EUA voltam a discutir sanções contra Alexandre de Moraes em meio a nova tensão com o Brasil
Governo norte-americano avalia novas medidas contra o ministro do STF, segundo o Financial Times. Discussão ganhou força após decisões envolvendo investigação de jornalista e fontes; até o momento, nenhuma nova sanção foi oficialmente anunciada.

BRASÍLIA — O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um momento de nova deterioração das relações políticas e diplomáticas entre Washington e Brasília.
A informação foi publicada neste domingo (16) pelo Financial Times, com base em fontes familiarizadas com as discussões, e confirmada em reportagem da Reuters. Até esta segunda-feira (17), porém, não havia anúncio oficial de uma nova punição nem confirmação de que uma decisão definitiva tenha sido tomada pelo governo norte-americano.
Caso envolvendo jornalista reacende discussão
Um dos episódios que teria contribuído para recolocar Moraes no centro das discussões em Washington é uma investigação envolvendo o jornalista maranhense Luís Pablo e pessoas apontadas como suas fontes.
Moraes autorizou medidas de busca contra envolvidos em uma apuração relacionada ao vazamento de informações sobre o ministro Flávio Dino e o uso de veículos oficiais por integrantes de sua família. O episódio provocou reação no meio jurídico e jornalístico, principalmente em relação à garantia constitucional do sigilo da fonte.
O caso também expôs divergências dentro do próprio Supremo. O presidente do STF, Edson Fachin, manifestou-se em defesa da proteção constitucional à fonte jornalística, enquanto outros ministros defenderam a atuação de Moraes no caso.
A controvérsia ganhou repercussão internacional e passou a ser mencionada nas discussões norte-americanas sobre liberdade de imprensa e os limites de decisões judiciais no Brasil.
Moraes já foi alvo da Lei Magnitsky
Alexandre de Moraes já havia sido sancionado pelos Estados Unidos em 30 de julho de 2025, durante o governo Donald Trump, com base na Lei Global Magnitsky.
Na ocasião, o Departamento do Tesouro norte-americano acusou o ministro de participar de ações consideradas pelo governo dos EUA como violações de direitos humanos, detenções arbitrárias e restrições à liberdade de expressão.
As sanções determinavam, entre outras medidas, o bloqueio de eventuais ativos de Moraes sujeitos à jurisdição norte-americana e restrições a transações financeiras com pessoas e empresas dos Estados Unidos.
Posteriormente, em 12 de dezembro de 2025, Washington retirou Moraes da lista de sancionados, em meio a uma melhora temporária no relacionamento diplomático entre os governos brasileiro e norte-americano.
Nova medida poderia ampliar crise diplomática
Uma eventual retomada das sanções teria consequências que ultrapassariam a situação individual do ministro.
Segundo o Financial Times, a discussão ocorre em meio a uma crise diplomática mais ampla envolvendo Brasil e Estados Unidos, marcada por divergências comerciais, políticas e institucionais.
A adoção de novas medidas contra um integrante da Suprema Corte brasileira poderia aumentar a tensão entre os dois países justamente no momento em que o Brasil entra de forma definitiva no calendário das Eleições 2026.
O tema também possui forte dimensão política interna. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes da oposição brasileira vêm defendendo junto a interlocutores norte-americanos a retomada das sanções contra Moraes, enquanto o governo brasileiro trata medidas estrangeiras contra autoridades nacionais como interferência indevida em assuntos internos do país.
Discussão ainda não significa sanção
Apesar da repercussão, é importante fazer uma distinção: os Estados Unidos estão discutindo a possibilidade de novas sanções, mas isso não significa que a medida tenha sido aprovada ou aplicada.
Nem a Casa Branca nem o Departamento do Tesouro haviam anunciado, até a manhã desta segunda-feira (17), uma nova inclusão de Alexandre de Moraes em regime de sanções. A informação disponível indica que o assunto está em avaliação dentro do governo norte-americano.
A evolução do caso deverá ser acompanhada com atenção porque reúne três temas de grande impacto institucional: liberdade de imprensa e proteção das fontes, independência do Judiciário brasileiro e as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
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