Operação mobiliza mais de 100 agentes e reforça policiamento no Centro de Curitiba
Guarda Municipal e Polícia Militar realizaram patrulhamento e abordagens em pontos de grande circulação nesta quarta-feira (19). Centro terá ainda novas sedes das duas forças; região registrou 235 prisões somente no primeiro semestre de 2026.

CURITIBA (PR) — Mais de 100 policiais militares e guardas municipais participaram nesta quarta-feira, 19 de agosto, de uma grande operação integrada para reforçar a segurança na região central de Curitiba.
A mobilização concentrou viaturas, equipes de patrulhamento e bases policiais em áreas de intenso movimento de moradores, trabalhadores, comerciantes e turistas. Participaram agentes da Guarda Municipal, do 33º Batalhão da Polícia Militar e da Companhia Operacional de Recobrimento Preventivo (CORPS).
Entre os locais alcançados pela operação estavam as praças Tiradentes, Rui Barbosa, Carlos Gomes, o calçadão da Rua XV de Novembro e vias próximas.
As equipes realizaram abordagens e ações de presença ostensiva destinadas principalmente à prevenção e repressão de furtos, roubos, tráfico de drogas e outras ocorrências que afetam a região central.
Operação começou na Praça Santos Dumont
A concentração das equipes ocorreu na Praça Santos Dumont, entre as ruas Cruz Machado e Saldanha Marinho.
A escolha do local também tem relação com uma mudança estrutural planejada para a segurança pública do Centro.
Em frente à praça está localizado o prédio da antiga sinagoga, imóvel que deverá passar a abrigar uma nova sede da Companhia Operacional de Recobrimento Preventivo da Polícia Militar, a CORPS.
A unidade deverá ampliar a presença permanente da Polícia Militar em uma região considerada estratégica devido à grande concentração comercial, circulação de pessoas, transporte coletivo, equipamentos públicos e pontos turísticos.
Guarda Municipal também terá nova base
A Polícia Militar não será a única força a ampliar sua estrutura física na região.
A Guarda Municipal prepara uma nova unidade na Rua Barão do Serro Azul, nas proximidades da Praça Tiradentes e da Catedral Metropolitana.
O imóvel está em fase final de obras e deverá reunir as patrulhas especializadas do Centro e do Turismo, além de receber um Posto de Atendimento ao Turista e o Museu da Guarda Municipal.
Com as duas novas estruturas — uma da Guarda Municipal e outra da Polícia Militar — a estratégia é aumentar a presença permanente das forças de segurança, reduzindo a dependência apenas de operações pontuais.
Mais de 6,7 mil ações de saturação em seis meses
Os números divulgados pela Prefeitura ajudam a dimensionar a atuação policial na área central.
Somente entre janeiro e junho deste ano, a Guarda Municipal realizou 6.757 ações de saturação e 705 abordagens na região.
As chamadas operações de saturação aumentam temporariamente o número de agentes em determinados pontos considerados mais sensíveis, criando maior presença ostensiva e capacidade de abordagem.
No mesmo período, a Guarda Municipal atendeu mais de 4,3 mil ocorrências no Centro.
235 pessoas foram presas
Essas ações resultaram em 235 prisões no primeiro semestre de 2026, segundo os dados apresentados pelo município.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento de 72,79% no número de pessoas detidas.
Também cresceu o total de ocorrências atendidas pela Guarda Municipal.
A alta foi de 40,13% na comparação anual, conforme o balanço divulgado nesta quarta-feira.
Os números podem refletir tanto maior demanda quanto maior presença e capacidade de atuação das forças de segurança. Por isso, isoladamente, não devem ser interpretados como demonstração automática de aumento ou queda da criminalidade.
Tráfico de drogas está entre os principais focos
Um dos problemas combatidos de maneira mais intensa na região central é o tráfico de drogas.
Nos primeiros seis meses deste ano, foram registradas 312 ocorrências relacionadas ao tráfico dentro da atuação da Guarda Municipal na região.
Esses casos resultaram em 110 prisões.
A circulação de drogas está relacionada também a outras situações que preocupam comerciantes e moradores, entre elas furtos, receptação, ocupação irregular de espaços públicos e conflitos em áreas de grande movimento.
É nesse contexto que a Prefeitura e o Governo do Estado defendem uma atuação integrada e permanente.
Centro enfrenta desafio de conciliar revitalização e segurança
A operação ocorre enquanto Curitiba investe em diferentes projetos para revitalizar sua região central.
Nos últimos anos, a administração municipal tem anunciado intervenções em praças, calçadas, iluminação, mobilidade, comércio e recuperação de imóveis.
Entretanto, para que essas ações produzam efeito duradouro, a questão da segurança permanece central.
Comerciantes reclamam principalmente de furtos, roubos, tráfico e sensação de insegurança em determinadas áreas e horários.
A presença constante das forças policiais torna-se, portanto, parte da estratégia de recuperação econômica e urbana do Centro.
Praça Tiradentes e Rua XV estão entre os pontos estratégicos
A escolha dos locais patrulhados nesta quarta-feira não ocorreu por acaso.
A Praça Tiradentes concentra grande fluxo de passageiros do transporte coletivo, comércio, circulação turística e importantes equipamentos urbanos.
Já a Rua XV de Novembro, tradicional calçadão de Curitiba, permanece entre os espaços públicos mais movimentados da capital.
A Praça Rui Barbosa também reúne intenso fluxo de ônibus e pedestres, enquanto a Carlos Gomes funciona como importante ponto de integração do transporte coletivo.
Isso faz com que a presença policial nesses locais tenha impacto sobre milhares de pessoas diariamente.
Polícia Militar e Guarda ampliam integração
A operação também demonstra uma estratégia que vem sendo cada vez mais utilizada nas grandes cidades: a integração entre diferentes forças.
A Polícia Militar possui atribuição estadual de policiamento ostensivo e preservação da ordem pública.
A Guarda Municipal, ligada ao município, atua na proteção de bens, serviços e instalações públicas e também desenvolve atividades de prevenção e segurança urbana previstas na legislação.
Em Curitiba, as duas instituições vêm realizando operações conjuntas para ampliar cobertura territorial e compartilhar informações.
Novas bases podem produzir efeito mais duradouro
A principal diferença entre uma operação temporária e as medidas anunciadas nesta quarta-feira está justamente na implantação das novas estruturas.
Quando a CORPS ocupar sua futura sede na Praça Santos Dumont e a Guarda Municipal inaugurar sua unidade na Barão do Serro Azul, as duas forças passarão a manter pontos permanentes em locais estratégicos do Centro.
A expectativa é reduzir tempo de resposta às ocorrências, facilitar denúncias e aumentar a circulação ostensiva de agentes nas áreas próximas.
A efetividade da estratégia, porém, deverá ser avaliada ao longo dos próximos meses por indicadores como furtos, roubos, tráfico, prisões, apreensões e percepção de segurança da população.
Segurança passa a fazer parte do projeto de recuperação do Centro
Mais do que uma operação isolada, a movimentação desta quarta-feira sinaliza uma tentativa de transformar a segurança em componente permanente do processo de recuperação da região central.
Curitiba enfrenta um desafio comum a grandes capitais: recuperar áreas históricas e comerciais sem simplesmente deslocar os problemas sociais e criminais para ruas vizinhas.
Isso exige presença policial, mas também iluminação, ocupação dos espaços públicos, atividade econômica, assistência social, tratamento para dependência química e políticas urbanas integradas.
A operação realizada nesta quarta-feira atua diretamente no componente da segurança.
As novas bases, por sua vez, demonstrarão se essa presença conseguirá se tornar permanente e produzir resultados mensuráveis.
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