do Hamas
O núcleo da proposta patrocinada pelos Estados Unidos é um processo em etapas.
Pelo modelo apresentado, grupos armados palestinos deveriam entregar suas armas enquanto Israel retiraria progressivamente suas forças de Gaza.
Uma força internacional de estabilização participaria da segurança do território durante a transição, enquanto uma administração palestina de caráter tecnocrático assumiria funções civis e a reconstrução.
A Casa Branca já havia anunciado neste ano a criação de estruturas internacionais destinadas a acompanhar a governança, a reconstrução e a segurança de Gaza.
Israel e Hamas divergem sobre quem deve agir primeiro
É justamente a ordem das etapas que permanece entre os principais obstáculos.
O Hamas afirma ter aceitado o plano para evitar uma retomada da guerra em grande escala, mas sustenta que Israel precisa primeiro cumprir compromissos como interromper os ataques e iniciar a retirada de suas forças.
O governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, por outro lado, apresenta resistência a partes da proposta e defende que o Hamas seja efetivamente desarmado antes de uma retirada mais ampla.
Netanyahu já classificou a versão mais recente do plano como inaceitável e enfrenta pressão tanto externa quanto dentro de sua própria coalizão política.
Países pressionam Israel
Neste domingo, cinco países árabes, além de Turquia, Paquistão e Indonésia, criticaram publicamente a resistência israelense ao plano e afirmaram que a postura pode comprometer os esforços para encerrar o conflito.
O Hamas também pediu aos mediadores e à estrutura internacional criada para acompanhar o acordo que pressionem Israel pelo cumprimento da primeira fase e pela abertura das negociações da etapa seguinte.
Próxima reunião será com Netanyahu
A movimentação diplomática deve continuar nesta segunda-feira (17).
Jared Kushner e Nickolay Mladenov têm encontro previsto com Netanyahu para discutir as objeções israelenses e tentar encontrar uma fórmula capaz de manter o plano em andamento.
A visita já vinha sendo preparada desde a semana passada justamente para discutir uma possível sequência para o acordo.
O resultado dessa reunião poderá indicar se a proposta norte-americana ganhará condições reais de implementação ou entrará em uma nova fase de impasse.
Cessar-fogo não encerrou as mortes
Um cessar-fogo firmado em outubro de 2025 conseguiu interromper os combates de maior intensidade, mas não eliminou os ataques.
Segundo números citados pela Reuters a partir de autoridades palestinas e israelenses, mais de 1.250 palestinos foram mortos por ataques israelenses desde o início da trégua, enquanto quatro soldados israelenses morreram em ações de grupos armados no mesmo período.
A continuidade da violência demonstra a fragilidade do acordo e aumenta a pressão sobre mediadores internacionais.
As próximas horas serão decisivas. De um lado, Estados Unidos e países mediadores tentam transformar uma proposta diplomática em um acordo executável. De outro, persistem profundas divergências sobre desarmamento, retirada militar, segurança e administração de Gaza.
O encontro com Netanyahu nesta segunda-feira deve mostrar se as negociações conseguirão avançar ou se Gaza continuará presa entre a diplomacia e novos ataques.
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