Curitiba marca leilão do transporte coletivo para novembro e prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos
Nova concessão terá duração de 15 anos, cinco lotes, ampliação da frota elétrica, integração temporal entre linhas e novas rotas; propostas serão recebidas em novembro na Bolsa de Valores de São Paulo.

CURITIBA (PR) — Depois de adiamentos e de uma disputa judicial que chegou a interromper o processo, Curitiba deu nesta quarta-feira, 19 de agosto, um dos passos mais importantes para definir o futuro do transporte coletivo da capital.
A Prefeitura publicou o aviso do edital da nova concessão do sistema de ônibus, que prevê investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões durante 15 anos. O leilão foi marcado para 26 de novembro, às 10 horas, na B3, em São Paulo.
As empresas interessadas deverão entregar suas propostas anteriormente, no dia 17 de novembro, entre 10h e 12h, também na sede da B3.
Mudança alcança praticamente todo o sistema de ônibus
O novo modelo substituirá os atuais contratos e criará o chamado Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), mantendo a continuidade da Rede Integrada de Transporte.
A concessão será dividida em cinco lotes: dois destinados principalmente às linhas estruturais e três organizados regionalmente — Norte, Sul e Oeste.
O BRT 1 reunirá 20 linhas, com atuação predominante na região Sul.
Já o BRT 2 terá 17 linhas, concentradas principalmente nas regiões Norte e Oeste.
Os três lotes regionais terão:
- Norte: 100 linhas;
- Sul: 92 linhas;
- Oeste: 84 linhas.
R$ 3,9 bilhões em investimentos
A nova concessão prevê aproximadamente R$ 3,9 bilhões em investimentos durante os 15 anos de contrato.
Entre as mudanças planejadas estão renovação da frota, crescimento da utilização de ônibus elétricos, novos veículos a diesel dentro do padrão Euro 6, ampliação das possibilidades de integração e implantação de novas linhas.
O planejamento divulgado anteriormente pela Prefeitura prevê a aquisição de 245 ônibus elétricos nos primeiros cinco anos, além de 149 novos ônibus a diesel Euro 6 no início do contrato e mais de mil veículos ao longo do período de concessão.
Ônibus elétricos ganham espaço
A eletrificação é um dos pontos centrais da mudança.
Além dos veículos, estão previstos sistemas de recarga nas próprias garagens das empresas e a implantação de dois eletropostos públicos, um no Capão Raso e outro no Capão da Imbuia.
A intenção é permitir que os ônibus elétricos realizem recargas também durante o período de operação, aumentando a autonomia da frota.
Ar-condicionado e mais conforto
O edital também amplia as exigências relacionadas ao conforto dos passageiros.
A Prefeitura destaca entre as características esperadas para a nova frota a ampliação de veículos com ar-condicionado, menor emissão de poluentes e redução de ruído, especialmente com o crescimento da frota elétrica.
A mudança ocorre justamente em um sistema reconhecido internacionalmente pelo modelo de BRT, mas que enfrenta há anos cobranças pela modernização dos ônibus e melhoria da experiência dos usuários.
Integração poderá acontecer fora dos terminais
Uma das mudanças potencialmente mais perceptíveis para o passageiro será a ampliação da integração temporal.
Atualmente, grande parte das integrações ocorre fisicamente dentro de terminais e estações-tubo.
No novo modelo, a proposta é permitir que o usuário realize conexões entre linhas em outros pontos do sistema, dentro de determinado período, sem necessariamente pagar uma segunda passagem.
Na prática, isso poderá aumentar as possibilidades de trajeto e reduzir a necessidade de o passageiro entrar em um terminal apenas para fazer integração.
Empresas também cuidarão de estações-tubo
Nos dois lotes de BRT, as concessionárias vencedoras terão responsabilidades que atualmente não se limitam à operação dos ônibus.
Elas também ficarão encarregadas de serviços relacionados à limpeza, conservação e manutenção das estações-tubo e plataformas elevadas dos terminais, além da infraestrutura necessária para a recarga dos ônibus elétricos.
O planejamento, fiscalização do sistema e bilhetagem eletrônica permanecerão sob responsabilidade municipal por intermédio da Urbs.
Processo chegou a ser suspenso pela Justiça
O caminho até a publicação do edital não foi simples.
O processo da nova concessão chegou a ser interrompido depois de questionamentos judiciais envolvendo os contratos atualmente mantidos pelas empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
A publicação desta quarta-feira ocorreu após autorização da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, segundo informou oficialmente a Prefeitura de Curitiba.
Com isso, a administração municipal retomou a concorrência.
Contratos terão duração de 15 anos
As empresas que vencerem os lotes terão contratos com duração prevista de 15 anos.
A licitação foi estruturada pela Prefeitura de Curitiba em conjunto com a Urbs, Ippuc e BNDES, além de ter passado por análise do Tribunal de Contas do Estado e por consultas e audiências públicas.
O tamanho econômico do processo ajuda a explicar a complexidade da concorrência.
Além da compra e operação de ônibus, as futuras concessionárias terão de realizar investimentos em infraestrutura, tecnologia, eletrificação e manutenção durante todo o contrato.
VLT também aparece no planejamento
O edital considera ainda uma transformação futura que poderá alterar de maneira significativa a mobilidade da Grande Curitiba.
A estrutura da concessão já leva em conta a eventual implantação do VLT Expresso Metropolitano, projetado para ligar o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, ao Centro Cívico de Curitiba a partir de 2031.
O projeto é tratado separadamente, mas sua integração foi considerada no planejamento operacional da futura rede.
Atenção: licitação de Curitiba não é a mesma da Região Metropolitana
Para quem mora em Araucária e utiliza ônibus para Curitiba, existe uma diferença importante.
A licitação anunciada nesta quarta-feira é referente ao sistema municipal de Curitiba.
O transporte metropolitano — responsável pelas linhas que conectam Curitiba a cidades como Araucária, São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais, Fazenda Rio Grande e outros municípios — possui outro processo de concessão, conduzido pela Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep).
No edital metropolitano, a sessão pública da licitação está marcada para 26 de agosto de 2026, às 14h, também na B3.
Portanto, são dois processos diferentes, embora futuramente precisem funcionar de forma integrada para que o passageiro consiga se deslocar entre Curitiba e a Região Metropolitana.
O que está em jogo
A nova concessão não trata apenas da troca das empresas que operam os ônibus.
Ela definirá por 15 anos aspectos fundamentais da mobilidade de Curitiba: tamanho e idade da frota, eletrificação, manutenção dos veículos, qualidade das estações, oferta de linhas, sistemas de integração e padrões de atendimento.
A capital possui hoje uma das maiores redes de transporte coletivo urbano do país, com mais de mil ônibus e centenas de milhares de viagens de passageiros em dias úteis.
Por isso, o resultado do leilão de novembro terá impacto cotidiano durante muitos anos.
A etapa seguinte será conhecer quais grupos empresariais disputarão os cinco lotes e, principalmente, quanto estarão dispostos a oferecer para operar um sistema que Curitiba pretende novamente transformar em referência de mobilidade urbana.
Portal Conexão Geral — Conectado em Tudo!
Seu navegador bloqueou a janela. Permita pop-ups para este site e tente novamente.


Comentários
Ainda não há comentários aprovados.